Em pronunciamento oficial em rede nacional na noite deste domingo (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. A medida, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, foi apresentada pelo governo como um marco histórico na política tributária brasileira e reforçou o tom social e eleitoral adotado pelo presidente a menos de um ano da disputa presidencial.
Durante o discurso, Lula afirmou que “o Brasil mudou nessa última semana”, ao defender que a nova lei representa uma inversão de prioridades na estrutura tributária do país. Segundo ele, “pela primeira vez, em mais de um século de existência do Imposto de Renda, privilégios de uma pequena elite financeira deram lugar a conquistas para a maioria do povo brasileiro”. A ampliação da isenção havia sido uma das principais promessas de campanha do presidente em 2022 e, agora concretizada, deve se tornar uma das bandeiras centrais de sua campanha pela reeleição em 2026.
Lula também citou programas sociais que compõem a base de sua gestão, como o Bolsa Família, o Pé de Meia, o Luz do Povo e o Gás do Povo, reforçando a narrativa de que seu governo prioriza políticas de combate à desigualdade. O presidente afirmou que a ampliação da isenção do IR vai beneficiar diretamente trabalhadores com renda até R$ 7.300, já que a redução da alíquota será aplicada de maneira progressiva.
“Se você ganha até R$ 5 mil por mês, dezembro será o último mês em que haverá desconto de Imposto de Renda no seu contracheque”, afirmou. Ele citou ainda que um trabalhador que recebe R$ 4.800 poderá economizar cerca de R$ 4 mil ao ano, o equivalente a “quase um décimo quarto salário”.
O presidente voltou a defender a ideia de “justiça tributária”, argumentando que a compensação pela queda de arrecadação virá da taxação dos mais ricos — cerca de 140 mil brasileiros que ganham acima de R$ 1 milhão por ano. Lula afirmou que essas pessoas, que representam 0,1% da população, passarão a contribuir com até 10% de imposto sobre a renda. “Quem vive do suor do seu trabalho paga até 27,5% de imposto. Já quem vive de renda paga apenas 2,5%, em média”, disse ele, criticando o desequilíbrio atual do sistema.
O presidente reforçou ainda dados sobre desigualdade no Brasil, citando um levantamento do Ipea que aponta que o país registrou, no último ano, o menor nível de desigualdade e pobreza desde 1995. Segundo Lula, embora a reforma do IR seja um “passo decisivo”, ela faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento às disparidades econômicas, mencionando que “1% mais rico concentra 63% da riqueza do país, enquanto a metade mais pobre detém apenas 2%”.




