O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (4) que evita participar de eventos religiosos em períodos eleitorais para não transmitir a impressão de que está utilizando a fé com finalidade política. A declaração foi feita durante uma ligação telefônica ao ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, que representou o governo federal na 34ª edição da Marcha para Jesus, realizada em São Paulo.
A conversa ocorreu enquanto Jorge Messias acompanhava a programação ao lado do apóstolo Estevam Hernandes, um dos organizadores do evento. Durante o contato, Lula enviou uma mensagem aos participantes e explicou os motivos que o levaram a não comparecer presencialmente à celebração.
Segundo o presidente, a decisão busca evitar interpretações de que a participação em encontros religiosos possa estar relacionada a interesses eleitorais. Lula afirmou que prefere manter distância desse tipo de compromisso durante períodos de campanha.
Além de justificar a ausência, o presidente destacou a importância da Marcha para Jesus para milhões de fiéis e relembrou sua ligação com a oficialização da data no calendário nacional.
Lula explica motivo de não participar da Marcha para Jesus
Durante a conversa com Jorge Messias, Lula afirmou estar satisfeito com a realização da Marcha para Jesus e ressaltou a relevância do encontro religioso para os participantes.
O presidente também recordou que sancionou, em 2009, a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus. A medida foi aprovada durante seu segundo mandato e passou a reconhecer oficialmente a celebração no calendário brasileiro.
A declaração ocorre em meio às movimentações políticas que antecedem as eleições de 2026 e em um contexto de aproximação de diferentes grupos políticos com o público evangélico.
Mesmo sem participar presencialmente, Lula manteve a prática adotada desde o início do atual mandato de enviar um representante do governo federal ao evento.
Jorge Messias representou o governo federal no evento evangélico
Responsável por representar o Palácio do Planalto na Marcha para Jesus, Jorge Messias afirmou que sua presença teve caráter institucional e religioso.
Segundo o ministro, a orientação recebida do presidente foi participar da celebração voltada ao louvor, à oração e à manifestação pública da fé cristã.
Durante a programação, Messias acompanhou parte do percurso da marcha e esteve ao lado de lideranças evangélicas e organizadores do evento. Em alguns momentos, também compartilhou espaço com representantes da oposição presentes na celebração.
O ministro declarou ainda que a Marcha para Jesus não deve ser utilizada como espaço para campanhas eleitorais, reforçando o entendimento de que o foco principal do encontro deve permanecer nas manifestações religiosas.
Sua participação ganhou atenção adicional por ocorrer após a rejeição, pelo Senado Federal, de sua indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
Marcha para Jesus reuniu autoridades e lideranças religiosas em São Paulo
A edição de 2026 da Marcha para Jesus reuniu milhares de pessoas na capital paulista e contou com a presença de lideranças religiosas, artistas do segmento gospel e representantes do poder público.
Entre as autoridades presentes estavam o senador Flávio Bolsonaro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e o prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes.
O evento percorreu cerca de 3,5 quilômetros entre a região da Luz e a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na Zona Norte da cidade. A programação incluiu momentos de oração, apresentações musicais e discursos de autoridades e líderes religiosos.
Organizada pelo apóstolo Estevam Hernandes, a Marcha para Jesus é considerada uma das maiores manifestações públicas de fé do país e ocorre anualmente em diversas cidades brasileiras.
Além do caráter religioso, a edição deste ano ganhou relevância pelo contexto pré-eleitoral. A presença de representantes do governo federal e de lideranças da oposição ampliou a atenção sobre o evento, embora os organizadores tenham defendido que o foco permanecesse nas manifestações de fé e adoração.




