O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu retirar as tarifas aplicadas a produtos agrícolas brasileiros, incluindo café, carne bovina, açaí, laranja e bananas, conforme ordem executiva assinada nesta sexta-feira (14). A medida tem efeito retroativo a 13 de novembro e suspende as taxas impostas desde abril, que, no caso do Brasil, chegavam a 10% dentro do sistema de tarifas recíprocas.
Segundo o documento, a decisão considera o avanço das negociações comerciais, a demanda interna por determinados itens e a capacidade de produção dos EUA. Trump não detalhou o tamanho da redução efetiva, mas afirmou ter seguido recomendações técnicas.
A mudança representa alívio para o agronegócio brasileiro, que desde agosto vinha sendo impactado pelo tarifaço de 50% (10% da tarifa recíproca + 40% de sobretaxa) anunciado em julho pelo próprio governo americano.
Tarifas dos EUA: decisão ocorre após encontros com Brasil
Nos últimos meses, autoridades do Brasil e dos EUA intensificaram articulações para reduzir o impacto das tarifas. Em outubro, Trump se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na Malásia. Nesta semana, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, fortalecendo o ambiente para o anúncio.
Setores brasileiros comemoraram. Para a Abiec, a retirada da tarifa fortalece o fluxo de exportações de carne bovina para os EUA, hoje o segundo maior mercado do produto brasileiro. O Conselho de Exportadores de Café informou que analisa os impactos da ordem executiva sobre o setor.
Tarifas dos EUA: lista inclui café, carne, frutas, especiarias e mais
A ordem executiva suspende tarifas para diversos itens agrícolas, como:
- Carnes bovinas e vísceras: cortes frescos, resfriados, congelados
- Frutas e vegetais: tomate, mandioca, inhame, fruta-pão, jicama, broto de bambu
- Nozes e castanhas: castanha-do-pará, castanha de caju, macadâmia, coco
- Bebidas e derivados: suco de laranja, água de coco, suco e preparações de açaí
- Especiarias: café (torrado, verde e descafeinado), chá, mate, baunilha, canela, gengibre
As exclusões valem para produtos importados ou retirados de armazém para consumo a partir de 13 de novembro.
Medida também inclui insumos industriais
Além das commodities agrícolas, a medida abrange setores industriais e minerais:
- Minérios: cobre, manganês, cobalto, zinco, estanho
- Combustíveis: carvão, coque, óleos derivados de petróleo
- Produtos químicos: vitaminas, antibióticos, compostos orgânicos
- Fertilizantes: ureia, nitratos, fosfatos
- Metais preciosos: ouro, prata, platina, paládio, ródio
- Tecnologia: semicondutores, circuitos integrados, máquinas de processamento
Justificativa da Casa Branca sobre as tarifas dos EUA
A Casa Branca afirmou que o avanço das negociações de comércio recíproco e a necessidade de ajuste na oferta interna justificam a decisão. Para o governo americano, retirar tarifas de produtos não produzidos em escala suficiente nos EUA — como café e frutas tropicais — é “necessário e apropriado”.
Também foi citado o esforço para ampliar o acesso de produtores americanos ao mercado internacional, movimento que fortalece a agenda comercial de Washington.




