Sites de carreira e redes sociais corporativas mudaram o jeito de procurar emprego no Brasil. Antes vistos apenas como murais de vagas simples, hoje servem para mostrar a cultura, a rotina e o propósito das empresas. Essa transformação ficou evidente no Prêmio Employer Branding Brasil 2025, que reconheceu os projetos da Natura, do Grupo Fleury e da Iconic – todos desenvolvidos pela ILoveMyJob, primeiro hub de marca empregadora do Brasil – entre os finalistas.
“Empresas que se destacam são as que entendem que marca empregadora é estratégia de negócio. Mais do que comunicar vagas, elas precisam traduzir quem são, como trabalham e o que oferecem em termos de cultura”, afirma Angélica Madalosso, CEO da ILoveMyJob.
Resultados e novas funcionalidades
O site de carreiras da Natura, lançado no fim de 2024. Mais da metade dos inscritos no programa Jovem Aprendiz chegou pela plataforma. Além disso, o portal apresenta contador de vagas em tempo real e conteúdos de colaboradores pelo mundo.
O Grupo Fleury registrou 317 mil visualizações em um ano e quase 200 mil usuários únicos. O site inclui carrossel de vagas, seções sobre diversidade e inclusão e um chatbot com colaboradores reais, que respondem dúvidas sobre rotina e cultura. Segundo a empresa, 68% dos visitantes acessaram as vagas depois de navegar por outras áreas, o que mostra que o candidato busca conhecer a organização antes de se inscrever.
A Iconic apostou no Instagram. O perfil mostra bastidores e histórias de colaboradores. Em uma ação em feiras de carreira, a “Raspadinha Premiada” trouxe mais de mil seguidores em três dias e ampliou o alcance das vagas.
O que pesa para candidatos?
Uma pesquisa da ILoveMyJob com 865 profissionais revelou que o clima organizacional positivo (18%), transparência (16%) e autonomia (12%) pesam mais na decisão de permanecer em uma empresa do que salário e benefícios. Flexibilidade, reconhecimento e diversidade também foram citados como pontos decisivos.
Para Angélica, esse comportamento ajuda a explicar fenômenos recentes do mercado, como o quiet quitting e a rejeição ao modelo CLT, que já alcança 59% dos brasileiros, segundo o Datafolha. “As pessoas estão repensando o que esperam da vida profissional. Querem coerência entre discurso e prática e observam isso desde o primeiro contato”, afirma.
O que não pode faltar em um site de carreira
De acordo com Angélica Madalosso, alguns pontos básicos fazem diferença na experiência de quem busca emprego:
- Etapas do processo claras;
- Recursos de acessibilidade e tradução para diferentes públicos;
- Protagonismo de colaboradores em vídeos ou FAQs, que respondem dúvidas comuns;
- Integração direta com o sistema de seleção, para evitar perda de candidatos no caminho;
- Integração e fácil acesso ao ATS (application tracking system)
- Métricas de navegação que mostrem onde há desistência e permitem ajustes rápidos.
“Cada detalhe da jornada pesa. A forma de tratar o candidato já mostra como a empresa trata quem está dentro”, resume Angélica.
Experiência que afeta a reputação
A forma como o processo seletivo ocorre também interfere na imagem das empresas. Um levantamento da Indeed nº500 mostrou que 65% dos candidatos que não recebem resposta constroem uma visão negativa da companhia, e 37% afirmam que não voltariam a se candidatar. Para Angélica, cada detalhe importa. “Responder de forma genuína não exige grandes investimentos. Mostra respeito e consistência com a cultura que a empresa diz sustentar”.
Esse cuidado continua após a contratação, aponta a especialista. Pesquisa da Harvard Business Review indica que quem passa por um processo de integração positivo tem 69% mais chance de permanecer até três anos na empresa. “Se o EVP promete inovação, mas o colaborador encontra processos engessados, a confiança se rompe logo nos primeiros dias”, completa.
Além dos cases premiados, a ILoveMyJob concluiu o desenvolvimento de um buscador de vagas integrado ao ATS. A ferramenta deve ser apresentada em breve e pretende facilitar a jornada do candidato, reduzir etapas e fornecer métricas mais claras para as empresas.
Para Madalosso, a lição dos cases reconhecidos e das inovações é a mesma: “Uma marca empregadora sólida se constrói nos detalhes, na clareza das informações, na forma de tratar candidatos e na coerência entre promessa e entrega. Quem entende isso atrai e mantém profissionais de forma consistente”, conclui.
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