O combate à violência contra a mulher precisa envolver toda a sociedade e não pode ser tratado como uma responsabilidade exclusiva das vítimas ou das instituições públicas. A avaliação é do secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), Roberto Sá, que defendeu uma participação mais ativa dos homens na prevenção e no enfrentamento das agressões contra mulheres. A declaração foi dada durante entrevista à TV Cidade nesta quarta-feira (5), em meio às ações do Agosto Lilás.
Segundo o secretário, a violência de gênero é resultado de uma cultura que precisa ser enfrentada coletivamente. Para ele, homens devem assumir um papel de protagonismo na mudança desse cenário, repudiando atitudes violentas e incentivando denúncias.
“Esse não é um problema das mulheres, é um problema de todos nós. Principalmente nós, homens, temos que ter a iniciativa de tomar a frente desse combate”, afirma Roberto Sá.
As declarações ocorrem em um momento em que o Ceará intensifica as ações de conscientização do Agosto Lilás, campanha nacional voltada ao enfrentamento da violência contra a mulher e ao fortalecimento da rede de proteção às vítimas.
Roberto Sá critica cultura que normaliza a violência contra a mulher
Durante a entrevista, Roberto Sá classificou como covarde a atitude de homens que agridem mulheres e afirmou que esse comportamento precisa ser combatido também por familiares, amigos, vizinhos e pela sociedade.
Segundo ele, a violência doméstica não pode ser encarada como um problema restrito ao ambiente familiar nem tratada com indiferença.
“Está na cultura covarde de um bando de frouxos que só é covarde contra as mulheres. Não fariam nada disso com outro homem”, afirma o secretário.
Ao comentar o antigo ditado popular de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, Roberto Sá defendeu uma mudança de postura da sociedade diante desse tipo de situação.
“A gente tem que tomar providência, sim. Tem que interceder. A mulher tem que estar onde ela quiser, fazendo o que ela quiser e tem que ser protegida por todos nós”, diz o secretário.
Para o gestor, romper o silêncio é uma das principais formas de impedir que episódios de violência evoluam para crimes mais graves.
Ceará registrou mais de 8,5 mil ocorrências pela Lei Maria da Penha em quatro meses
As declarações do secretário são feitas em um contexto de mobilização promovido pelo Agosto Lilás, campanha que busca conscientizar a população sobre a violência de gênero e incentivar denúncias.
Dados da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social mostram que o Ceará registrou 8.512 ocorrências enquadradas na Lei Maria da Penha entre janeiro e abril de 2026. O número representa uma média de aproximadamente 70 registros por dia.
As ocorrências envolvem diferentes formas de violência previstas na legislação, como agressões físicas, violência psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Além de estimular a denúncia, o Agosto Lilás também busca ampliar o acesso das mulheres às informações sobre os serviços disponíveis para acolhimento e proteção.
Rede de proteção foi ampliada no Ceará, afirma secretário
Durante a entrevista, Roberto Sá destacou que o Governo do Ceará ampliou a estrutura voltada ao atendimento de mulheres em situação de violência.
Segundo ele, houve expansão das Casas da Mulher Cearense, fortalecimento das Delegacias de Defesa da Mulher e ampliação da Patrulha Maria da Penha.
O secretário afirma que também foram intensificados os treinamentos das forças de segurança para que policiais estejam preparados para acolher vítimas de violência, mesmo quando o atendimento ocorre fora de unidades especializadas.
“A gente tem ampliado não só a estrutura, mas também a doutrina e o treinamento de qualquer policial para ter a sensibilidade de atender uma ocorrência como essa e dar o devido valor”, explica Roberto Sá.
Ele ressalta que a integração entre os órgãos de segurança e a rede de atendimento é fundamental para oferecer proteção às vítimas e reduzir a reincidência dos casos.
Secretário diz que resultado nos indicadores não reduz preocupação
Roberto Sá também comentou os indicadores relacionados aos feminicídios no Ceará.
Segundo ele, o Estado apresenta atualmente uma das menores taxas de feminicídio do país, mas esse cenário não diminui a preocupação das forças de segurança com o tema.
“Isso não nos conforta absolutamente em nada. Queríamos zerar isso”, afirma o secretário.
Para Roberto Sá, o combate à violência contra a mulher exige ações permanentes de prevenção, acolhimento, investigação, responsabilização dos agressores e conscientização da população.
O secretário reforçou que denúncias e intervenções de familiares, vizinhos e testemunhas podem contribuir para interromper ciclos de violência e evitar que novas agressões ocorram.




