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SISTEMA DE PAGAMENTO

Pix domina pagamentos no Ceará e ganha força mesmo após questionamentos dos Estados Unidos

Sistema criado pelo Banco Central já é aceito por 96% dos pequenos negócios e mudou hábitos de consumo no Ceará

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Pix domina pagamentos no Brasil e ganha força mesmo após questionamentos dos Estados Unidos
Comércio cearense amplia adesão ao Pix entre consumidores. Foto: Reprodução/Pexels


O Pix deixou de ser apenas uma alternativa aos meios tradicionais de pagamento e passou a ocupar um espaço central na rotina de milhões de brasileiros. No Ceará, a ferramenta criada pelo Banco Central está presente em feiras, pequenos comércios, supermercados e serviços diversos, reduzindo cada vez mais a circulação de dinheiro em espécie. O avanço ocorre em meio a uma investigação aberta pelos Estados Unidos, que apontam o sistema brasileiro como um fator de concorrência para empresas americanas do setor de pagamentos digitais.

Leia também: Trilha Sebrae Impacta CE apoia negócios que unem lucro e impacto socioambiental no Ceará

Nas feiras de Fortaleza, a mudança é perceptível. O som de notificações de transferências realizadas pelo celular substituiu boa parte das trocas de cédulas e moedas durante as compras. Para consumidores e comerciantes, a praticidade se tornou um dos principais motivos para a rápida popularização da ferramenta.

A psicóloga Cida Brito afirma que o Pix transformou sua forma de realizar pagamentos. Segundo ela, a necessidade de sacar dinheiro praticamente desapareceu. “Com o Pix ficou muito acessível. Mais prático, mais rápido”, destaca.

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O advogado Carlos Antônio Ferreira também utiliza a ferramenta desde o lançamento e considera a modalidade um dos avanços mais importantes dos últimos anos no sistema financeiro brasileiro.

“É muito fácil. Realmente foi um valor muito bom agregado”, afirma. Ele conta que já não costuma carregar dinheiro em espécie. “Não tenho um centavo na carteira”, diz.

Pix muda hábitos de consumo e reduz uso de dinheiro no Ceará

A mudança de comportamento também é observada entre comerciantes e trabalhadores autônomos. O feirante Ivan Batista relata que o uso crescente dos pagamentos digitais simplificou as negociações e trouxe mais segurança para clientes e vendedores.

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Segundo ele, os consumidores podem escolher entre cartão e Pix sem a necessidade de portar dinheiro. “Fica bem mais fácil. Com certeza, melhora para mim e para os clientes, para o consumidor”, afirma.

A autônoma Silvia Helena avalia que a ferramenta revolucionou a forma como as pessoas pagam contas e realizam compras no dia a dia. “O Pix veio para mudar a vida da gente totalmente. Hoje em dia, dificilmente quem vem na feira vem com dinheiro”, observa.

Criado pelo Banco Central em 2016 e lançado oficialmente em novembro de 2020, o Pix permite transferências instantâneas entre contas correntes, poupanças e contas pré-pagas durante 24 horas por dia, todos os dias da semana.

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Comércio cearense amplia adesão ao Pix entre consumidores

A expansão do sistema também impulsionou mudanças nos pequenos negócios. Dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que 96% das micro e pequenas empresas já aceitam Pix como forma de pagamento. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), a adesão chega a 97%.

O empresário Engel Rocha afirma que a modalidade ganhou relevância significativa dentro das operações comerciais.

“O Pix hoje está se tornando uma das formas de pagamento principais do comércio. Na nossa loja, 21% da movimentação das vendas são realizadas no Pix, perdendo apenas para o cartão de crédito e de débito”, explica.

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Além da rapidez, comerciantes destacam a redução de custos e a facilidade para receber pagamentos em tempo real como fatores que impulsionaram a adoção da ferramenta.

Pix movimenta trilhões e consolida liderança nos pagamentos digitais

O crescimento acelerado do sistema também aparece nos números. De acordo com o Banco Central, o Pix registrou cerca de 80 bilhões de transações ao longo de 2025, movimentando aproximadamente R$ 35,4 trilhões.

Os dados reforçam a consolidação da ferramenta como principal sistema de pagamentos instantâneos do país e um dos maiores do mundo em volume de operações.

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Para especialistas, o sucesso do Pix está ligado à combinação entre gratuidade para pessoas físicas, rapidez nas transferências e ampla aceitação pelo mercado.

Entenda por que os Estados Unidos investigam o sistema brasileiro

O avanço da plataforma brasileira também despertou atenção fora do país. O governo do presidente Donald Trump abriu uma investigação comercial relacionada ao Pix e argumenta que o sistema cria um ambiente de concorrência desfavorável para empresas americanas que atuam no segmento de pagamentos digitais.

Para o economista Paulo Barbosa, a discussão está diretamente relacionada ao tamanho do mercado conquistado pela ferramenta brasileira em poucos anos. “Hoje é um produto melhor, de fato, do que os produtos privados. Tanto que ele domina o mercado”, afirma.

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Segundo o especialista, os mais de R$ 35 trilhões movimentados anualmente demonstram a relevância econômica do sistema. “Estamos falando de uma média de pelo menos R$ 3 trilhões por mês. Isso é um mercado interessantíssimo”, destaca.

Paulo Barbosa acrescenta que as tarifas de 25% discutidas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros teriam impactos econômicos mais amplos. Embora não incidam diretamente sobre o Pix, o sistema aparece entre os elementos citados no debate comercial.

“A gente está falando de pelo menos um impacto estimado de 0,36% no PIB brasileiro se de fato essa tarifa for aplicada”, conclui.

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Enquanto a discussão avança no cenário internacional, o Pix segue ampliando sua presença no cotidiano dos brasileiros e consolidando sua posição como um dos principais instrumentos de pagamento do país.

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