Os últimos 10 dias de março de 2026 vêm registrando déficit de chuva no estado do Ceará, com níveis abaixo do que costuma ser observado no período, em anos anteriores. A informação foi divulgada pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos do Estado do Ceará (Funceme), na manhã desta terça-feira (31).
Março deve fechar com registros menores do que o usual
Segundo a Fundação, durante o período houve apenas registros mais isolados de chuvas, com atuação de sistemas transientes — ou seja, perturbações atmosféricas de curta duração e alta mobilidade, como frentes frias, ciclones extratropicais e outros.
Os dados referentes ao acumulado do mês de março, como um todo, ainda não foram fechados pela Funceme, uma vez que as informações seguem sendo enviadas pelos postos nos municípios ao longo do dia. No entanto, até o momento, março de 2026 apresenta acumulado de 18 milímetros, equivalente a 12% a menos do que é considerado normal para o mês.
Em 2025, há um ano, também houve desvio negativo nos registros de chuva de março, porém em escala menor: apenas 0,3% menos do que o considerado usual para o mês. A última vez em que o Ceará teve desvio positivo no registro de chuvas para o mês foi em 2024, quando houve 12,9% a mais de chuvas em relação ao normal de março no Ceará.
Funceme projeta menos chuva no Ceará em 2026
No início do ano, a Funceme adiantou que a perspectiva para a quadra chuvosa não é otimista no estado, preocupando os especialistas que acompanham o tema. Conforme informado pela Fundação, o prognóstico climático para o trimestre (compreendendo os meses de fevereiro, março e abril) divulgado em janeiro apontava 40% de probabilidade de chuvas abaixo da média; 40% de probabilidade de níveis normais de chuvas; e 20% de probabilidade de chuvas acima da média.
A probabilidade de chuvas abaixo da média preocupa, conforme os analistas da Funceme, inclusive porque a capacidade atual dos reservatórios do estado é considerada insuficiente. Com isso, o resultado da quadra chuvosa pode não ser suficiente para amenizar os efeitos da seca.
Cinturão das Águas
Em meio a isso, para enfrentar os efeitos nocivos da seca, a Secretaria dos Recursos Hídricos (SRH) liberou mais 15 quilômetros do Cinturão das Águas do Ceará (CAC), o que significa que o trecho vai passar a receber água do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF). O novo trecho liberado compreende o percurso entre o sifão da CE-060 e o sifão São Francisco Salamanca.
Atualmente, o Cinturão das Águas já alcança 92% de execução, com previsão de conclusão ainda em 2026. A obra, segundo a SRH, é considerada fundamental para a integração dos recursos hídricos no estado, de modo a garantir mais segurança no abastecimento humano de água e fortalecer atividades produtivas, como a agricultura e a indústria. Quando concluído, o sistema será responsável por levar água a diversas bacias hidrográficas do Ceará.
O Cinturão das Águas do Ceará (CAC) é um grande projeto hídrico que transfere água do Rio São Francisco para várias regiões do estado. Ele capta água na barragem Jati e a distribui por canais, túneis e sifões para combater secas no semiárido.
O CAC aduz as vazões do Eixo Norte do Projeto de Integração do São Francisco (PISF) até bacias como a do Rio Cariús, em Nova Olinda, beneficiando consumo humano, agricultura e indústria em dezenas de municípios. Com cerca de 1.252 km no total planejado, integra 12 bacias hidrográficas cearenses. O Trecho 1 tem 145,3 km, totalmente gravitacional, com vazão máxima de 30 m³/s, incluindo canais a céu aberto e travessias.




