O empresário francês baleado durante uma tentativa de latrocínio em Fortaleza continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto Doutor José Frota (IJF), 15 dias após o ataque registrado no bairro Siqueira. O caso ganhou grande repercussão após a Polícia Civil apontar que a emboscada teria sido articulada por uma influenciadora digital de Fortaleza identificada como Thays Abreu de Freitas, de 28 anos.
Segundo o IJF, o paciente permanece recebendo acompanhamento médico intensivo e todos os cuidados necessários. O hospital não divulgou atualização detalhada sobre o estado de saúde da vítima. A investigação aponta que o empresário foi atraído ao local após marcar um encontro com a influenciadora na noite de 12 de maio. Conforme o inquérito policial, os dois haviam se conhecido por meio de um aplicativo de relacionamento no fim de 2025.
Ao chegar ao bairro Siqueira, o francês aguardava dentro da caminhonete quando foi surpreendido pelos criminosos. Durante a abordagem, ele reagiu e acabou atingido por dois tiros nas costas. Os suspeitos fugiram levando o veículo e objetos pessoais da vítima. O empresário foi socorrido em estado gravíssimo e levado ao IJF, referência no atendimento de trauma no Ceará.
Empresário francês baleado em Fortaleza segue internado no IJF
A permanência do empresário na UTI reforça a gravidade dos ferimentos provocados durante a tentativa de latrocínio. O caso também ampliou a repercussão em torno das investigações, principalmente pela suspeita de que o grupo pretendia ir além do roubo da caminhonete.
Conforme a Polícia Civil, os suspeitos monitoraram a movimentação da vítima antes da ação criminosa. Informações sobre o horário de chegada do empresário teriam sido compartilhadas entre os envolvidos momentos antes da abordagem. As investigações também identificaram indícios de planejamento prévio da ação, o que levou a polícia a tratar o caso como uma atuação organizada entre múltiplos participantes.
Influenciadora teria usado encontro amoroso para atrair vítima
Segundo o delegado Luiz Arthur, responsável pelo caso, os elementos reunidos até o momento indicam que Thays Abreu participou diretamente da articulação do crime junto com outros suspeitos. De acordo com a investigação, a influenciadora teria marcado o encontro enquanto alinhava detalhes da ação criminosa com os comparsas.
O namorado dela, Mikael Ricson Lima Monteiro, relatou em depoimento que o plano vinha sendo discutido havia semanas. Conforme o relato prestado à polícia, Thays teria compartilhado informações sobre a rotina do empresário e avisado o momento em que ele estava em frente à residência dela.
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores ocorreu logo após os disparos. Conforme depoimentos, a influenciadora entrou em contato com um funcionário da vítima para informar que o empresário havia sido baleado. Na sequência, pediu a senha do celular alegando que precisava rastrear o aparelho roubado. O funcionário desconfiou da solicitação e decidiu não fornecer os dados. Ainda segundo o inquérito, horas antes do crime o empresário transferiu R$ 500 para Thays. Em depoimento, ela afirmou que utilizaria o dinheiro para pagar uma babá enquanto sairia com a vítima.
Polícia investiga plano de roubo e extorsão contra empresário
Os depoimentos colhidos pela Polícia Civil indicam que o grupo investigado pretendia não apenas roubar a caminhonete do empresário, mas também submetê-lo a extorsão. Segundo um dos investigados, o plano incluía sequestrar a vítima para exigir dinheiro mediante violência. A situação, no entanto, teria saído do controle após a reação do empresário durante a abordagem.
Mikael Ricson afirmou em depoimento que receberia R$ 15 mil para entregar a caminhonete roubada a outro homem. Já Erick Sousa Paula declarou que desmontaria o veículo em troca de R$ 400. Erick também afirmou à polícia que Thays Abreu e Mikael seriam os responsáveis por articular o esquema criminoso.
Durante buscas realizadas na residência da influenciadora, os policiais localizaram objetos pertencentes ao empresário francês, incluindo celular, relógio e óculos. Inicialmente, conforme os investigadores, Thays teria admitido informalmente que receberia R$ 1.500 para repassar a caminhonete roubada. Posteriormente, no depoimento oficial, ela negou participação no planejamento do crime.
Justiça mantém presos suspeitos de participação no crime
No dia seguinte ao ataque, a Polícia Civil prendeu Thays Abreu, Mikael Ricson Lima Monteiro, Erick Sousa Paula e outros dois homens suspeitos de participação na ação criminosa. Um adolescente também foi apreendido. Outro investigado segue foragido.
Os suspeitos foram autuados por tentativa de latrocínio, tentativa de extorsão e participação em organização criminosa. Durante audiência de custódia, a Justiça converteu as prisões em preventivas e destacou a gravidade das condutas atribuídas ao grupo.
Na decisão, o Judiciário apontou que a influenciadora teria utilizado a relação construída com a vítima para facilitar a execução da emboscada contra o empresário estrangeiro, que permanece internado no IJF. As defesas dos investigados não foram localizadas até a publicação desta matéria.




