A pesquisa Real Time Big Data Ceará divulgada nesta quarta-feira (15) mostra uma disputa equilibrada entre o governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) na corrida pelo Governo do Estado em 2026. O levantamento também aponta Cid Gomes (PSB) na liderança do primeiro cenário para o Senado. Para a cientista política Carla Michele, porém, os números representam apenas um retrato do momento e ainda podem mudar ao longo da campanha eleitoral.
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 14 de julho, com 1.600 eleitores em todo o Ceará. A pesquisa tem 95% de nível de confiança e margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
Segundo a especialista, pesquisas eleitorais registram a percepção do eleitor em determinado momento e não devem ser interpretadas como uma previsão do resultado das eleições.
Pesquisa Real Time Big Data Ceará mostra disputa equilibrada para o Governo
Na modalidade espontânea, em que o eleitor responde sem receber uma lista de candidatos, Elmano de Freitas aparece com 22% das citações, enquanto Ciro Gomes registra 18%.
Na sequência aparecem:
- Eduardo Girão (Novo): 2%;
- Camilo Santana (PT): 1%;
- Outros nomes: 3%;
- Branco e nulo: 6%;
- Não sabe ou não respondeu: 48%.
Já na pesquisa estimulada, em que os entrevistados recebem uma lista de pré-candidatos, o governador registra 44%, enquanto Ciro Gomes aparece com 40%.
Os demais candidatos pontuaram da seguinte forma:
- Eduardo Girão (Novo): 7%;
- Jair Pereira (PSOL): 1%;
- Giovanni Sampaio (PRD): 1%;
- Delegado Hugo Leonardo (Missão): 1%;
- Zé Batista (PSTU): 0%;
- Brancos e nulos: 3%;
- Indecisos: 3%.
O instituto também simulou um eventual segundo turno entre Elmano e Ciro. Nesse cenário, o governador aparece com 47%, enquanto o ex-ministro registra 45%. Brancos e nulos somam 4%, mesmo percentual dos entrevistados que não souberam ou preferiram não responder.
Cenários para o Senado
A pesquisa também mediu as intenções de voto para as duas vagas ao Senado que serão disputadas em 2026.
No primeiro cenário, Cid Gomes (PSB) lidera com 26%, seguido por Capitão Wagner (União Brasil), com 22%.
Na sequência aparecem:
- Luizianne Lins (Rede): 14%;
- Alcides Fernandes (PL): 14%;
- General Theóphilo (Novo): 5%;
- Ana Karina (PSOL): 4%;
- Cândido Albuquerque (PSDB): 3%;
- Reginaldo Ferreira (PSTU): 0%;
- Brancos e nulos: 5%;
- Não sabem ou não responderam: 7%.
No cenário sem Cid Gomes, Capitão Wagner passa a liderar com 23%, seguido por:
- Júnior Mano (PSB): 17%;
- Luizianne Lins: 16%;
- Alcides Fernandes: 15%;
- Ana Karina: 6%;
- General Theóphilo: 5%;
- Cândido Albuquerque: 4%;
- Reginaldo Ferreira: 0%.
Cientista política explica como interpretar a pesquisa
Na avaliação da cientista política Carla Michele, os resultados devem ser analisados como uma fotografia do cenário atual, já que o comportamento do eleitor costuma mudar ao longo da campanha.
"É mais importante que o eleitor entenda que as pesquisas retratam um momento", afirmou.
Ela destaca que muitos eleitores definem o voto apenas nas semanas finais da campanha, comportamento conhecido na Ciência Política como procrastinação eleitoral.
Segundo a especialista, isso ajuda a explicar por que levantamentos realizados muitos meses antes da eleição podem apresentar mudanças significativas até a votação.
Diferença entre pesquisa espontânea e estimulada
Carla Michele explica que as modalidades espontânea e estimulada medem aspectos diferentes do comportamento do eleitor.
Na pesquisa espontânea, o entrevistado responde sem receber uma relação de candidatos, permitindo identificar quais nomes já estão presentes na memória do eleitorado.
Já na pesquisa estimulada, o instituto apresenta uma lista de pré-candidatos, possibilitando medir como o eleitor reage diante das opções colocadas para a disputa.
Voto útil também pode alterar o cenário
Outro fator destacado pela cientista política é o chamado voto útil.
Segundo ela, durante a campanha parte do eleitorado tende a migrar para candidatos considerados mais competitivos, o que pode modificar o cenário registrado pelos levantamentos.
Apesar disso, Carla Michele afirma que a escolha do voto deve considerar principalmente as propostas e a identificação do eleitor com os candidatos, lembrando que pesquisas eleitorais servem para medir tendências de um determinado momento e não representam um resultado definitivo das eleições de 2026.




