Três vereadores de Sobral foram presos preventivamente e afastados dos cargos por 180 dias durante a Operação Omertá, deflagrada na manhã desta terça-feira (11). Os parlamentares são Carlos do Calisto (PSB), Junim do Povo (Podemos) e Mário Vicktor (União Brasil).
A operação investiga a suposta atuação de uma organização criminosa no processo eleitoral de Sobral, com suspeitas relacionadas às eleições municipais de 2024 e à preparação para o pleito de 2026. As prisões foram determinadas pela Justiça Eleitoral.
Os três vereadores tiveram o exercício dos mandatos suspenso pelo prazo inicial de 180 dias. A investigação também alcança outros agentes públicos e um advogado, apontado como suspeito de integrar a organização criminosa e de exercer funções ligadas aos núcleos de liderança e execução de ordens destinadas a interferir nas eleições.
Quem são os vereadores presos em Sobral
Os parlamentares presos na Operação Omertá são:
- Carlos do Calisto (PSB);
- Junim do Povo (Podemos);
- Mário Vicktor (União Brasil).
As autoridades apuram uma possível relação dos vereadores com integrantes de facções criminosas e uma eventual participação em ações de interferência no processo eleitoral.
O material divulgado sobre a investigação não detalha individualmente qual teria sido a conduta atribuída a cada um dos três parlamentares. Como o procedimento tramita sob segredo de Justiça, outras informações sobre a participação dos investigados não foram divulgadas.
O que investiga a Operação Omertá
A Operação Omertá foi realizada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará (FICCO/CE), pelo Ministério Público Eleitoral, por meio do Grupo Auxiliar Eleitoral (GAEL) e da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza.
A ação foi deflagrada para aprofundar as investigações sobre a possível influência de uma organização criminosa nas eleições de Sobral de 2024 e no processo eleitoral de 2026.
As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Zona Eleitoral de Fortaleza a partir de uma representação conjunta das instituições responsáveis pela apuração.
Ao todo, foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva e cinco medidas de afastamento cautelar de cargos públicos, com duração inicial de 180 dias. Conforme as informações divulgadas sobre a operação, também foram cumpridos ao menos 20 mandados de busca e apreensão.
Durante as buscas, as equipes apreenderam aparelhos celulares, dinheiro em espécie, documentos e outros materiais que podem contribuir para o avanço das investigações.
Suspeita envolve interferência nas eleições
Segundo as apurações divulgadas pelas autoridades, a organização criminosa investigada teria utilizado ameaças, coação e outras formas de pressão para interferir nas escolhas políticas em Sobral.
Uma das suspeitas é de que o grupo cobrava de candidatos uma espécie de “pedágio” para permitir o acesso a determinados bairros durante o período eleitoral. O valor citado na investigação chegaria a aproximadamente R$ 60 mil.
As autoridades também investigam uma possível tentativa de controlar a escolha política de eleitores por meio de intimidação e ameaças.
A apuração considera tanto fatos relacionados à eleição de 2024 quanto possíveis ações ligadas ao processo eleitoral de 2026.
Câmara de Sobral terá que fornecer dados de servidores
Além das prisões e das buscas, a Justiça Eleitoral determinou outras medidas durante a investigação.
A Câmara Municipal de Sobral deverá apresentar a relação completa dos ocupantes de cargos comissionados, funções de confiança e contratos temporários vinculados ao Legislativo.
O pedido do Ministério Público Eleitoral também exige informações sobre as atribuições exercidas por cada servidor, a carga horária e a existência de análise de antecedentes criminais antes ou depois das respectivas nomeações.
Outra medida cautelar estabelecida no procedimento é a proibição de contato entre investigados e testemunhas.
As providências fazem parte da apuração sobre uma possível influência da organização criminosa na estrutura política e eleitoral do município.
Quais crimes são investigados
A Operação Omertá apura suspeitas relacionadas a diferentes crimes. Entre eles estão:
- integração de organização criminosa;
- domínio social estruturado;
- extorsão;
- corrupção eleitoral;
- impedimento ou embaraço à propaganda eleitoral;
- lavagem de capitais.
Os investigados poderão responder pelos crimes caso as suspeitas sejam confirmadas e haja responsabilização pela Justiça. Até o momento, contudo, a investigação permanece em andamento e sob segredo de Justiça.
Quem participa da Operação Omertá
A operação reúne as instituições que integram a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará.
A FICCO/CE é formada pela Polícia Federal, Polícia Civil do Ceará, Polícia Militar do Ceará, Polícia Penal do Ceará e Secretaria Nacional de Políticas Penais.
Também participaram da ação o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco Norte), do Ministério Público do Ceará, e a Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco Norte), da Polícia Civil.
Os mandados foram solicitados conjuntamente pelo Ministério Público Eleitoral, por meio do GAEL e da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza, e pela FICCO.
Por que a operação recebeu o nome de Omertá
O nome da operação faz referência à “Omertá”, expressão associada ao código de silêncio da máfia italiana.
O termo é usado para designar uma regra de silêncio que impede integrantes de organizações criminosas de colaborar ou manter contato com autoridades policiais e judiciais. Na cultura relacionada ao crime organizado, a quebra desse código é tratada como uma traição ao grupo.
A escolha do nome diz respeito à suspeita de atuação estruturada da organização investigada e à possível existência de mecanismos de controle e intimidação em torno das atividades atribuídas ao grupo.




