Quase um mês após o encerramento da quadra chuvosa de 2026, o Ceará ainda registra um cenário positivo no volume de água armazenado em seus reservatórios. Dados atualizados do Portal Hidrológico da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) apontam que 19 açudes seguem sangrando no estado.
O fenômeno ocorre quando o reservatório atinge 100% da capacidade e passa a liberar o excedente de água pelo sangradouro. A permanência das sangrias mesmo após o período chuvoso é reflexo direto do bom aporte hídrico registrado ao longo da estação.
Segundo a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), o período entre fevereiro e maio registrou 665,2 milímetros de chuva, volume 9,2% acima da média histórica. O resultado também superou o observado em 2025 e contribuiu para a recuperação dos reservatórios em diferentes regiões do estado.
Açudes sangrando no Ceará permanecem mesmo após o fim da quadra chuvosa
Os dados da Cogerh mostram que o Ceará ainda mantém 19 açudes em sangria, distribuídos por diversas regiões do estado. Entre eles está o Orós, no Centro-Sul, considerado o segundo maior reservatório cearense.
Além dos açudes que seguem vertendo água, o levantamento indica que o estado alcançou 53,82% da capacidade total de armazenamento ao fim da quadra chuvosa. O volume de aporte registrado em 2026 chegou a 6,95 bilhões de metros cúbicos, o terceiro melhor resultado da última década.
Outros 39 reservatórios seguem com volumes acima de 90% da capacidade, reforçando o cenário de recuperação hídrica em várias bacias hidrográficas.
Orós lidera entre os reservatórios em sangria no estado
O Orós, localizado no Centro-Sul do Ceará, é o principal destaque entre os açudes em sangria. Com capacidade aproximada de 1,94 bilhão de metros cúbicos, o reservatório é considerado estratégico para a segurança hídrica do estado.
Além de abastecer municípios do Interior, o açude integra o sistema hídrico que contribui para a manutenção do Rio Jaguaribe e para o abastecimento de regiões mais populosas por meio de canais e adutoras.
Segundo a Cogerh, o Orós foi o reservatório que mais recebeu aporte de água em 2026, com volume próximo de 2 bilhões de metros cúbicos. A sangria do açude é frequentemente associada a um cenário de segurança hídrica mais estável no estado.
Distribuição das sangrias concentra regiões Norte e Metropolitana de Fortaleza
A distribuição dos açudes em sangria no Ceará mostra concentração em duas regiões principais: Norte do estado e Região Metropolitana de Fortaleza.
Na bacia Metropolitana, seis reservatórios seguem vertendo água: Acarape do Meio, Accioly, Cauhipe, Germinal, Malcozinhado e Tijuquinha. O desempenho reflete o volume de chuvas registrado no litoral cearense.
Já a bacia do Coreaú reúne cinco açudes em sangria, como Diamantino II, Itaúna, Tucunduba e Várzea da Volta, influenciados pelas precipitações na Serra da Ibiapaba e no Litoral Norte.
Também há registros na bacia do Acaraú, com reservatórios como Acaraú-Mirim, Arrebita e Jenipapo. Ao todo, 50 açudes chegaram a sangrar em algum momento de 2026, embora parte já tenha retornado a níveis inferiores.
A dinâmica é considerada comum após o pico da quadra chuvosa, quando há redução gradual das chuvas e estabilização dos volumes armazenados no estado.




