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AGRESSÃO

Dados do IJF revelam perfil das vítimas de violência doméstica atendidas em Fortaleza

A maioria das mulheres vitimadas, conforme a unidade hospitalar, tem entre 22 e 39 anos e apresenta lesões decorrentes de agressões físicas, perfurações por armas brancas e armas de fogo.

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Dados do IJF revelam perfil das vítimas de violência doméstica atendidas em Fortaleza
O estudo do IJF aponta que, entre 2023 e este ano, 525 mulheres foram internadas por violência doméstica, geralmente vitimadas pelo companheiro ou ex. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

A violência praticada dentro de relacionamentos continua sendo a principal causa das internações de mulheres vítimas de violência doméstica atendidas no Instituto Doutor José Frota (IJF), em Fortaleza. Um levantamento da unidade hospitalar mostra que 76% das pacientes atendidas por esse tipo de ocorrência foram agredidas por namorados, cônjuges ou ex-companheiros. Entre 2023 e este ano, 525 mulheres precisaram de internação após sofrerem diferentes formas de violência.

Os dados revelam ainda o perfil das vítimas atendidas pelo hospital. A maioria tem entre 22 e 39 anos e apresenta lesões decorrentes de agressões físicas, perfurações por armas brancas e armas de fogo. A face é a região do corpo mais atingida, segundo o levantamento do IJF.

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Por trás das estatísticas estão histórias marcadas por traumas físicos e psicológicos. Uma delas é a de Simone Mendes, que ainda convive com as consequências das agressões sofridas e afirma buscar justiça pelo caso.

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Mulher relata noite de tortura e ameaça de morte

Segundo Simone Mendes, a noite de 17 de dezembro de 2024 mudou completamente sua vida. Ela relata ter sido vítima de tortura, estupro e ameaças de morte praticadas pelo ex-marido, mesmo após o casal estar separado havia dois anos.

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"Foi aqui nesse quarto que eu passei minha noite de tortura. Hoje eu estendo roupa aqui. Porque eu não consegui no quintal onde eu ia ser enterrada na cova, onde ia ser minha cova", relatou.

A vítima contou que foi surpreendida enquanto tomava banho e descreveu os momentos de violência.

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"Eu estava sem roupa, tomando banho aqui. Ele chegou com esse brinquedo aqui, que eu passei a noite sendo torturada. Esse brinquedinho aqui. Começou a dar facada aqui. E quebrou logo a porta com o murro, porque ele é muito violento", afirmou.

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Sequelas impediram retorno ao trabalho

Embora o relacionamento tivesse terminado, Simone e o ex-companheiro continuavam morando na mesma residência. Segundo ela, o homem não aceitava o fim da relação.

As agressões deixaram sequelas no braço, na perna e na coluna, comprometendo sua capacidade de trabalhar. As máquinas de costura permanecem paradas desde então.

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"Eu dava aula de artesã, sou cuidadora. Eu era costureira. Hoje eu não posso mais exercer nenhuma dessas profissões. Devido à violência que eu sofri", disse.

Levantamento mostra perfil da violência atendida pelo IJF

O estudo do IJF aponta que, entre 2023 e este ano, 525 mulheres foram internadas por violência doméstica.

Entre os casos registrados:

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  1. 76% dos agressores eram namorados, maridos ou ex-companheiros;
  2. a maior parte das vítimas tinha entre 22 e 39 anos;
  3. as lesões mais frequentes envolveram agressões físicas e perfurações por armas brancas e armas de fogo;
  4. a face foi a região do corpo mais atingida.

O hospital informou ainda que mantém um protocolo institucional específico para esses casos. O atendimento inclui a identificação da violência, acolhimento das vítimas e encaminhamento sigiloso à rede de proteção.

Condenações recentes reforçam combate ao feminicídio

Nesta semana, dois julgamentos relacionados à violência contra a mulher tiveram desfecho na Justiça.

Matheus Anthony Lima foi condenado a 31 anos de prisão pelo feminicídio da ex-companheira, a enfermeira Clarissa Costa Gomes, assassinada em julho do ano passado, em Fortaleza. Além da pena, ele foi condenado ao pagamento de R$ 40.500 à família da vítima.

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Também nesta semana, Francisco Ricardo recebeu pena de 33 anos e 10 meses de prisão por tentativa de feminicídio e pela decepação da orelha da ex-companheira, também em Fortaleza.

Mudança na Lei Maria da Penha agiliza medidas protetivas

Desde maio deste ano, uma alteração na Lei Maria da Penha passou a determinar a execução imediata das medidas protetivas de natureza cível.

Antes da mudança, a vítima precisava iniciar uma nova etapa judicial para garantir o cumprimento da decisão. A alteração busca acelerar a proteção das mulheres e reduzir o risco de novas agressões.

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Enquanto tenta reconstruir a própria vida, Simone afirma que ainda enfrenta diariamente os efeitos psicológicos da violência sofrida.

"Eu dormi cinco horas da manhã, seis horas, com medo, pensando naquela noite. Eu quero justiça para o meu caso", declarou.

Denúncias à polícia

A população pode contribuir com investigações das forças de segurança do estado do Ceará repassando informações que auxiliem os trabalhos policiais. As informações podem ser direcionadas para o número 181, o Disque-Denúncia da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), ou para o (85) 3101-0181, que é o número de WhatsApp, pelo qual podem ser feitas denúncias via mensagem, áudio, vídeo e fotografia ou ainda via "e-denúncias", o site do serviço 181, por meio do endereço eletrônico: https://disquedenuncia181.sspds.ce.gov.br/.

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