Diante dos recentes conflitos entre facções criminosas nos bairros Vicente Pinzón e Papicu, em Fortaleza, um plano de segurança será discutido e implantado nas escolas municipais da região. A iniciativa envolve medidas das Secretarias Municipais da Educação (SME) e da Segurança Cidadã (Sesec) para proteger estudantes e profissionais durante o período escolar.
Entre as ações previstas está a criação de um comitê de segurança, com objetivo de aproximar a Guarda Escolar Comunitária e a Guarda Municipal das unidades. A Inspetoria de Segurança Escolar também terá atuação direta nas escolas da região. Além disso, está previsto o reforço da presença de viaturas e guardas municipais em todas as escolas do Vicente Pinzón. Segundo nota das pastas, o plano amplia o efetivo já presente da Polícia Militar e inclui “utilização de vídeomonitoramento, rondas permanentes, contato com a comunidade escolar e ampliação da relação dos profissionais da escola com a ronda escolar da GMF”.
A medida atende a demandas de representantes escolares, que solicitaram providências urgentes durante reunião realizada na quinta-feira (28) com a secretária executiva da Educação, Ana Christina Silva. Participaram do encontro representantes de 13 escolas do Distrito 2, que compreende, além do Vicente Pinzón, os bairros Mucuripe, Meireles e Cais do Porto.
Decisões da reunião:
- Reforço da presença de agentes da Guarda Municipal e da Guarda Comunitária, com rondas intermitentes em escolas específicas;
- Criação de “corredores seguros” para garantir o deslocamento seguro de alunos, professores e comunidade até as unidades escolares;
- Acolhimento com atividades culturais, como banda de música e teatro de fantoches, para reduzir tensões;
- Serviço de atendimento psicossocial para estudantes;
- Reuniões periódicas com sindicatos, coordenadores de distritos e diretores de escolas;
- Visita do secretário executivo da Sesec, Major Messias Mendes, às 16 escolas do Distrito 2 a partir da próxima semana.
Violência interrompe aulas e preocupa sindicato
O aumento da violência armada tem impactado diretamente a rotina escolar. Entre junho e agosto, 16 escolas do Distrito 2 foram afetadas, segundo levantamento do Sindicato União dos Trabalhadores em Educação de Fortaleza (Sindiute). Quatro unidades estão sem aulas, enquanto 12 operam parcialmente, com turmas reduzidas e baixa frequência.
Docentes relatam episódios de pânico, com tiroteios durante o horário de aula, interrupções e correria dentro das salas. Em um dos casos, uma granada foi arremessada próximo à Escola Municipal Maria Gondim após a saída dos alunos.
Representantes do Sindiute estiveram na SME na quinta-feira (28) para cobrar providências. A presidenta do sindicato, Ana Cristina Guilherme, criticou a ausência de equipes técnicas nas escolas e ressaltou que “professores, estudantes e familiares não devem permanecer expostos a ameaças diárias”. O sindicato alerta que o clima de medo compromete o rendimento escolar, inclusive para avaliações externas como SPAECE e Saeb, previstas para outubro.




