A ONG Aquasis iniciou, em parceria com instituições nacionais e internacionais, um projeto de reintrodução do chupa-dente-do-nordeste (Conopophaga cearae) na Serra da Aratanha, região de mata úmida próxima à Região Metropolitana de Fortaleza. A espécie, endêmica e ameaçada de extinção, é um dos símbolos da biodiversidade cearense.
A ação faz parte do Plano de Ação Nacional para a Conservação das Aves da Caatinga e conta com o apoio da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e da Universidade de Cornell, nos Estados Unidos. Desde maio, casais da ave começaram a ser levados para a Aratanha, que possui cerca de 6 mil hectares de vegetação preservada. Gravadores autônomos foram instalados por pesquisadores para monitorar a adaptação das aves ao novo ambiente.
O chupa-dente-do-nordeste é uma espécie insetívora de pequeno porte, com cerca de 11 a 14 centímetros de comprimento e peso entre 16 e 27 gramas. A ave sobreviveu na Serra de Baturité mesmo após séculos de degradação ambiental provocada pela expansão da agricultura, especialmente o cultivo de café, iniciado no século XIX.
A recuperação da vegetação nativa na Baturité, impulsionada pela técnica do “café sombreado”, contribuiu para o renascimento da fauna local. Atualmente, a serra abriga uma área de Mata Atlântica de 32 mil hectares, protegida pela Área de Proteção Ambiental (APA) criada em 1990.
A expectativa da equipe é de que o sucesso da reintrodução do chupa-dente-do-nordeste abra caminho para novos projetos de refaunação. Outras espécies ameaçadas, como a choca-da-mata, o arapaçu-rajado-do-nordeste e a maria-do-nordeste, também podem ser levadas futuramente para a Serra da Aratanha.
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