O PDT do Ceará realizou, neste sábado (1º), sua convenção estadual e oficializou mudanças na direção da legenda. O deputado federal André Figueiredo assumiu a presidência do partido no estado, tendo como vice o também deputado federal Mauro Filho. Na capital, o diretório municipal passa a ser comandado pelo ex-vereador Iraguassú Filho, com o vereador Adail Júnior na vice-presidência.
O evento marcou um movimento claro de reaproximação entre PDT e PT no Ceará. A presença do governador Elmano de Freitas e do prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, reforçou a aliança restabelecida entre os dois partidos. Também participaram representantes de outras siglas aliadas, como PSD, MDB, Cidadania, Rede e PV.
A articulação acontece após a saída de figuras históricas do PDT, como Ciro Gomes, ex-governador do Ceará, e os ex-prefeitos de Fortaleza Roberto Cláudio e José Sarto. Ciro e Sarto se filiaram ao PSDB no fim de outubro, enquanto Roberto Cláudio deve ingressar no União Brasil no próximo dia 5. O rompimento desses nomes ocorreu justamente pela retomada da aliança do PDT com o PT no estado.
Ao longo da convenção, dirigentes pedetistas defenderam a reconstrução do partido, com foco nas eleições de 2026. Segundo os discursos, o objetivo é manter a coalizão com o PT e trabalhar pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Elmano de Freitas. O partido também pretende fortalecer sua presença na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) e na Câmara Federal.
No evento, os vereadores Gardel Rolim, Adail Júnior e Kátia Rodrigues foram anunciados como pré-candidatos a deputado estadual. Já André Figueiredo e Mauro Filho devem buscar novo mandato na Câmara Federal. As lideranças classificaram o encontro como um “passo importante de reorganização e fortalecimento” do PDT no Ceará.
A convenção contou ainda com a presença do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência no terceiro governo Lula. Ele criticou adversários políticos e disse que o Ceará não permitirá o retorno “das forças retrógradas do ódio, que não queriam vacina e que deixaram milhares de brasileiros morrerem”.
Mesmo com o movimento de reaproximação com o PT, o PDT deve enfrentar novas baixas. Deputados estaduais que fazem oposição ao governador Elmano devem deixar a legenda. Antônio Henrique, Cláudio Pinho, Fernando Hugo e Lucinildo Frota, todos contrários à atual gestão estadual, articulam a saída para a janela partidária de 2026.
A mudança de comando e o reencontro com antigos aliados reposicionam o PDT no tabuleiro político cearense e preparam o terreno para a próxima disputa eleitoral.




