O Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC Dragão) recebe até 4 de outubro a exposição "Terror Celestial", mostra que reúne obras de 24 artistas LGBT+ e propõe uma reflexão sobre como o medo, historicamente associado às dissidências de gênero e sexualidade, pode ser ressignificado por meio da arte. Com curadoria de Lucas Dilacerda, a exposição integra a programação do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza.
A proposta parte da ideia de que o imaginário do terror pode ser reinterpretado como espaço de criação, resistência e cura. Ao reunir diferentes linguagens da arte contemporânea, a mostra aborda questões relacionadas à identidade, memória, espiritualidade, colonialidade e às experiências vividas pela população LGBT+.
O que propõe a exposição "Terror Celestial"
A exposição parte da reflexão de que pessoas LGBT+ foram historicamente associadas a estigmas como "monstros", "aberrações" e figuras consideradas fora dos padrões sociais. Em resposta a essa construção, os artistas utilizam elementos do terror para transformar experiências marcadas pelo preconceito em produção artística.
Segundo a curadoria, a mostra busca discutir tanto o gênero cinematográfico do terror quanto aquilo que define como "o terror do gênero", propondo novas leituras sobre medo, exclusão e pertencimento.
As três linhas curatoriais
"Terror Celestial" foi organizada em três eixos principais.
O primeiro, "Monstros e quimeras", reúne obras que exploram figuras híbridas, fantásticas e mais-que-humanas, questionando conceitos tradicionais sobre humanidade e normalidade.
Já "Espiritualidade terrena" apresenta trabalhos que dialogam com religiosidade, saberes de matriz africana, tradições populares, cosmovisões indígenas e outras formas de conexão espiritual, discutindo também as relações entre fé, acolhimento e violência histórica sofrida pela população LGBT+.
Por fim, "Terror das formas" propõe uma reflexão sobre a ruptura de padrões estéticos nas artes visuais. As obras apresentam diferentes linguagens e experimentações que desafiam convenções tradicionais da produção artística.
Exposição reúne artistas de diferentes trajetórias
A mostra reúne artistas de diferentes gerações, territórios e experiências, contemplando múltiplas identidades dentro da comunidade LGBT+.
Entre os participantes estão Antônio Breno, Bárbara Banida, Camila Albuquerque, Carnaval no Inferno, Charles Lessa, Davi Ângelo, Georgia Vitrilis, Higo José, Isadora Ravena, Jonas Van, Juno B, Luciana Magno, Maurício Coutinho, Nicolas Gondim, Pedra Silva, Sérgio Gurgel, Trojany e outros nomes da arte contemporânea brasileira.
Recursos de acessibilidade
A exposição conta com recursos voltados à acessibilidade, incluindo conteúdos em Libras, audiodescrição, prancha de comunicação alternativa e possibilidade de agendamento de visitas acompanhadas por intérprete de Libras.
Os materiais podem ser acessados por meio de QR Codes disponíveis no espaço expositivo ou com o apoio da equipe educativa do museu.
Serviço
Exposição: Terror Celestial
Local: Museu de Arte Contemporânea do Ceará (MAC Dragão), Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Período: até 4 de outubro de 2026
Funcionamento:
- Quarta a sábado: das 9h às 19h (entrada até 18h30)
- Domingos e feriados: das 10h às 19h (entrada até 18h30)




