A transição energética ambiciosa e o investimento em hidrogênio verde - para reduzir o aquecimento global - podem alavancar o desenvolvimento do Brasil nos próximos anos com a geração de empregos sustentáveis. Hoje, o país responde por 10% dos empregos verdes do mundo, e a expectativa é de que, até 2030, essa nova economia crie cerca de 15 milhões de vagas na América Latina.
Mais do que ativismo ou tendência, a preservação do meio ambiente se consolidou como necessidade estrutural no mundo corporativo e, consequentemente, no mercado de trabalho. É nesse cenário que as empresas passaram a buscar profissionais com habilidades ligadas aos conceitos de ESG (responsabilidade ambiental, social e administrativa).
Segundo levantamento do Empregos.com.br, portal nacional de recrutamento e seleção, o número de empregos verdes no Brasil aumentou 99% nos últimos três anos, passando de 216 em junho de 2020 para 430 este mês. As oportunidades estão localizadas principalmente em São Paulo (48%), Rio Grande do Sul (8%) e Minas Gerais (7%).
“Considerando que quase metade do valor de mercado de uma grande empresa é determinado por sua reputação, ter uma equipe dedicada a criar processos sustentáveis e tornar as empresas responsáveis é essencial para companhias que desejam continuar lucrando”, avalia Tábata Silva, gerente do Empregos.com.br.
De acordo com o estudo, entre os empregos que exigem habilidades verdes, cinco se destacam pelo crescimento anual acelerado entre 2020 e 2023, nos setores de energia, engenharia, mineração, químico e industrial. São eles:
- Coordenador de meio ambiente (R$ 5.000)
- Engenheiro ambiental (R$ 4.780)
- Técnico em meio ambiente (R$ 2.210)
- Assistente de governança (R$ 1.960)
- Estagiário em meio ambiente (R$ 1.200)
Essa ‘onda verde’ que é novidade no país, também é tendência no exterior. Segundo dados do Futuro do Trabalho 2023, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum – WEF), a transição verde e a transformação tecnológica devem liderar a criação de cerca de 69 milhões de empregos entre 2023 e 2027.
“O Brasil tem grande potencial para o trabalho verde, visto que é um dos países mais ricos em recursos naturais e biodiversidade”, diz Fernando Silva, engenheiro químico e CEO da startup de purificação de água PWTech, que completa: “Para apostar em novas tecnologias ligadas à sustentabilidade é preciso criar novas funções, e isso requer profissionais qualificados”.
Para a especialista Tábata Silva, visão de futuro, humanidade e engajamento social são algumas das características mais valorizadas por recrutadores de empresas que seguem essa tendência: “Quem tem interesse espontâneo por ações sociais sairá na frente. Esses profissionais tendem a ser mais solidários e empáticos, o que ajuda a desenvolver produtos e serviços sustentáveis que resolvam as demandas da sociedade”.






