O secretário da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), Roberto Sá, afirmou nesta quarta-feira (10) que os protocolos adotados nos cursos operacionais das forças de segurança do Ceará passarão por reavaliação após a morte do cabo Anderson Weverton de Lima Nunes, de 35 anos. O policial militar passou mal durante o X Curso de Operações Táticas Rurais (Cotar) e morreu após ser hospitalizado. Outro agente que participava da capacitação segue internado.
Outro policial que participava do mesmo curso também precisou ser hospitalizado. Segundo informações divulgadas anteriormente pela Academia Estadual de Segurança Pública do Ceará (Aesp), o agente permanece internado e apresenta quadro estável.
Durante a entrevista, Roberto Sá iniciou a manifestação prestando solidariedade à família do policial, aos colegas de farda e à corporação. O secretário ressaltou que cursos desse tipo exigem elevado preparo físico e psicológico dos participantes, uma vez que são voltados para missões consideradas de alta complexidade.
Governo se manifesta sobre morte de policial em curso tático
Segundo Roberto Sá, o cabo Anderson já possuía experiência em capacitações operacionais e havia participado de outros treinamentos semelhantes ao longo da carreira. O secretário informou ainda que o policial passou pelos exames médicos exigidos antes do início da formação e foi considerado apto para participar das atividades.
De acordo com o titular da SSPDS, as informações preliminares apontam que a instrução era acompanhada por protocolos de segurança e monitoramento adotados pela Academia Estadual de Segurança Pública e pela Polícia Militar.
Entre as medidas citadas estão a presença de equipes de apoio e ambulância durante o treinamento, além da realização de paradas programadas ao longo das atividades físicas desenvolvidas pelos participantes.
O secretário destacou que esse tipo de capacitação integra a preparação de policiais para situações extremas enfrentadas em operações especiais. Conforme explicou, os treinamentos buscam preparar os agentes para atuar em ambientes hostis, onde podem enfrentar limitações de água, alimentação e condições adversas de deslocamento.
Secretário defende treinamento e destaca protocolos adotados
Durante a entrevista, Roberto Sá observou que cursos operacionais semelhantes são realizados por forças de segurança e instituições militares em diferentes partes do país. Segundo ele, a proposta é desenvolver habilidades necessárias para missões que exigem resistência física, capacidade de sobrevivência e tomada de decisão em cenários de alto risco.
O secretário também afirmou ter conhecimento direto sobre esse tipo de formação, relatando experiência anterior em treinamentos da mesma natureza. Segundo ele, trata-se de atividades consideradas extremamente exigentes e que envolvem riscos inerentes ao processo de capacitação.
Apesar disso, Roberto Sá destacou que as instituições responsáveis trabalham continuamente para reduzir os riscos aos participantes por meio de protocolos de acompanhamento e suporte médico.
A Academia Estadual de Segurança Pública já informou que abriu procedimento para apurar todas as circunstâncias relacionadas ao caso.
Estado promete avaliar medidas para evitar novos casos
Embora tenha defendido os protocolos atualmente adotados, o secretário afirmou que a morte do policial deverá provocar uma análise aprofundada dos procedimentos utilizados nos cursos especializados.
Segundo Roberto Sá, a Polícia Militar, a Academia Estadual de Segurança Pública e os demais órgãos vinculados à área de segurança pública irão revisar os protocolos existentes para identificar possíveis aperfeiçoamentos.
A intenção, conforme declarou, é ampliar as medidas preventivas e buscar formas de reduzir ainda mais os riscos enfrentados pelos participantes durante treinamentos de alta exigência física.
A discussão ganha relevância porque este é o segundo caso de morte de um agente das forças de segurança do Ceará durante capacitações especializadas em um intervalo de aproximadamente dois meses.
Enquanto as investigações avançam, o Governo do Estado mantém o acompanhamento do caso e reforça que a análise das circunstâncias da ocorrência deverá contribuir para eventuais ajustes nos procedimentos adotados em futuras formações operacionais.
A morte do cabo Anderson provocou forte comoção entre policiais militares e profissionais da segurança pública, além de reacender o debate sobre os limites dos treinamentos especializados e os mecanismos de proteção oferecidos aos participantes dessas capacitações.




