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OPERAÇÃO

Quem são os 12 advogados investigados por suspeita de atuar como "pombo-correio" de facções no Ceará

Onze advogados foram presos e uma investigada segue foragida. O grupo teria usado atendimentos jurídicos para transmitir mensagens entre chefes de facções

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Quem são os 12 advogados investigados por suspeita de atuar como pombo-correio de facções no Ceará
MPCE aponta 12 advogados como suspeitos de intermediar ordens de facções criminosas. Foto: Reprodução

A Operação Mensageiros do Crime, deflagrada pelo Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), colocou 12 advogados sob investigação por suspeita de atuar como intermediários entre chefes de facções criminosas presos e integrantes das organizações em liberdade. A ofensiva foi realizada na terça-feira (30) e resultou na prisão de 11 investigados. Uma advogada, que possui domicílio em São Paulo, permanece foragida.

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Segundo o MPCE, os profissionais são suspeitos de utilizar atendimentos jurídicos para transmitir mensagens de integrantes de facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). Para os investigadores, a atuação ultrapassava o exercício regular da advocacia e permitia que lideranças presas continuassem dando ordens relacionadas às atividades criminosas.

Os 12 advogados investigados são:

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  1. Cíntia Emanuela Daniel Alves (foragida);
  2. Raissa Xavier Leitão;
  3. Agnelo Alexandre de Souza Amorim;
  4. Francisco Jair Moreira Caetano;
  5. Débora Marny de Aguiar Parente;
  6. Francisca Leny Carneiro;
  7. Aniele dos Santos Moreira;
  8. Ana Flávia Martins Braga da Silva;
  9. Carina Brauna Bruno Sales;
  10. Maria Jakelyne Albuquerque Almeida;
  11. Tancredo de Lima Araújo;
  12. Rennier Martins Vasconcelos.
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Até o momento, as defesas dos investigados não haviam se manifestado sobre as prisões e as acusações. O espaço segue aberto para posicionamentos.

Entre os alvos da operação estão ainda dois advogados que disputaram as eleições municipais de 2024. Rennier Martins Vasconcelos concorreu a uma vaga na Câmara Municipal de Caucaia pelo MDB, utilizando o nome de urna "Dr. Rennier", e ficou na suplência após receber 1.062 votos. Já Débora Marny de Aguiar Parente disputou uma cadeira na Câmara Municipal de Fortaleza pelo Agir e obteve 27 votos.

OAB Ceará acompanha operação e diz que apurará eventuais infrações éticas

A Ordem dos Advogados do Brasil – Secção Ceará (OAB-CE) informou que acompanha o cumprimento da Operação Mensageiros do Crime para garantir a observância da legalidade dos atos e o respeito às prerrogativas profissionais previstas no Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94).

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Em nota oficial, a entidade afirmou que o acompanhamento institucional não representa qualquer juízo de valor sobre os fatos investigados e ressaltou que sua atuação busca assegurar o devido processo legal, a ampla defesa e as garantias constitucionais dos investigados.

A OAB-CE também declarou que repudia qualquer tentativa de criminalização do exercício da advocacia e destacou que o eventual envolvimento de profissionais em práticas ilícitas deve ser apurado individualmente.

A entidade informou ainda que, caso seja confirmada a participação de advogados em condutas incompatíveis com a ética e a dignidade da profissão, adotará as medidas cabíveis no âmbito do Tribunal de Ética e Disciplina (TED), conforme prevê o Estatuto da Advocacia. Segundo a Ordem, os processos disciplinares tramitam sob sigilo legal e suas informações são acessíveis apenas às partes envolvidas, seus defensores e à autoridade judiciária competente.

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Por fim, a OAB-CE reafirmou seu compromisso com a ética, a legalidade, o respeito ao exercício da advocacia criminal e a defesa da sociedade, ressaltando que não compactua com qualquer prática ilícita ou conduta que comprometa a dignidade da profissão.

Como funcionava o esquema investigado pelo MPCE

De acordo com o Ministério Público, a investigação identificou uma estrutura organizada para manter a comunicação entre lideranças criminosas recolhidas na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará e integrantes das facções que permaneciam em liberdade.

A suspeita é de que os advogados investigados atuassem como "pombos-correio", repassando ordens e orientações estratégicas durante visitas realizadas aos presos. Conforme o MPCE, as mensagens tratavam de temas como reorganização das facções, expansão territorial, recrutamento de novos integrantes, aquisição de armas, tráfico de drogas e orientações destinadas a familiares e outros membros das organizações criminosas.

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Segundo os investigadores, o conteúdo analisado indica que, mesmo presos, os chefes das facções continuavam exercendo influência sobre as atividades criminosas fora do sistema penitenciário.

As apurações começaram após autorização do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE), em novembro de 2025, para a captação de imagens e áudios nos parlatórios da unidade de segurança máxima. O material obtido entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou, conforme o MPCE, um padrão recorrente de comunicação considerado incompatível com o exercício regular da advocacia, incluindo o uso de linguagem codificada.

Outro elemento destacado pela investigação é que diversos advogados investigados realizavam visitas frequentes aos mesmos detentos e faziam referências entre si durante as conversas monitoradas. Além disso, o Ministério Público afirma que parte dos investigados registrou um número elevado de atendimentos jurídicos, acima do padrão observado no Sistema Integrado de Gestão Penitenciária (SIGP).

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Operação também teve bloqueio de R$ 20 milhões e prisões de lideranças

Além dos mandados contra os advogados, a Justiça expediu ordens de prisão contra lideranças de facções criminosas. Dos 17 mandados destinados a esses investigados, 15 foram cumpridos contra detentos que já estavam recolhidos na Unidade Prisional de Segurança Máxima do Ceará. Os outros dois alvos, que estavam em liberdade, também foram presos durante a operação.

Ao todo, a Justiça expediu 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão, cumpridos em Fortaleza, Caucaia, Maracanaú, Aquiraz, Itaitinga, São Gonçalo do Amarante e também no estado de São Paulo.

Como parte das medidas judiciais, foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 20 milhões em bens e valores dos investigados. Durante o cumprimento dos mandados, os agentes também apreenderam celulares, notebooks, joias e uma Range Rover blindada que estava com um dos investigados apontados como líder de facção.

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Segundo o MPCE, o material recolhido será submetido à perícia e poderá contribuir para o avanço das investigações. A operação segue em andamento para localizar a advogada que permanece foragida e aprofundar a análise das provas obtidas.


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