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O papel do RH na promoção do bem-estar e na gestão de acidentes de trabalho

A legislação brasileira, por meio das Normas Regulamentadoras (NRs), estabelece diretrizes detalhadas para garantir a segurança dos trabalhadores em diversos setores.

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O papel do RH na promoção do bem-estar e na gestão de acidentes de trabalho
Foto: GCMais

*Caroline Alves   No Brasil, a cada hora, são registrados 70 acidentes de trabalho, resultando na trágica marca de 2,5 mil mortes, segundo os últimos dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho (Smartlab). Tais números alarmantes reforçam a urgência de implementar medidas eficazes de prevenção e proteção no ambiente profissional.   Sabe-se que, além do impacto direto na vida dos trabalhadores, as empresas também enfrentam sérias consequências financeiras e reputacionais decorrentes da negligência em segurança, incluindo multas, interdições e danos à imagem. Portanto, a prevenção de acidentes é uma estratégia para otimizar custos, aumentar a produtividades e, principalmente, uma questão humanitária.   O papel do setor de Recursos Humanos (RH) é importante para mudar essa realidade, atuando na gestão integrada de segurança e saúde ocupacional. Isso é possível por meio de uma abordagem proativa, que envolve treinamentos, conscientização, conformidade com as normas regulamentadoras e criação de uma cultura organizacional de prevenção.   A legislação brasileira, por meio das Normas Regulamentadoras (NRs), estabelece diretrizes detalhadas para garantir a segurança dos trabalhadores em diversos setores. Entre as normas de destaque estão a NR-7, que trata do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO), exigindo exames médicos para monitorar a saúde dos colaboradores e prevenir doenças ocupacionais, e a NR-9, que aborda o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), focando na identificação e controle de agentes de risco, como físicos, químicos e biológicos, no ambiente de trabalho.   No entanto, o descumprimento das NRs por parte de algumas empresas, somado à insuficiência de fiscalização, contribui para o aumento de acidentes e doenças ocupacionais. Em função disso, o RH deve desempenhar o papel central de assegurar que essas normas sejam implementadas e mantidas.   Um exemplo prático da atuação do RH em casos de acidentes é a obrigatoriedade de emitir a Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Esse documento deve ser preenchido em até um dia útil após o ocorrido ou no momento do diagnóstico, em casos de doenças ocupacionais, e enviado ao INSS.   Caso a empresa não realize a emissão do documento, o próprio colaborador pode fazê-lo. Contudo, é recomendável que o RH assuma a liderança no cumprimento dessa obrigação, uma vez que a CAT assegura que o trabalhador ou seus familiares tenham acesso aos direitos previstos em lei e contribui para a análise estatística, necessária para a formulação de políticas de prevenção.   Além da gestão de incidentes, o RH é responsável por implementar programas contínuos de treinamento e conscientização. Isso inclui a promoção de palestras sobre o uso correto de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), técnicas seguras de trabalho e prevenção de doenças ocupacionais.   Uma dica importante é a atenção à ergonomia, que deve ser priorizada para reduzir problemas musculoesqueléticos e proporcionar conforto aos colaboradores. Pausas programadas durante a jornada de trabalho, mobiliários adequados e iluminação eficiente são ações que, além de prevenir doenças, aumentam a produtividade e a satisfação no ambiente profissional.   A cultura de segurança no trabalho precisa ser incorporada ao dia a dia da organização. O RH, nesse sentido, tem a responsabilidade de criar canais abertos de comunicação, onde os trabalhadores possam relatar possíveis riscos e sugerir melhorias. O diálogo ativo entre a equipe e a liderança é uma ferramenta poderosa para identificar problemas antes que eles se transformem em incidentes.   Empresas que priorizam a segurança e a proteção da saúde física e mental de seus funcionários não apenas cumprem sua responsabilidade legal, mas também constroem um ambiente de trabalho mais humano, produtivo e sustentável. A missão do RH é, portanto, ser um agente transformador, garantindo que cada colaborador retorne para casa em boas condições ao final de sua jornada.   *Caroline Alves, Head de Planejamento da DS Beline.

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