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Niéde Guidon, pioneira da arqueologia brasileira, morre aos 92 anos

Pesquisadora revolucionou o entendimento sobre o povoamento das Américas e dedicou sua vida à preservação da Serra da Capivara

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Niéde Guidon, pioneira da arqueologia brasileira, morre aos 92 anos
Foto: GCMais

A arqueóloga Niéde Guidon faleceu na madrugada desta quarta-feira (4), aos 92 anos, deixando um legado inestimável para a ciência e a cultura brasileira. Reconhecida internacionalmente, ela dedicou mais de cinco décadas à pesquisa e preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, transformando a região em um dos mais importantes sítios arqueológicos do mundo.

Nascida em Jaú, interior de São Paulo, em 1933, filha de pai francês e mãe brasileira, Niéde formou-se em História Natural pela Universidade de São Paulo (USP) em 1959. Posteriormente, especializou-se em Arqueologia Pré-Histórica na Universidade Paris-Sorbonne, onde também concluiu seu doutorado em 1975, com uma tese sobre as pinturas rupestres de Várzea Grande, no Piauí.

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Nos anos 1970, liderou escavações na região de São Raimundo Nonato, identificando mais de 1.300 sítios arqueológicos, muitos com evidências de presença humana datadas de até 48 mil anos. Esses achados desafiaram a teoria dominante de que o homem chegou às Américas há cerca de 15 mil anos pelo Estreito de Bering. Para Niéde, o Homo sapiens teria vindo da África pelo oceano Atlântico, em um período em que o nível do mar era mais baixo.

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Em 1979, ela foi fundamental na criação do Parque Nacional da Serra da Capivara, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. Em 1986, fundou a Fundação Museu do Homem Americano (FUMDHAM), responsável pela preservação e pesquisa no local, que dirigiu até 2019.

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Ao longo de sua carreira como arqueóloga, Niéde Guidon recebeu diversas condecorações, incluindo a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico do Brasil e o título de Cavaleira da Legião de Honra da França. Mesmo enfrentando desafios como a falta de recursos e o descaso do poder público, manteve-se firme na defesa da ciência e da cultura brasileira.

Em 2020, aos 87 anos, aposentou-se da presidência da FUMDHAM devido a problemas de saúde decorrentes de sequelas da chikungunya. No ano seguinte, foi agraciada com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para a Ciência e Tecnologia, o mais importante do país na área científica.

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A Prefeitura Municipal de Coronel José Dias, no Piauí, decretou luto oficial e publicou nota de pesar pela morte de Niéde Guidon

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"Com coragem, visão e dedicação incansável, Dra. Niède foi a grande responsável por revelar ao mundo a grandiosidade arqueológica do nosso território, lutando com firmeza pela criação, preservação e valorização do Parque Nacional Serra da Capivara, patrimônio que transformou Coronel José Dias em referência turística", diz o comunicado.

Niéde deixa um legado que transcende a arqueologia, inspirando gerações a valorizar e preservar o patrimônio histórico e cultural do Brasil.

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