O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Ceará (Sindiônibus) repudiou o bloqueio realizado na manhã desta quinta-feira (2) no Terminal do Antônio Bezerra, em Fortaleza, durante uma mobilização promovida por trabalhadores do transporte coletivo.
Em nota, a entidade afirmou que integrantes da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Estado do Ceará (Sintro-CE), com apoio de representantes de outras categorias, impediram a entrada e a saída de ônibus utilizando veículos particulares. Enquanto isso, os sindicatos dos trabalhadores mantêm a possibilidade de uma greve caso as negociações da campanha salarial não avancem.
Segundo o Sindiônibus, mesmo com o bloqueio, o embarque e o desembarque de passageiros continuaram sendo realizados em pontos externos ao terminal para reduzir os impactos à população e preservar, dentro do possível, a prestação do serviço essencial de transporte coletivo.
A entidade patronal destacou ainda que as negociações da Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 seguem em andamento e informou que já apresentou proposta de reposição integral da inflação acumulada pelo INPC tanto para os salários quanto para os benefícios de alimentação. Conforme o sindicato, houve avanços nas tratativas, que devem continuar ocorrendo por meio do diálogo entre representantes das empresas e dos trabalhadores.
Trabalhadores fizeram paralisação de duas horas
A mobilização organizada pelo Sintro-CE ocorreu entre 9h e 11h e interrompeu a circulação interna dos ônibus no Terminal do Antônio Bezerra. De acordo com o diretor de Formação Sindical da entidade, Flávio Braz de Sousa, a paralisação teve duração de duas horas e integra a campanha salarial da categoria.
Após o encerramento do ato, a diretoria do sindicato se reuniria para avaliar os próximos passos do movimento. Ainda segundo Flávio Braz, uma nova reunião interna está prevista para a tarde desta quinta-feira, enquanto uma nova rodada de negociações com as empresas deverá ocorrer na próxima semana.
Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão o aumento da cesta básica de R$ 230 para R$ 260, elevação do vale-refeição para R$ 25 por dia e a redução da jornada de trabalho.
Transporte complementar também participa das negociações
A campanha salarial está sendo conduzida de forma unificada entre os trabalhadores do transporte coletivo urbano e do transporte complementar.
Segundo o presidente do Sindicato dos Motoristas do Transporte Complementar de Fortaleza e Região Metropolitana, Valdênio Aguiar, as negociações ocorrem há cerca de seis meses e, até o momento, a única proposta apresentada pelas empresas prevê reajuste de 4,11%, correspondente apenas à reposição da inflação acumulada.
Conforme os representantes do movimento sindical, a categoria defende que, além da recomposição inflacionária na remuneração, haja um ganho real de 5% nos salários. Eles argumentam que as empresas recebem subsídios mensais da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Estado e também foram beneficiadas pelo reajuste recente da tarifa do transporte coletivo.
Paralisações ocorreram em diferentes pontos da cidade
A manifestação desta quinta-feira foi mais um capítulo da mobilização da categoria. Na terça-feira, motoristas e cobradores realizaram uma assembleia no Terminal de Messejana, obrigando passageiros a embarcarem e desembarcarem fora do equipamento.
A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) informou que a circulação interna de ônibus no Terminal do Antônio Bezerra foi interrompida em razão das atividades relacionadas à campanha salarial anual dos trabalhadores.
Greve poderá ser definida após novas reuniões
As próximas rodadas de negociação já estão marcadas. No dia 8 de julho, representantes do transporte coletivo urbano voltam à mesa de negociação. Já no dia 9 de julho, será realizada, no Ministério do Trabalho, a reunião envolvendo o transporte complementar.
Caso não haja acordo entre trabalhadores e empresas, os sindicatos pretendem publicar editais convocando assembleias para deliberar sobre a deflagração de uma greve conjunta no sistema de transporte coletivo de Fortaleza.




