A possibilidade de uma greve no transporte coletivo de Fortaleza voltou a ganhar força nesta quinta-feira (2), após motoristas e cobradores fazerem uma paralisação de duas horas no Terminal do Antônio Bezerra. Promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE), o ato ocorreu entre 9h e 11h, interrompeu a circulação interna dos ônibus e integra a campanha salarial da categoria.
Sem avanço nas negociações, os sindicatos afirmam que poderão convocar assembleias para deliberar sobre uma paralisação por tempo indeterminado.
Segundo o diretor de Formação Sindical do Sintro-CE, Flávio Braz de Sousa, o movimento foi planejado para durar duas horas. Após o encerramento da mobilização, a diretoria do sindicato se reunirá para avaliar os próximos passos da campanha. Ainda de acordo com ele, uma nova reunião interna está prevista para esta quinta-feira, enquanto as negociações com o setor patronal devem prosseguir na próxima semana.
Trabalhadores reivindicam reajuste e redução da jornada
Entre as principais demandas apresentadas pela categoria estão um aumento do valor da cesta básica de R$ 230 para R$ 260, elevação do vale-refeição para R$ 25 por dia e a redução da jornada de trabalho.
Já os representantes do transporte complementar afirmam que as negociações vêm sendo conduzidas de forma unificada com os trabalhadores do sistema regular de ônibus há aproximadamente seis meses.
Conforme os representantes do movimento sindical, a categoria defende que, além da recomposição inflacionária na remuneração, haja um ganho real de 5% nos salários. Eles argumentam que as empresas recebem subsídios mensais da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado e também foram beneficiadas pelo reajuste recente da tarifa do transporte coletivo.
Paralisação afetou funcionamento do Terminal Antônio Bezerra
Durante a mobilização, os ônibus deixaram de circular dentro do Terminal Antônio Bezerra, obrigando passageiros a embarcar e desembarcar em pontos localizados no entorno do equipamento.
A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou que a interrupção da circulação interna ocorreu em razão das atividades ligadas à campanha salarial anual dos trabalhadores.
A manifestação desta quinta-feira foi a segunda realizada pela categoria em poucos dias. Na terça-feira, uma assembleia promovida no Terminal de Messejana também alterou a operação do transporte, com embarques e desembarques acontecendo fora do terminal.
Sindiônibus critica bloqueio, mas diz que negociações avançam
Em nota, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) repudiou o bloqueio promovido por integrantes da diretoria do Sintro-CE, com apoio de representantes de outras categorias, que impediram a entrada e a saída dos ônibus utilizando veículos particulares.
A entidade informou, entretanto, que o embarque e o desembarque continuaram sendo realizados em pontos externos ao terminal para reduzir os impactos aos usuários e manter, dentro do possível, a prestação do serviço.
O sindicato patronal também afirmou que as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 permanecem em andamento e destacou que já apresentou proposta de reposição integral da inflação medida pelo INPC tanto para os salários quanto para os benefícios de alimentação.
Segundo o Sindiônibus, as tratativas registraram avanços e a entidade permanece aberta ao diálogo para buscar um acordo que concilie a valorização dos trabalhadores com a continuidade da operação do transporte coletivo.
Próximas reuniões poderão definir greve
As últimas rodadas de negociação da campanha salarial já têm datas marcadas. No dia 8 de julho, ocorrerá a reunião envolvendo o transporte coletivo urbano. Já no dia 9 de julho, será realizada, no Ministério do Trabalho, a negociação referente ao transporte complementar.
Caso não haja acordo entre trabalhadores e empresas, os sindicatos pretendem publicar editais convocando assembleias para decidir sobre a deflagração de uma greve conjunta em Fortaleza.
Enquanto as negociações seguem, trabalhadores mantêm a pressão por reajustes salariais, valorização dos benefícios e melhores condições de trabalho.




