Após anos de experiência atuando como mentor de carreiras e liderança, conversando com milhares de profissionais e ouvindo seus descontentamentos no Linkedin, o executivo de vendas do Facebook, Luciano Santos, chegou à conclusão de que o trabalho é fonte de sofrimento para muitas pessoas. Para saber mais detalhes sobre o assunto, Santos fez uma pesquisa informal na rede social de negócios e descobriu que o principal motivo que leva à infelicidade profissional é o relacionamento com o chefe, mais especificamente, quando o gestor/líder peca por não saber direcionar, motivar, inspirar ou dar apoio aos seus liderados.
Topar com um gestor desses no trabalho pode ser exaustivo e estressante para qualquer profissional. De acordo com Santos, para saber contornar essa situação é essencial aprender a gerenciar o seu gestor. “Isso é tão importante quanto necessário se o seu chefe não age como todo o gestor precisa agir”, afirma. O executivo de vendas sugere quatro ações que podem nortear a difícil tarefa de gerenciar o próprio gestor. São elas: ter um bom alinhamento com o chefe; saber oferecer ajuda a ele; aceitar que ne sempre será possível entender suas decisões; e aprender a se comunicar e ter conversas difíceis com ele.
1 - Ter um bom alinhamento
“A falta de comunicação sobre o que é importante é uma tragédia anunciada que se repete todos os dias no ambiente corporativo. Pode culminar em uma avaliação desastrosa, uma não promoção e uma profunda desmotivação por parte do funcionário”, declara Santos. Dessa forma, de acordo com o mentor de carreiras, o colaborador e seu gestor precisam estar muito bem alinhados sobre quais são as prioridades do trabalho a ser realizado pelo profissional.
Uma boa maneira do colaborador fazer este alinhamento é criar uma lista com tudo que discute com o chefe em uma reunião e validar com ele, sempre que possível, se os itens anotados ainda estão valendo ou se é preciso redirecionar a rota. Segundo o mentor de carreira, é como se fosse um contrato de alinhamento, que precisa ser revalidado a todo instante. “Se o seu chefe não deixar claro que precisa sobre objetivos, direcionamento, entrega de projetos ou de resultados, converse com ele e faça esse contrato de alinhamento. Do contrário, a história continuará a mesma: você não vai entender o que fez de errado e seu líder não compreenderá por que você não entendeu”, diz.
Sobre a objeção de que essa tarefa não cabe ao colaborador, Santos argumenta esse contrato de alinhamento deve ser encarado como parte de um gerenciamento eficiente da própria carreira. Para o mentor de carreiras, a falta de objetivos pode prejudicar a relação do colaborador com o chefe e principalmente o crescimento profissional. “Assim, ao invés de reclamar sobre as falhas de seu líder, seja proativo e gerencie seu gestor”, diz.
2 - Oferecer ajuda
“Existe um mito de que líderes são infalíveis. Isso não poderia estar mais longe da realidade. Gosto de pensar que líder, e sei que isso talvez não seja verdade em todas as culturas, são funcionários como todos os outros, apenas com responsabilidades diferentes”, comenta Santos. Nesse sentido, perguntar a seu líder o que o preocupa no trabalho e como poderia ajudá-lo é imprescindível para estabelecer uma relação de parceria, profícua para ambos (líder e liderado).
“Ser parceiro de seu chefe significa colaborar. Uma boa parceria acontece quando o relacionamento beneficia os dois lados, não apenas um. O chefe deve fazer você se desenvolver, ensiná-lo e ajudá-lo com suas aspirações profissionais, mas você deve fazer isso por ele também” ressalta. De acordo com Santos, demonstrar empatia com o líder e oferecer apoio em seus desafios é uma maneira poderosa de se aproximar dele e fortalecer a parceria entre vocês e o time como um todo.
3 – Aceitar que nem sempre será possível entender algumas decisões
Há uma grande diferença entre as responsabilidades de um colaborador e de um gestor. Neste contexto, nem sempre as decisões tomadas pela chefia agradarão os liderados. Acrescente a isso o fato de que muitas decisões tomadas pelo gestor não podem ser compartilhadas, até mesmo quando isso o deixa muito mal às vistas de toda a equipe, e temos a construção de um cenário que muitas vezes pode se tornar insustentável. Diante disso, Santos pede calma e ponderação nos julgamentos dos colaboradores.
“Não estou dizendo que temos que fechar os olhos e aceitar qualquer decisão maluca que vier de nossos líderes, também não estou dizendo que não se pode ficar chateado com algo que ele fez e você não esperava, mas que é importante considerar que talvez exista uma perspectiva que talvez você não conheça e talvez nunca conhecerá. Não julgue seu gestor muito rápido. Dê a ele o benefício da dúvida”, recomenda.
4 - Aprender a se comunicar e ter conversas difíceis
No ambiente de trabalho não raramente profissionais sentem que estão sendo “perseguidos” por seus chefes. Conforme o mentor de carreiras, a melhor maneira de dissipar essa sensação é tendo uma conversa franca com o gestor. “Podemos criar monstros que não existem, construir julgamentos de outras pessoas sobre nós e um monte de outras coisas que não são necessariamente verdadeiras, ainda mais as relacionadas ao nosso líder direto. Eu sei que sentar e falar 'eu acho que você não gosta de mim e aqui estão os motivos” não é uma conversa fácil, mas é necessária”, afirma
Conforme Santos, mesmo que as dúvidas e suspeitas sejam verdadeiras, elas precisam ser endereçadas o quanto antes. “O contrário disso é viver no escuro, na dúvida, no achismo e carregando um peso que, por vezes, é desnecessário. Por isso, é preciso criar coragem e, principalmente o hábito de ter conversas difíceis com seu líder”, diz.





