A mãe da bebê Helena, de 10 meses, morta na última segunda-feira (13), em Fortaleza, afirmou que informações divulgadas nos primeiros dias da investigação sobre a relação dela com um dos homens investigados pela Polícia Civil não correspondem à realidade. Em entrevista exclusiva à TV Cidade Fortaleza, Ysabelle Rodrigues disse que o proprietário do apartamento onde a criança morreu não era seu namorado nem exercia qualquer papel na vida da filha.
O caso aconteceu em um apartamento localizado no bairro Dionísio Torres, área nobre da capital cearense, e segue sendo investigado pela Delegacia de Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa). Durante o atendimento médico, surgiram indícios de possível violência sexual, hipótese que ainda depende da conclusão dos exames realizados pela Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce).
Segundo Ysabelle, ela decidiu conceder a entrevista para esclarecer informações que passaram a circular após a morte da filha.
Mãe diz que homem investigado não era seu namorado
Durante a entrevista, Ysabelle negou que mantivesse um relacionamento amoroso com o dono do apartamento onde a família passou a madrugada da tragédia. Segundo ela, os dois estavam apenas se conhecendo.
"Ele era primo do melhor amigo de infância do meu irmão. A gente começou a conversar porque ele frequentava o bar do meu irmão. A gente estava se conhecendo, conversava pelo Instagram, mas ele não era meu namorado. Não era padrasto da minha filha e não era nada dela."
A mãe afirmou ainda que havia se separado do pai de Helena havia menos de dois meses e, por isso, considera incorretas as informações divulgadas inicialmente indicando que o investigado seria seu companheiro. "Não tinha como eu ter namorado com ninguém."
Como os investigados passaram a conviver com a família
De acordo com Ysabelle e com o irmão dela, Victor Guilherme, o proprietário do apartamento passou a frequentar o bar da família há cerca de um mês e meio ou dois meses antes da tragédia. A aproximação ocorreu por intermédio de um primo dele, amigo de infância de Victor.
O tio da bebê afirmou que chegou a visitar o apartamento anteriormente e que a amizade era recente.
"Teve contato pouco de um mês e meio, dois meses. A amizade foi acontecendo através do bar. Ele vinha aqui em casa, eu fui à casa dele. Nunca imaginei que pudesse acontecer uma tragédia dessa."
Segundo Victor, o outro homem investigado era conhecido apenas por intermédio do proprietário do imóvel.
O que aconteceu na madrugada da morte de Helena
Na entrevista, Ysabelle contou que a família passou parte do domingo reunida comemorando o aniversário do avô e de um tio. Depois da confraternização, ela voltou para casa e, posteriormente, aceitou o convite para ir ao apartamento do homem com quem estava se conhecendo.
No imóvel estavam ela, a filha Helena, o irmão, a cunhada, o proprietário do apartamento e o primo dele. O grupo jogou Banco Imobiliário antes de dormir.
Segundo a mãe, ela inicialmente ficou em um quarto com a bebê, mas decidiu mudar de ambiente depois que a criança começou a tossir por causa do ar-condicionado. Após amamentar Helena na sala, voltou para o quarto e se deitou com a filha.
Foi nesse momento que, segundo seu relato, o outro investigado entrou no quarto e se jogou sobre a cama.
"Eu disse: 'Tu vai atropelar a minha filha'. Afastei ele, coloquei ela mais para o lado e chamei o Raí para me ajudar a tirar ele dali."
Ainda conforme a mãe, o proprietário do apartamento respondeu que o homem não conseguiria se mover porque estava muito alcoolizado.
"Eu confiei que ele não ia se mexer."
Ao despertar, porém, ela encontrou a filha em outra posição.
"Quando acordei, minha filha não estava mais na mesma posição. Ela estava na vertical, com a cabeça debaixo das costas dele. Eu não sei o que aconteceu. Eu preciso de respostas."
Mãe afirma que aguarda laudo para esclarecer o caso
Ysabelle também comentou a suspeita de violência sexual levantada durante o atendimento médico.
Segundo ela, a médica explicou que havia uma lesão que precisava ser investigada, mas ressaltou que apenas os exames periciais poderiam confirmar ou descartar essa hipótese.
"Ela disse que havia uma abertura e um pouco de sangue, mas que não podia afirmar que era estupro. Só o IML poderia dizer."
A mãe afirmou que prefere aguardar a conclusão dos laudos antes de tirar qualquer conclusão.
"Eu só vou acreditar quando sair o laudo. Eu não sei o que aconteceu com a minha filha."
Polícia Civil aguarda conclusão dos laudos
A investigação permanece sob responsabilidade da Dececa. Os dois homens que estavam no apartamento durante a madrugada seguem sendo investigados pela Polícia Civil, que busca esclarecer a dinâmica dos fatos e a participação de cada um no caso.
A conclusão dos exames realizados pela Pefoce deverá indicar a causa da morte da bebê e confirmar ou descartar a hipótese de violência sexual, além de fornecer elementos que poderão orientar os próximos passos do inquérito.
Denúncias à polícia
A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.




