O Ministério Público do Ceará denunciou, na última quarta-feira (17), quatro pessoas suspeitas de participação em uma campanha de ódio contra a farmacêutica e ativista Maria da Penha Maia Fernandes. Segundo denúncia do Núcleo de Investigação Criminal (Nuinc), o grupo teria atuado de forma organizada para atacar a honra da ativista e descredibilizar a Lei Maria da Penha, por meio de perseguições virtuais, notícias falsas e uso de documento público forjado em um documentário.
De acordo com o MP, os conteúdos divulgados tinham caráter ofensivo e calunioso, configurando crimes de intimidação sistemática virtual (cyberbullying) e perseguição (stalking e cyberstalking). A denúncia aponta ainda práticas de misoginia e deturpação de informações sobre a história de Maria da Penha e a Lei nº 11.340/2006.
O caso tramita em sigilo na 9ª Vara Criminal de Fortaleza. Os denunciados respondem por intimidação sistemática, perseguição, falsificação de documento público e uso de documento falso, com agravantes como motivo torpe e violência contra mulher maior de 60 anos.
Operação "Echo Chamber"
A investigação, iniciada em 2024, resultou na operação Echo Chamber, deflagrada em duas fases. Em dezembro de 2024, foram realizadas buscas no Espírito Santo e no Rio de Janeiro, com suspensão de perfil em rede social e proibição de contato com Maria da Penha e suas filhas. Já em julho de 2025, diligências em Natal apreenderam documentos e equipamentos eletrônicos, incluindo um pen drive com laudo adulterado, além da suspensão da veiculação do documentário.
A operação contou com apoio dos Gaecos dos Ministérios Públicos do Ceará, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Diante da gravidade dos ataques, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos pelo Núcleo de Acolhimento às Vítimas de Violência do MP do Ceará.




