O analfabetismo no Brasil atingiu o menor nível da história e ficou abaixo de 5% pela primeira vez desde o início da série histórica revisada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dados divulgados nesta sexta-feira (19) mostram que a taxa caiu para 4,9% entre brasileiros com 15 anos ou mais em 2025.
Nas redes sociais, o ex-ministro da Educação e atual senador Camilo Santana comemorou os números e afirmou que os resultados refletem investimentos e ações conjuntas na área educacional. “Boas notícias para a Educação do nosso Brasil! Isso tudo é fruto de muito trabalho, gente, de investimento, de união de esforços com estados e municípios, acima das diferenças”, escreveu o senador em publicação no Instagram.
Apesar do avanço histórico, o Brasil ainda possui 8,4 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever. O levantamento faz parte do módulo Educação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua e aponta redução de cerca de 592 mil analfabetos em relação a 2024. Os dados revelam melhora gradual nos indicadores educacionais brasileiros, mas também expõem desafios persistentes, principalmente no ensino médio, entre idosos e nas desigualdades regionais e raciais.
Taxa de analfabetismo no Brasil fica abaixo de 5% pela primeira vez
Segundo o IBGE, a taxa de analfabetismo entre pessoas com 15 anos ou mais caiu de 5,6% em 2022 para 4,9% em 2025. Entre brasileiros de 15 a 59 anos, o índice é ainda menor: 2,6%. Já entre idosos com 60 anos ou mais, a taxa recuou de 16% para 13,8% no mesmo período. É a primeira vez desde 2016 que o índice fica abaixo de 14% nessa faixa etária.
Mesmo assim, os idosos seguem representando a maior parcela da população analfabeta do país. Dos 8,4 milhões de brasileiros nessa condição, 4,9 milhões têm 60 anos ou mais, o equivalente a 58% do total. O levantamento também identificou diferenças entre homens e mulheres. Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres idosas ficou abaixo da registrada entre homens da mesma faixa etária.
Entre pessoas com 60 anos ou mais, o índice foi de 13,7% para mulheres e 14,1% para homens. Já na população acima de 15 anos, as mulheres registraram taxa de 4,6%, enquanto entre os homens o percentual chegou a 5,2%.
Nordeste reúne mais da metade da população analfabeta do país
O Nordeste continua concentrando o maior número de analfabetos do Brasil. Segundo a PNAD Contínua, mais da metade da população analfabeta vive na região. São cerca de 4,8 milhões de pessoas, o equivalente a uma taxa de 10,6%, mais que o dobro da média nacional.
Depois do Nordeste aparecem:
- Norte: 5,7%;
- Centro-Oeste: 3,3%;
- Sul: 2,4%;
- Sudeste: 2,3%.
Os números reforçam desigualdades históricas no acesso à educação e mostram que regiões mais vulneráveis ainda enfrentam maiores dificuldades estruturais.
Evasão escolar cresce no ensino médio e preocupa especialistas
A pesquisa aponta que quase todas as crianças entre 6 e 14 anos estão na etapa escolar adequada. O principal desafio aparece mais tarde, quando os jovens chegam ao ensino médio. A partir dos 16 anos, a evasão escolar cresce de forma significativa e chega perto de 20%.
Entre os principais motivos apontados estão:
- necessidade de trabalhar;
- gravidez;
- desinteresse pelos estudos.
O IBGE também identificou que um em cada quatro jovens brasileiros afirma não querer estudar. Outro dado que chama atenção é o percentual de jovens que não estudam, não trabalham e não fazem cursos de qualificação profissional. Atualmente, esse grupo representa 17,5% da população jovem do país.
Diferença racial ainda influencia indicadores de educação
Os dados mostram que o analfabetismo continua afetando de maneira desigual a população preta e parda. Entre brasileiros com 15 anos ou mais, a taxa de analfabetismo entre pessoas brancas é de 2,8%. Já entre pretos ou pardos, o índice chega a 6,5%.
A diferença se amplia entre idosos:
- pretos ou pardos: 20,6%;
- brancos: 7,3%.
Os indicadores refletem desigualdades históricas e dificuldades de acesso à educação ao longo das últimas décadas.
Ensino médio completo avança entre pretos e pardos
Apesar das diferenças ainda existentes, a pesquisa também aponta avanço importante na escolarização da população preta e parda. Pela primeira vez, mais da metade dos pretos e pardos com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. O percentual chegou a 51,3% em 2025.
Entre os brancos, a taxa é de 64,9%. A diferença permanece, mas caiu nos últimos anos. Em 2016, a distância entre os grupos era de 16,4 pontos percentuais. Agora, ficou em 13,6 pontos. Considerando toda a população com 25 anos ou mais, 57,4% concluíram a educação básica obrigatória.
Ao comentar os números, Camilo Santana também exaltou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou sentir orgulho da atuação da equipe responsável pelas políticas educacionais do país. “Que orgulho, presidente Lula, dessa missão que o senhor me confiou nesse mandato”, escreveu o senador.




