Em meio à área urbana de Fortaleza, a região da Sabiaguaba mantém uma atividade que costuma ser associada ao interior do estado. Famílias cultivam hortaliças sem o uso de agrotóxicos e retiram da agricultura familiar a principal fonte de renda.
A produção acontece em uma área onde o rio encontra o mar. As características naturais da região, como a abundância de água no subsolo, favorecem o cultivo de diferentes espécies, entre elas alface, coentro, cebolinha e cheiro-verde.
Agricultura garante sustento de famílias
Entre os produtores está Gleison Júnior, que trabalha na plantação ao lado do pai e de quatro irmãos. Segundo ele, a atividade atravessa gerações e é o sustento de todos os membros da fmaília.
"Todos nós aqui da minha família, meus irmãos, meu pai, todos nós trabalhamos com agricultura. E é através dessa agricultura que a gente tira a nossa renda e o pão de cada dia. Meu pai sempre trabalhou na agricultura, sempre trabalhou com hortaliça, aí através dele a gente foi encaminhando, né? A gente passou a seguir os passos dele", disse ele ao falar com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza.
Apesar de não possuir formação técnica em agricultura, Gleison afirma que desenvolveu os conhecimentos com a experiência adquirida ao longo dos anos.
Estrutura foi desenvolvida pelo próprio agricultor
A estufa e o sistema de hidroponia utilizados na produção foram planejados e montados pelo próprio agricultor. O objetivo foi adaptar o cultivo às condições climáticas de Fortaleza e reduzir custos na implantação da estrutura.
Gleison explica que buscou alternativas para tornar o projeto viável:
"O aprendizado vem com a vida. Você vai fazendo... No dia a dia, a gente vai desenrolando, vai montando. Aqui foi noites e noites que eu ia dormir tarde, pensando como era que isso ia dar certo, como era que eu ia fazer. Se a gente fosse comprar e fazer tudo de ferro, que é aquele material que hoje é oferecido no mercado, que é o ferro galvanizado, aí teria o custo lá pra cima. Então a gente fez com madeira, utilizou um tubo já mais barato."
Contato com o campo desperta lembranças
Mesmo trabalhando atualmente como jardineiro, Erivaldo da Silva mantém uma relação próxima com a agricultura e costuma visitar plantações de amigos na região.
Ele conta que o contato com a terra faz parte da história da família desde a infância:
"É uma coisa inesquecível, sabe? Fez parte, posso dizer, da minha infância. E aos 11 anos, mais ou menos, eu comecei a trabalhar na área de jardinagem, virando terra, né? Virando terra na enxada. E como eu estava dizendo pro irmão, no tempo que a gente era menino, o nosso pai trabalhava na área, né? E trazia o sistema para a nossa casa e nós trabalhávamos também."
Produção abastece pequenos negócios
Parte das hortaliças produzidas na Sabiaguaba é comercializada para pequenos empreendedores da capital. A empreendedora Aletusya Araújo compra alimentos cultivados por famílias da região e faz a separação dos produtos que serão destinados a restaurantes. Ela destaca as características dos alimentos produzidos na agricultura familiar:
"A qualidade das cores, a qualidade do sabor do produto, a qualidade do cheiro, do olor desses produtos são encantadores."
Segundo Aletusya, além de incentivar produtores locais, a compra direta fortalece a economia da região.
"Nós temos produtos de excelente qualidade. E nós estamos investindo na agricultura familiar, ou seja, o dinheiro fica aqui. E o preço, muitas vezes, é muito mais acessível do que aquele produto com agrotóxico vendido no supermercado, na nossa cidade."
Agricultura representa renda e continuidade para as famílias
Para Gleison Júnior, a agricultura permanece como a principal atividade econômica da família e permite manter o trabalho iniciado pelas gerações anteriores.
"A agricultura hoje é a minha vida e é a vida dos meus irmãos, da minha família. Hoje tudo que a gente tem, o transporte, tudo que a gente tem é através disso aqui, da agricultura. A gente tem que agradecer muito a Deus pela saúde e a força que ele dá e também a inteligência, para a gente ir dando sequência no caminhar."




