A conscientização sobre a violência contra a mulher foi tema de uma roda de conversa realizada nesta quarta-feira (12), durante a programação do Agosto Lilás. O encontro, voltado aos colaboradores da empresa, contou com a participação da psicóloga clínica e psicóloga social do trabalho Nagle Melo, que abordou a importância de ampliar o conhecimento sobre as diferentes formas de violência e fortalecer espaços de diálogo e acolhimento.
A iniciativa faz parte de uma programação especial organizada ao longo do mês para discutir o tema e incentivar a prevenção. Além da roda de conversa, estão previstas outras atividades relacionadas à campanha, que busca levar informação aos colaboradores independentemente de cargo, área ou gênero.
Durante o encontro, Nagle destacou que falar sobre violência contra a mulher dentro de uma empresa de comunicação tem um papel que ultrapassa o ambiente profissional. Para ela, a disseminação de informação contribui para que o assunto seja compreendido e discutido de forma mais aberta pela sociedade.
“Essa importância desse momento, da gente estar aqui abordando o tema do Agosto Lilás e da prevenção, da campanha de prevenção da violência contra a mulher numa empresa de comunicação, ela se dá, primeiro, eu acredito que pela multiplicação desse conhecimento, dessa informação para as pessoas”, afirmou.
Informação ajuda a reconhecer a violência
Segundo a psicóloga, a violência contra a mulher está inserida em um contexto social e cultural que influencia a forma como as pessoas constroem suas relações. Por isso, ela defende que criar espaços permanentes de fala e escuta é uma maneira de ampliar o acesso à informação e contribuir para que o tema deixe de ser tratado como algo distante da realidade cotidiana.
Nagle explicou que a violência não deve ser compreendida apenas a partir de episódios isolados, mas como uma questão que atravessa diferentes dimensões da vida. Para ela, discutir o assunto abertamente ajuda a reconhecer situações que podem estar presentes nas relações e que, muitas vezes, não são identificadas imediatamente como violência.
“Infelizmente, a gente se dá, se consolida a nossa subjetividade nesse solo que é bastante violento e que tem a ver com o nosso processo de cultura, o nosso processo formativo enquanto sociedade”, disse.
A psicóloga ressaltou ainda que a criação desses espaços contribui para a construção de conhecimento e para a possibilidade de falar sobre situações de violência com mais naturalidade. Na avaliação dela, essa abertura é especialmente importante para que mulheres possam buscar ajuda quando necessário.
“Quanto mais a gente naturalizar esse assunto e construir esses espaços de fala e de escuta, a gente vai estar promovendo o acesso ao conhecimento, o acesso à informação e principalmente a naturalização desse assunto”, destacou.
Violência contra a mulher também impacta a saúde mental
Outro ponto abordado durante a roda de conversa foi a relação entre violência, saúde mental e ambiente de trabalho. Nagle explicou que situações de violência podem repercutir na vida profissional, afetando a forma como a pessoa desempenha suas atividades.
A psicóloga ressaltou que não é possível separar completamente a vida pessoal da profissional, já que as diferentes dimensões da existência estão relacionadas. Dessa forma, situações vivenciadas fora do trabalho também podem produzir consequências dentro das organizações.
“Isso contribui muito quando a gente tá falando também da relação com a saúde mental. Para a gente trabalhar bem quando a gente tá passando por uma situação de violência contra mulher, isso vai obviamente interferir na nossa performance no trabalho”, afirmou.
Para Nagle, compreender essa relação é importante para que empresas possam olhar para seus colaboradores de maneira integral, considerando não apenas as atividades desempenhadas no ambiente profissional, mas também as situações que podem afetar o bem-estar e a saúde mental.
“Tudo é um assunto que permeia a nossa vida pessoal, a nossa vida integral, porque não tem essa separação de vida pessoal e vida profissional”, explicou.
Ambiente de trabalho pode ser espaço de acolhimento
A criação de momentos de diálogo dentro das empresas também foi apontada pela psicóloga como uma ferramenta para fortalecer a rede de apoio às mulheres. Segundo ela, iniciativas de conscientização podem contribuir para que colaboradoras se sintam mais seguras para falar sobre situações de violência e buscar orientação.
“É fundamental e prioritário, eu acredito, estabelecer que a empresa estabeleça esses momentos para que as mulheres, principalmente, possam se sentir amparadas para poder pedir ajuda, para poder conversar”, afirmou.
A participação dos homens também foi destacada por Nagle como parte importante do processo de prevenção. Para ela, a conscientização não deve ser direcionada exclusivamente às mulheres, já que a transformação das relações passa pelo envolvimento de toda a sociedade.
Nesse sentido, a campanha também busca estimular os homens a reconhecerem seu papel na prevenção e no enfrentamento da violência contra a mulher.
“E os homens, em contrapartida, se tornarem os nossos grandes aliados. Esse é o apelo que a gente também faz nessa campanha”, declarou.
A programação do Agosto Lilás continua ao longo do mês. No dia 28 de agosto, às 14h, será realizada uma palestra educativa com Fátima Bandeira, jornalista, professora aposentada da Universidade Federal do Ceará (UFC) e atual secretária da Mulher da Prefeitura de Fortaleza.
A programação também conta com uma cartilha educativa sobre o Agosto Lilás e a Lei Maria da Penha, reunindo informações sobre as diferentes formas de violência contra a mulher, violência estrutural, feminicídio, exemplos do cotidiano e canais de denúncia e de acesso à rede de proteção.




