Três meses após as primeiras denúncias sobre os transtornos no entorno do açude do Jangurussu, em Fortaleza, moradores afirmam que a situação permanece sem mudanças. Enquanto a comunidade relata a continuidade dos alagamentos e cobra uma solução definitiva, a Defesa Civil informa que não identificou risco iminente de rompimento da estrutura, mas explica que a avaliação técnica conclusiva só poderá ser realizada após o término das obras de drenagem iniciadas na região.
Em abril, a TV Cidade Fortaleza mostrou a preocupação dos moradores com a possibilidade de rompimento do açude e com os alagamentos provocados pela alteração no escoamento da água. Passado esse período, quem vive nas proximidades afirma que os problemas continuam afetando a rotina da comunidade.
A dona de casa Maria Alrilene, que também conversou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza na ocasião das primeiras denúncias, afirma que a situação se agravou nos últimos meses.
"A situação aqui está piorando a cada dia que passa, mais e mais ainda. Cada dia que passa é mais, a água chegando mais pra perto das nossas casas. A gente continua com os mesmos problemas. A gente continua com os banheiros que não descem mais nada. Nós estamos vivendo aqui uma vida aqui de desespero", afirmou Maria Alrilene.
Moradores cobram solução para os alagamentos
Os transtornos seguem fazendo parte do cotidiano da comunidade. Segundo os moradores, o acúmulo de água dificulta a circulação de pessoas e também afeta os animais que vivem na região.
A moradora Nayara Norato afirma que a população espera uma solução para um problema que se prolonga há meses.
"O que a gente espera é que alguém venha resolver aqui, porque, como vocês estão vendo aí, a dificuldade é muito grande até para os moradores passarem, para os animais, que também estão sofrendo muito dentro da água, do esgoto. E a gente espera que algo se resolva, porque já é um acordo que há muito tempo, uma batalha muito grande e nada foi resolvido ainda".
A expectativa da comunidade está concentrada na conclusão da obra de drenagem, considerada fundamental para que a situação seja solucionada e para que seja possível uma avaliação técnica definitiva da barragem.
Defesa Civil afirma que não há risco imediato de rompimento
Segundo a Defesa Civil de Fortaleza, equipes já realizaram a limpeza do espelho d'água e do entorno do açude. De acordo com o órgão, a análise preliminar realizada até o momento não apontou risco imediato de rompimento da estrutura.
O coordenador da Defesa Civil de Fortaleza, Haroldo Gondim, afirma que diferentes órgãos participam das ações na área.
"Estamos tentando resolver, junto com a Seuma, com a SEINF, com a própria construtora, com o DNOCS, com a Cogerh, com a Defesa Civil, todo mundo aqui está engajado para tentar resolver aqui e dar essa segurança para a comunidade. Mas nesse momento mesmo, não tem nada imediato, nenhum risco aqui para a comunidade", afirmou Haroldo Gondim.
Avaliação definitiva depende da conclusão das obras
A inspeção técnica completa do açude ainda não foi realizada porque depende da conclusão das obras de drenagem iniciadas na segunda quinzena de maio, com prazo previsto de 60 dias.
Segundo a Defesa Civil, a redução do volume de água permitirá que o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) faça uma análise mais detalhada da barragem.
Haroldo Gondim informou que a execução dos trabalhos enfrenta dificuldades relacionadas à desobstrução da área, o que tem impactado o andamento da obra.
"A gente está tendo um problema nesse momento de tentar ver uma desobstrução que está causando essa paralisação dessa obra. Essa drenagem vai resolver um problema histórico da Rua Recanto Verde, essa lateral, essa água que ficou acumulada, que chegou aqui nessa residência. Tanto esse alagamento, esse acúmulo de água que fica pela Recanto Verde, como também esses riscos para essas casas que ficam próximas à parede do açude serão, em tese, sanados. Mas a gente tem que aguardar finalizar a obra para poder ter essa certeza."
Enquanto aguardam a conclusão da drenagem, os moradores seguem cobrando providências para reduzir os alagamentos e garantir mais segurança no entorno do açude do Jangurussu.




