O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a liderar os casos graves de síndrome respiratória no Ceará, mesmo com a redução no número total de notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas semanas. Dados da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) mostram que o vírus foi responsável por 40,9% das detecções entre pacientes hospitalizados no período mais recente de monitoramento, afetando principalmente crianças menores de 5 anos.
Entre as semanas epidemiológicas 14 e 17, o Ceará registrou 1.006 casos de SRAG. Já entre as semanas 18 e 21, foram contabilizados 945 casos. Apesar da queda nas notificações totais, houve mudança no perfil dos vírus circulantes no estado.
VSR passa a liderar os casos graves de SRAG no Ceará
No levantamento anterior da Sesa, o rinovírus aparecia como principal agente associado aos casos graves, respondendo por 31,5% das detecções. No boletim mais recente, porém, o VSR assumiu a liderança, sendo identificado em 40,9% dos casos analisados nas últimas quatro semanas.
A positividade laboratorial do Vírus Sincicial Respiratório também apresentou crescimento. Na semana epidemiológica 16, o índice era de 11,9%. Na semana 21, chegou a 26%, o maior percentual registrado no período analisado.
O VSR pode causar desde sintomas semelhantes aos de uma gripe comum até quadros respiratórios mais graves, sobretudo em crianças pequenas, idosos e pessoas com condições clínicas que aumentam a vulnerabilidade a infecções respiratórias.
Crianças menores de 5 anos concentram mais notificações
Os dados estaduais mostram que crianças entre 1 e 4 anos foram o grupo com maior número de notificações de SRAG nos dois períodos analisados. No boletim mais recente, essa faixa etária representou 26,7% dos registros no Ceará.
Em Fortaleza, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informou que registrou 275 casos de SRAG entre as semanas epidemiológicas 16 e 21 de 2026. Segundo o município, o VSR foi o principal vírus identificado nos casos relacionados a infecções respiratórias graves nesse intervalo.
Desde janeiro, a capital contabilizou 945 notificações de SRAG. Entre os menores de 5 anos, houve maior concentração entre crianças de 1 a 4 anos, com 247 casos, e menores de 1 ano, com 226 registros. Além da capital, municípios como Juazeiro do Norte, Maracanaú, Crato e Barbalha também apresentaram números relevantes de notificações recentes.
Fortaleza mantém alta demanda por atendimentos respiratórios
De acordo com a SMS, Fortaleza continua registrando um patamar elevado de atendimentos relacionados às síndromes respiratórias devido à circulação simultânea de diferentes vírus. Além do VSR, há registros de rinovírus, influenza B, Covid-19 e metapneumovírus, agentes que podem apresentar sintomas iniciais semelhantes aos de uma gripe comum.
Quais sintomas indicam agravamento da síndrome respiratória?
A Síndrome Respiratória Aguda Grave é caracterizada pela piora dos sintomas gripais e pode apresentar sinais como:
- desconforto respiratório;
- respiração acelerada;
- redução da oxigenação do sangue.
Nas crianças, os responsáveis devem observar ainda:
- batimento das asas do nariz;
- coloração azulada ou acinzentada da pele;
- afundamento da pele entre as costelas durante a respiração;
- sinais de desidratação;
- diminuição do apetite.
A orientação é procurar assistência médica diante de sinais de agravamento.
Como prevenir o VSR e outras infecções respiratórias
O Ministério da Saúde recomenda algumas medidas para reduzir a transmissão de vírus respiratórios:
- manter a vacinação contra influenza e Covid-19 atualizada;
- higienizar frequentemente as mãos com água e sabão;
- utilizar máscaras quando indicado;
- manter ambientes ventilados;
- cobrir boca e nariz ao tossir ou espirrar;
- permanecer em isolamento e buscar orientação médica em casos suspeitos.
A atenção deve ser redobrada entre crianças menores de 5 anos, grupo que concentra a maior parte dos casos graves registrados no Ceará.




