Dois meses após a morte do gerente João Paulo Araújo, de 45 anos, a família da vítima continua cobrando respostas sobre o crime ocorrido no bairro Parque Santa Rosa, em Fortaleza. Os parentes contestam a hipótese inicial de latrocínio (roubo seguido de morte) e afirmam acreditar que o assassinato tenha sido planejado.
Imagens cedidas pela família mostram um homem circulando próximo à residência de João Paulo momentos antes do crime. Nas gravações, o suspeito aparece usando capacete e falando ao telefone. Os familiares acreditam que o homem registrado nas imagens possa ter relação com a morte do gerente.
O crime aconteceu no dia 29 de maio deste ano. Segundo a família, João Paulo trafegava de motocicleta pelas ruas do bairro quando teria sido abordado por criminosos durante uma suposta tentativa de assalto.
Conforme os relatos, os suspeitos efetuaram um disparo que atingiu o abdômen da vítima e fugiram sem levar a motocicleta ou outros pertences. João Paulo chegou a ser socorrido e permaneceu internado por cerca de 24 horas em um hospital particular, mas não resistiu aos ferimentos.
A investigação policial classificou inicialmente o caso como latrocínio, mas os familiares discordam dessa linha e defendem que o crime pode ter outra motivação.
Irmão afirma que vítima relatou estar sofrendo ameaças
O irmão da vítima, Romualdo Araújo, afirma que a ausência de roubo de bens levanta dúvidas sobre a hipótese de latrocínio. Segundo ele, a motocicleta permaneceu no local e João Paulo chegou a pedir ajuda após ser baleado.
“Se fosse latrocínio, teria levado roubo. Não levaram nada, a moto dele ficou no mesmo canto. Ele correu baleado pedindo socorro, então a gente quer justiça”, afirma Romualdo.
O familiar também relata que João Paulo teria comentado sobre problemas pessoais e possíveis ameaças antes de morrer. Segundo Romualdo, o irmão chegou a dizer que pretendia vender seus bens e se mudar para ficar próximo da filha.
“Ele falou para mim que estava pretendendo vender o que tinha e ir morar com a filha dele. Disse que tinha alguns problemas e que era muito complicado”, relata.
Romualdo afirma ainda que uma conversa com o irmão antes do crime reforçou sua suspeita de que a morte possa ter sido encomendada.
“Ele me pediu uma coisa: que, se acontecesse alguma coisa, era para não deixar impune. Por isso eu acredito que a morte do meu irmão foi encomendada sim”, afirma o irmão da vítima.
Filha pede respostas e questiona demora nas investigações
João Paulo era natural de Canindé, trabalhava como gerente e era pai de duas filhas. Segundo os familiares, ele era conhecido pelo comportamento tranquilo e querido por moradores da região onde vivia.
A filha da vítima, Amanda Araújo, afirma que o pai era um homem trabalhador e que não tinha envolvimento com qualquer situação que justificasse o crime.
“Meu pai não estava fazendo mal a ninguém. Ele estava voltando do trabalho, como sempre fazia todos os dias. Meu pai foi morto por pura maldade”, afirma Amanda.
Ela também questiona a possibilidade de o caso ter sido um crime cometido durante uma tentativa de roubo. Para a filha, João Paulo pode ter sido alvo de uma ação planejada.
“Eu acredito que aquilo não foi um latrocínio. Aquilo ali foi mandado, mandado por alguém”, declara.
Amanda afirma que a família tem buscado informações junto à delegacia responsável pelo caso, mas ainda não recebeu respostas consideradas suficientes.
“A gente ia na delegacia constantemente e eles não dão resposta nenhuma. A única coisa que falam é que estão investigando. Isso a gente sabe que eles estão investigando, mas a gente quer uma resposta concreta do que aconteceu”, afirma.
Família aguarda avanço do inquérito policial
Até o momento, nenhum suspeito foi preso pelo assassinato de João Paulo Araújo. A falta de informações sobre os responsáveis e a motivação do crime aumenta a angústia dos familiares.
Romualdo afirma que a família ainda aguarda documentos e informações oficiais sobre o andamento da investigação.
“Nem a cópia do inquérito foi preparada ainda. A gente quer saber verdadeiramente quem são os verdadeiros culpados pela morte do meu irmão”, afirma.
A família espera que as imagens e os novos elementos apresentados possam contribuir para esclarecer o caso e identificar os responsáveis pelo assassinato.
O crime segue sendo investigado pelas autoridades policiais, que ainda não divulgaram informações sobre suspeitos ou uma possível motivação para a morte do gerente.




