As plataformas de inteligência artificial (IA) generativa do Google e da Microsoft estão restringindo questões relacionadas a eleições, gerando discussões sobre acesso à informação. A decisão faz parte de um esforço para combater a desinformação.
Em dezembro, o Google anunciou que seu modelo de IA, Gemini, não responderia a perguntas sobre eleições, uma medida que agora se sabe valer para qualquer pleito mundial e histórico. “Por uma questão de cautela e em preparação para as muitas eleições que acontecerão em todo o mundo em 2024, estamos restringindo os tipos de pesquisas relacionadas às eleições para as quais o Gemini apresentará respostas e, em vez disso, redirecionaremos as pessoas para a busca”, declarou o Google para a reportagem da Folha Press.
Quando indagado sobre o tema, o Gemini responde: “eu ainda estou aprendendo como responder a essa questão. Enquanto isso, use a Pesquisa Google”. Medida similar foi adotada pela Microsoft com sua IA generativa Copilot, que também evita confirmar resultados eleitorais recentes, incluindo a vitória de Lula (PT) em 2022 e Jair Bolsonaro (PL) em 2018 no Brasil, ou de Joe Biden em 2020 e Donald Trump em 2016 nos Estados Unidos.
Inteligência artificial não respoende sobre eleições
O Copilot sugere: “parece que não posso responder sobre esse tema; explore os resultados da busca do Bing.” No entanto, o Copilot comenta sobre eleições anteriores a 2016 no Brasil e confirma resultados eleitorais dos EUA a partir de 2008, com a eleição de Barack Obama.
Não estava claro anteriormente que as restrições incluiriam processos eleitorais já concluídos, como o pleito de 2022 no Brasil e de 2020 nos EUA, ambos alvos de campanhas massivas de desinformação. A Microsoft, ao ser consultada, declarou: “à medida que trabalhamos para aprimorar nossas soluções para atender às nossas expectativas nas eleições de 2024, alguns prompts relacionados às eleições podem ser redirecionados para a pesquisa.”
Estudos de AIForensics e AlgorithmWatch, publicados pela revista Wired, indicaram que antes dessas restrições, o chatbot da Microsoft propagava desinformação eleitoral sistematicamente. Foram detectados erros relativos a resultados de pesquisas de intenção de voto, dados de processos eleitorais e endosso de notícias falsas.
Plataformas como ChatGPT e Llama, da Meta, ainda fornecem informações sobre resultados de eleições anteriores. A Perplexity AI, por exemplo, além de responder, indica links de referência.
Em um evento em São Paulo, o Google anunciou que textos gerados pelo Gemini terão uma marca d'água chamada synthID, para indicar a origem sintética da informação. Royal Hansen, vice-presidente global de engenharia em privacidade, proteção e segurança do Google, enfatizou a importância de respeitar diretrizes de segurança durante o desenvolvimento de tecnologias de IA.




