Bebês prematuros nascidos com até 37 semanas de gestação e crianças de até 23 meses com comorbidades já podem receber, em Fortaleza, a vacina contra bronquiolite, baseado no anticorpo monoclonal Nirsevimabe. A estratégia integra a ampliação das ações de prevenção às infecções respiratórias graves na primeira infância e segue critérios definidos pelo Ministério da Saúde. O medicamento é ofertado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o público elegível.
Na capital cearense, a aplicação ocorre no Hospital Universitário do Ceará (HUC), no Hospital Geral de Fortaleza (HGF) e na Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC). O acesso ao imunizante se dá exclusivamente por meio de avaliação médica e prescrição, não havendo aplicação direta nas unidades básicas de saúde sem o encaminhamento clínico.
Fluxo de atendimento para o público elegível
Crianças com menos de 23 meses de idade que apresentem comorbidades passam inicialmente por consulta médica. Após a confirmação do quadro clínico, o profissional realiza a prescrição do Nirsevimabe. Com o documento em mãos, a Secretaria Municipal da Saúde solicita o imunobiológico à Rede de Imunobiológicos para Pessoas com Situações Especiais (RIE), responsável pela liberação e envio das doses para aplicação na unidade hospitalar indicada.
Esse mesmo fluxo é adotado para bebês prematuros que estejam internados em outros equipamentos da rede materno-infantil de Fortaleza. Todo o processo é acompanhado e monitorado pelo Programa Estadual de Imunização do Ceará, que coordena a distribuição e o uso dos imunobiológicos especiais no estado.
Entre as comorbidades contempladas nos critérios técnicos estão doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita com repercussão hemodinâmica, anomalias congênitas das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunodeficiências graves de origem genética ou adquirida e síndrome de Down, conforme diretrizes da nota técnica vigente.
Vacina contra bronquiolite reforça proteção de bebês prematuros em Fortaleza
De acordo com a Secretaria Municipal da Saúde, a introdução do Nirsevimabe representa um avanço relevante na proteção das crianças mais vulneráveis, especialmente durante o período de maior circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite. A secretária municipal da Saúde, Riane Azevedo, destaca que o imunizante contribui para a redução de internações e de casos graves da doença.
“O Nirsevimabe fortalece a estratégia de cuidado integral às crianças mais vulneráveis. É uma medida fundamental para reduzir complicações associadas ao vírus sincicial respiratório, principalmente entre bebês prematuros e aqueles com condições clínicas que aumentam o risco de agravamento”, afirmou.
A bronquiolite é uma infecção respiratória que atinge principalmente crianças menores de dois anos e pode evoluir para quadros graves, exigindo internação hospitalar e suporte ventilatório. A prevenção é considerada uma das principais estratégias para diminuir a sobrecarga nos serviços de saúde, sobretudo nos meses de sazonalidade do vírus.
Estratégia integrada de prevenção ao vírus sincicial
A oferta do Nirsevimabe faz parte de uma ação combinada de enfrentamento ao vírus sincicial respiratório. Atualmente, o SUS também disponibiliza a vacina Abrysvo para gestantes, aplicada nos 134 postos de saúde de Fortaleza. O objetivo é garantir a transferência de anticorpos da mãe para o bebê ainda durante a gestação, por meio da placenta.
Nos casos em que a criança nasce prematura, sem tempo suficiente para essa transferência de anticorpos, ou quando se trata de bebê considerado de alto risco, está indicada a aplicação direta do anticorpo monoclonal logo após o nascimento ou conforme avaliação médica.
Antes da chegada do Nirsevimabe, o SUS já ofertava o anticorpo monoclonal palivizumabe, administrado em esquema de cinco doses durante o período de sazonalidade do vírus. Com a incorporação do novo imunobiológico, a aplicação segue um protocolo de transição, conforme orientação técnica das autoridades de saúde.
Anticorpo monoclonal não substitui vacinas
O Nirsevimabe não é classificado como uma vacina tradicional. Trata-se de um anticorpo monoclonal, que promove imunização passiva, ou seja, fornece anticorpos prontos para neutralizar o vírus, sem estimular o organismo da criança a produzir sua própria resposta imunológica. A proteção ocorre de forma imediata e é indicada especialmente para o público com maior risco de desenvolver formas graves da bronquiolite.
A Secretaria da Saúde reforça que a ampliação do acesso ao imunizante integra um conjunto de medidas voltadas à proteção da primeira infância, com foco na prevenção de doenças respiratórias, redução de internações e fortalecimento da assistência neonatal e pediátrica em Fortaleza.




