O Centro do Café de Sombra do Ceará, localizado na comunidade do Uirapuru, em Baturité, foi selecionado para integrar a primeira turma do Projeto Nano ABIC, iniciativa nacional voltada ao fortalecimento de pequenas torrefações e negócios ligados à cadeia produtiva do café. A conquista coloca o Maciço de Baturité entre os territórios brasileiros que vêm ganhando espaço na valorização dos cafés de origem, da produção sustentável e da inovação no setor cafeeiro.
A seleção tem peso nacional. Entre mais de 150 empreendimentos inscritos em todo o país, apenas 50 foram escolhidos para participar do programa criado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Para o Ceará, o resultado reforça o reconhecimento de uma região que mantém tradição histórica na produção de café cultivado sob a sombra da Mata Atlântica.
Mais do que uma conquista institucional, a entrada no programa amplia perspectivas para produtores, empreendedores e iniciativas ligadas ao desenvolvimento econômico da Serra de Baturité. O objetivo é fortalecer a agregação de valor ao produto ainda dentro do território produtor, estimulando novos negócios e oportunidades para a região.
Centro do Café de Sombra do Ceará conquista reconhecimento nacional
A participação no Projeto Nano ABIC garante acesso a uma jornada de incubação com duração de seis meses, reunindo mentorias técnicas e gerenciais voltadas à profissionalização de pequenos empreendimentos da cadeia cafeeira.
O programa é realizado pela ABIC em parceria com o Instituto Federal do Sul de Minas e contempla áreas consideradas estratégicas para o crescimento do setor.
Entre os temas trabalhados estão:
- Torra e qualidade do café;
- Análise sensorial;
- Gestão empresarial;
- Legislação do setor;
- Adequação sanitária;
- Registro de marcas;
- Certificações;
- Sustentabilidade;
- Economia circular.
A expectativa é que o conhecimento adquirido contribua para o fortalecimento das iniciativas desenvolvidas pelo Centro de Referência do Café de Sombra e para a ampliação da competitividade dos cafés produzidos na Serra de Baturité.
O que representa a seleção para o Projeto Nano ABIC
A participação no programa também fortalece os planos de implantação de uma futura torrefação-escola na região. A proposta busca ampliar a formação técnica, estimular a inovação e criar condições para que parte do valor agregado do produto permaneça no território onde o café é cultivado.
O acesso a mentorias especializadas pode contribuir para a melhoria dos processos produtivos, do controle de qualidade e da preparação para futuras certificações reconhecidas nacionalmente. Além disso, a iniciativa favorece a construção de modelos de negócio mais estruturados e sustentáveis, alinhados às exigências de um mercado que valoriza cada vez mais origem, rastreabilidade e qualidade.
Café de sombra fortalece economia e preservação ambiental em Baturité
Um dos diferenciais da produção local é o sistema de cultivo adotado no Maciço de Baturité. O chamado café de sombra é produzido sob a cobertura da Mata Atlântica, em sistemas agroflorestais que conciliam atividade econômica e conservação ambiental.
Esse modelo contribui para a preservação da biodiversidade e dos recursos naturais da região, ao mesmo tempo em que gera oportunidades de renda para agricultores familiares e comunidades locais. Nos últimos anos, a cafeicultura também passou a dialogar com outras atividades econômicas da Serra de Baturité, incluindo turismo de experiência, gastronomia regional, economia criativa e iniciativas culturais ligadas à identidade serrana.
Laboratório do Café deve impulsionar inovação e novos produtos
Outro projeto fortalecido pela seleção é a criação do Laboratório do Café de Sombra da Serra de Baturité. A proposta prevê um espaço dedicado à pesquisa gastronômica, experiências sensoriais e desenvolvimento de produtos derivados do café produzido na região.
Entre as possibilidades estão a criação de doces, trufas artesanais, licores e outras receitas inspiradas na tradição cafeeira local. A iniciativa busca ampliar as formas de aproveitamento econômico da produção regional e estimular novos empreendimentos ligados ao turismo e à gastronomia.




