A deputada federal cearense Priscila Costa (PL) afirmou que pretende articular um pedido de cassação de Erika Hilton após participar de uma coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara dos Deputados, em Brasília. A parlamentar acusou a deputada do PSOL de ter proferido ofensas contra outras mulheres durante o período em que presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e disse que pretende levar a iniciativa adiante assim que chegar à capital federal.
Segundo Priscila, a articulação será uma das primeiras ações que pretende realizar no Congresso. A deputada afirmou que as declarações feitas por Erika durante os trabalhos da comissão provocaram reação entre parlamentares e outras mulheres.
“Eu e milhares de brasileiras estamos ainda entalados com cada uma das ofensas que ouvimos enquanto ela presidia a Comissão das Mulheres e isso não pode passar em branco. Vai ter cassação”, declarou Priscila Costa durante a coletiva.
A fala ocorre em meio a processos já instaurados no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara contra Erika Hilton. A tramitação, portanto, não parte apenas de uma eventual iniciativa anunciada agora por Priscila: a Câmara registra representações anteriores contra a deputada paulista, incluindo a Representação nº 8/2026, apresentada pelo Partido Missão e relacionada a uma alegação de quebra de decoro parlamentar.
Priscila Costa anuncia articulação por cassação de Erika Hilton
Durante a coletiva, Priscila retomou episódios ocorridos depois que Erika Hilton assumiu a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, em março de 2026. A parlamentar cearense criticou a forma como a deputada paulista se manifestou em debates envolvendo seus adversários políticos e outras parlamentares.
Em uma reunião da comissão realizada em 18 de março, Erika Hilton utilizou expressões como “imbecis” e “esgoto da sociedade” ao se referir a pessoas que, segundo ela, faziam ataques misóginos, transfóbicos e direcionados à sua atuação. Nas mesmas notas taquigráficas, a deputada afirmou que não se referia dessa forma às deputadas do colegiado.
O episódio passou a integrar a disputa política em torno da atuação de Erika à frente da comissão. Na ocasião, a presidência do colegiado também foi alvo de questionamentos e confrontos entre parlamentares de diferentes partidos.
A discussão ganhou dimensão institucional porque a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher é um dos espaços da Câmara destinados ao debate de políticas relacionadas aos direitos das mulheres. A condução dos trabalhos e o comportamento dos parlamentares no colegiado passaram, assim, a fazer parte do embate político entre os diferentes grupos da Casa.
Priscila afirmou que não considera que o episódio deva ser tratado apenas como uma divergência política. Para a deputada cearense, as declarações representam uma questão relacionada ao decoro parlamentar.
“Dez anos após a criação da Comissão das Mulheres, estamos lutando para que esse espaço não seja um espaço de medo [...] e nem de perseguição. Ela não nos representa”, afirmou.
Cassação de Erika Hilton é discutida após representação no Conselho de Ética
A declaração de Priscila ocorre enquanto pelo menos duas representações de 2026 contra Erika Hilton já constam no histórico do Conselho de Ética da Câmara. A Representação nº 7/2026, de autoria do Partido Novo, foi protocolada em março e encaminhada ao Conselho de Ética em abril, com alegação de quebra de decoro parlamentar.
Já a Representação nº 8/2026, apresentada pelo Partido Missão, teve tramitação mais avançada. O processo foi instaurado em 29 de abril, teve o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) escolhido como relator e recebeu parecer preliminar favorável à admissibilidade da representação. Em junho, houve leitura do parecer e pedido de vista conjunta.
O registro oficial da Câmara mostra que a Representação nº 8/2026 permanece em tramitação no Conselho de Ética. A página do colegiado lista o processo contra Erika Hilton entre as representações instauradas em 2026 e indica Cabo Gilberto Silva como relator.
É importante diferenciar, portanto, pedido de cassação de cassação efetivamente decidida. A existência de uma representação ou de um processo no Conselho de Ética não significa que o mandato parlamentar tenha sido cassado. O procedimento precisa seguir as etapas previstas no regimento da Câmara.
A eventual articulação anunciada por Priscila Costa pode ampliar a pressão política sobre o caso, mas qualquer punição depende da tramitação institucional e das decisões que forem tomadas ao longo do processo.
O que está em análise no Conselho de Ética da Câmara
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar é responsável por analisar representações que apontam possíveis violações das regras de conduta dos deputados. No caso da Representação nº 8/2026, o processo foi instaurado e o relator apresentou parecer preliminar recomendando a admissibilidade.
A própria Câmara registra que a representação foi protocolada originalmente em 16 de março e encaminhada ao Conselho de Ética em abril. Em maio, Cabo Gilberto Silva foi oficialmente designado relator. No início de junho, ele protocolou o parecer preliminar e, em 9 de junho, o documento foi lido durante reunião do colegiado.
A pauta de uma reunião do Conselho de Ética marcada para 30 de junho previa a apreciação do parecer preliminar referente à Representação nº 8/2026. O documento indicava que o relator defendia a admissibilidade da representação.
Esse histórico ajuda a contextualizar a declaração de Priscila Costa. A deputada cearense anunciou uma nova articulação política pela cassação de Erika Hilton em um momento no qual já existem procedimentos disciplinares envolvendo a parlamentar paulista.
Além disso, a Câmara registra outra representação contra Erika, a nº 7/2026, também apresentada pelo Partido Novo, igualmente relacionada a uma alegação de quebra de decoro. O processo foi encaminhado ao Conselho de Ética, onde aguardava designação de relator na atualização oficial consultada.
O cenário mostra que o confronto envolvendo Erika Hilton ultrapassou os debates políticos em plenário e chegou aos mecanismos formais de apuração da Câmara. A iniciativa anunciada por Priscila Costa acrescenta uma nova frente ao embate e coloca novamente a atuação da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher no centro da discussão.
A partir de agora, o eventual pedido articulado pela deputada cearense deverá ser analisado conforme os procedimentos da Câmara. Até o momento, o que está oficialmente registrado é a existência de representações e processos disciplinares contra Erika Hilton em tramitação no Conselho de Ética. Não há, portanto, decisão definitiva de cassação do mandato.
A disputa também evidencia a polarização em torno da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e dos debates sobre sua condução. As declarações de parlamentares de diferentes correntes políticas passaram a ser utilizadas como elementos do confronto institucional, enquanto o Conselho de Ética segue como espaço formal para a análise das acusações de quebra de decoro.
Para o público, a principal consequência é que o caso ainda está em fase de tramitação. A eventual cassação de Erika Hilton, caso seja formalmente solicitada e avance nas instâncias competentes, dependerá de novas etapas e decisões dentro da Câmara dos Deputados.




