Moradores da terceira etapa do Conjunto Ceará, em Fortaleza, afirmam que enfrentam problemas no abastecimento de água desde a última quarta-feira (8). Segundo relatos da comunidade, imóveis localizados nas ruas 840, 834 e 836 seguem com fornecimento irregular, obrigando famílias a comprar galões de água para atividades básicas, como higiene pessoal, limpeza da casa e cuidados com pessoas doentes.
De acordo com os moradores, o problema começou após a suspensão temporária do abastecimento anunciada pela Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) para mais de 150 bairros de Fortaleza e da Região Metropolitana. Embora o serviço tenha sido restabelecido em grande parte das áreas afetadas, moradores da terceira etapa do Conjunto Ceará afirmam que o abastecimento ainda não foi normalizado.
Além da falta de água durante o dia, os moradores relatam que, quando o fornecimento retorna, ocorre apenas durante a madrugada e com pressão insuficiente para encher as caixas d'água, o que dificulta o armazenamento.
Moradores relatam gastos extras e dificuldades na rotina
Segundo a comunidade, a falta de água tem provocado impactos diretos na rotina das famílias e gerado despesas que não estavam previstas.
O morador Flávio, ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza, afirma que a água chega apenas durante a madrugada e sem força suficiente para abastecer os reservatórios das residências:
"A conta vai chegar e é um descaso que a Cagece está fazendo com o pessoal aqui do Conjunto Ceará. A água só chega nas torneiras de madrugada. E não tem como uma pessoa se acordar de madrugada para encher os baldes. E é fraco, não sobe para as caixas."
Ele também relata que moradores com familiares doentes enfrentam ainda mais dificuldades diante da falta de abastecimento.
"Tem gente, tem uma senhora aqui na rua que a mãe dela é doente. Precisa da água para fazer a higiene da mãe dela e não chega."
Sem outra alternativa, algumas famílias passaram a comprar água mineral até mesmo para o banho.
Comunidade afirma que problema é recorrente
Outro morador afirma que a falta de água atinge diferentes ruas da terceira etapa e reclama da resposta recebida após entrar em contato com a Cagece.
"Aqui a terceira etapa tá totalmente prejudicada. A gente entra em contato com a Cagece. A Cagece informa que não tem nenhuma ligação, sendo que todos os moradores do bairro aqui ligaram e reclamaram", relatou.
Ele também diz que a comunidade considera insuficientes as respostas recebidas.
Uma moradora afirma que o problema não é recente. Segundo ela, desde o ano passado a comunidade enfrenta interrupções prolongadas no abastecimento, principalmente nas ruas localizadas nas áreas conhecidas como 700 e 800 da terceira etapa.
Ela relata que, em algumas ocasiões, o fornecimento permanece interrompido por cinco, seis ou até sete dias consecutivos.
Ainda segundo a moradora, a comunidade não procura apontar responsáveis, mas cobra uma solução definitiva. Ela destaca que existem pessoas acamadas na região que dependem do abastecimento regular para os cuidados diários e lembra que os moradores mantêm o pagamento das contas em dia e esperam a prestação adequada do serviço.
Cagece informa que realiza intervenção na rede
Em nota, a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) informou que a ocorrência registrada nas ruas 840, 834 e 836 está relacionada à baixa pressão na rede de abastecimento.
Segundo a companhia, equipes técnicas já iniciaram uma intervenção para aumentar a pressão da rede e restabelecer o fornecimento de água na região. De acordo com a Cagece, o serviço consiste na realização de um injetamento na rede de abastecimento.




