Equipamentos desenvolvidos pela Universidade Federal do Ceará (UFC) começaram a monitorar a qualidade do ar em Fortaleza e na Região Metropolitana. A iniciativa pretende medir a concentração de gases poluentes em áreas de intenso fluxo de veículos, produzindo informações que servirão de base para pesquisas sobre saúde da população e para a elaboração de políticas públicas voltadas ao controle da poluição atmosférica.
Um dos primeiros equipamentos já está em operação na avenida Mister Hull, corredor com grande circulação de veículos na capital. O aparelho é capaz de monitorar 19 parâmetros relacionados à qualidade do ar, identificando a presença de poluentes como óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono e ozônio, substâncias associadas a impactos na saúde humana e no meio ambiente.
A coleta dos dados faz parte de um projeto desenvolvido pelo Departamento de Engenharia de Transportes da UFC, que pretende ampliar o conhecimento sobre os efeitos da poluição em regiões próximas a grandes infraestruturas de transporte.
Segundo o coordenador do Projeto Vitae, Bruno Vieira Bertoncini, conhecer os níveis desses poluentes é essencial para orientar ações futuras. Ele falou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre o assunto:
"A gente conhecer esses elementos, como está a presença desses poluentes, passa a ser importante para esse planejamento de ações, de políticas públicas, que incluem ações para a saúde humana. A OMS estima que mais ou menos 8 milhões de pessoas por ano morrem em decorrência de qualidade do ar inadequada. Por quê? Porque têm suas doenças agravadas ou até mesmo desenvolvem algum tipo de doença."
Tecnologia foi criada para ampliar o monitoramento ambiental
O sistema de monitoramento foi desenvolvido por pesquisadores da própria universidade. A montagem e a validação dos equipamentos são realizadas em laboratório antes da instalação nos pontos definidos para a pesquisa.
De acordo com o doutorando em Engenharia de Transportes Jairo Ivo, o objetivo era criar uma alternativa mais acessível aos equipamentos tradicionais utilizados para monitorar a qualidade do ar.
"A ideia surgiu a partir do professor Bruno, de um equipamento que pudesse ser portátil, de baixo custo. E fácil de ser implementado em uma cidade, por exemplo. Dado que as limitações que a gente tem no mercado, as instalações de referência são muito grandes, muito caras. E aí surgiu a ideia de desenvolver um equipamento que pudesse suprir essas necessidades e pudesse ser escalado", explicou Jairo Ivo.
Segundo os pesquisadores, o modelo portátil facilita a expansão da rede de monitoramento, permitindo sua utilização em diferentes cidades e locais estratégicos.
Pesquisa será ampliada para Fortaleza, Região Metropolitana, Goiás e Distrito Federal
Ao todo, 80 equipamentos serão instalados em Fortaleza, na Região Metropolitana, em Goiás e no Distrito Federal.
Os aparelhos serão posicionados em áreas próximas a rodovias, aeroportos e outras infraestruturas de transporte com elevada circulação de veículos e grande concentração populacional.
Além de registrar a presença de gases poluentes, o projeto também pretende avaliar como a qualidade do ar influencia a saúde das pessoas que vivem nessas regiões.
Em parceria com a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), a pesquisa acompanhará indicadores relacionados às populações residentes próximas aos pontos monitorados, buscando compreender os impactos da exposição contínua aos poluentes.
Estudo também vai analisar vulnerabilidade ambiental
Além das medições ambientais, os pesquisadores irão levantar informações sobre as características das comunidades localizadas no entorno das áreas monitoradas.
Segundo Bruno Vieira Bertoncini, o estudo pretende relacionar aspectos sociais e ambientais para compreender melhor o cenário enfrentado por essas populações.
"Os principais dados são os dados populacionais desses moradores. Tanto a quantidade de pessoas que moram em volta dessas rodovias e dessas infraestruturas de transporte quanto o perfil socioeconômico dessa população. Normalmente, são populações que já têm um perfil socioeconômico de vulnerabilidade social. E, provavelmente, elas também têm um perfil ambiental vulnerável. Então nós buscamos entender melhor qual nível de vulnerabilidade ambiental que essas populações estão enfrentando ao residir em volta dessas infraestruturas de transporte", afirmou.
O levantamento também permitirá identificar quais grupos estão mais expostos aos efeitos da poluição atmosférica e quais fatores podem contribuir para ampliar essa vulnerabilidade.
Dados servirão de base para políticas públicas
A coleta das informações será realizada durante dois anos. Nesse período, os pesquisadores acompanharão tanto os níveis de poluentes registrados pelos equipamentos quanto os indicadores relacionados às populações que vivem próximas aos locais monitorados.
Com isso, conforme esperam os pesquisadores, os resultados devem contribuir para o planejamento de políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade do ar, ao monitoramento ambiental e à promoção da saúde da população.




