O primeiro paciente do Ceará a receber polilaminina pelo SUS apresentou recuperação da sensação térmica nos membros inferiores três meses após receber a molécula. O resultado foi registrado durante o acompanhamento realizado no Instituto Dr. José Frota (IJF), em Fortaleza, onde os estudos sobre o tratamento avançam agora para uma segunda fase.
Nicolas Henrique sofreu uma lesão na região torácica da coluna vertebral depois de ser atingido por uma bala perdida. O trauma ocorreu no fim de 2025, quando ele voltava do trabalho para casa. Em maio deste ano, o paciente foi incluído nos estudos com polilaminina no Ceará.
A recuperação da sensibilidade trouxe uma mudança na rotina de Nicolas e também reacendeu a expectativa de recuperar os movimentos dos membros inferiores. Ele relatou à equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza o momento em que percebeu a volta da sensibilidade:
“A mãe demorou um tempo a entender o que eu tava sentindo, que tá me incomodando, o negócio do meu calcanhar. Aí ela ficou sem entender: 'como assim tá te incomodando se tu não sente?' 'Ah, mãe, mas tá incomodando.' Aí, quando ela veio raciocinar, ela só faltou pular de alegria.”
Polilaminina pelo SUS: paciente recupera sensibilidade
O tratamento com polilaminina ainda está em fase experimental. Na primeira etapa dos estudos, o objetivo foi avaliar a segurança da medicação. Agora, a pesquisa realizada no IJF passa a observar a eficácia do tratamento.
A utilização ocorre em caráter compassivo, destinada a situações em que não há outras possibilidades de tratamento disponíveis para o paciente. O procedimento não está aberto de forma geral para qualquer pessoa.
O neurocirurgião do IJF Lucas Chaves explica que a aplicação da medicação é associada a um processo intensivo de reabilitação. Ele explica quais são os próximos passos no tratamento:
“A expectativa é que haja uma progressão dessa melhora no que diz respeito à mobilidade, que haja uma melhora na mobilização dos membros, e sempre alinhado com a fisioterapia. A gente aplica a medicação de modo a induzir uma regeneração da medula e alinha o paciente ao tratamento intensivo de reabilitação.”
A evolução, no entanto, ainda está sendo acompanhada dentro dos estudos. A recuperação da sensação térmica apresentada por Nicolas não significa, neste momento, uma recuperação completa dos movimentos.
Quem pode receber a polilaminina
O tratamento possui critérios específicos para inclusão de pacientes. Entre os requisitos estão:
- ter entre 18 e 70 anos;
- apresentar ausência de mobilidade e sensibilidade dos membros;
- ter sofrido uma lesão aguda recente.
De acordo com Lucas Chaves, os primeiros resultados esperados estão relacionados à recuperação da sensibilidade.
“Os estudos mostram que a melhora inicial se dá na sensibilidade e, posteriormente, pode ocorrer uma melhora na motricidade dos membros”, explica.
A estratégia combina a aplicação da medicação com a fisioterapia e a reabilitação intensiva, acompanhando a evolução do paciente ao longo do tratamento.
Estudos avançam para avaliar eficácia do tratamento
Com a conclusão da primeira etapa voltada à segurança, os estudos entram em uma nova fase no IJF. O objetivo agora é observar os efeitos do tratamento e verificar a evolução dos pacientes.
No Ceará, três pessoas estão passando pelo tratamento. Em todo o país, são 106 pacientes atualmente incluídos.
O caso de Nicolas é acompanhado nesse contexto. A recuperação da sensação térmica nos membros inferiores três meses depois da aplicação representa uma evolução dentro do acompanhamento, mas o tratamento continua em avaliação.
Para o paciente, a mudança também trouxe uma nova perspectiva sobre a possibilidade de voltar a andar. A expectativa, porém, ainda depende da evolução do quadro e do processo de reabilitação.
A continuidade dos estudos no IJF permitirá acompanhar a evolução dos pacientes e avaliar os resultados do tratamento na segunda fase.
Polilaminina é usada em tratamento experimental no Ceará
A experiência de Nicolas ocorre em uma etapa de pesquisa que ainda busca avaliar a eficácia da polilaminina. O tratamento não é apresentado como uma terapia já consolidada ou disponível de forma ampla.
A recuperação da sensibilidade térmica observada no primeiro paciente tratado no Ceará passa a integrar o acompanhamento dos estudos, ao lado dos demais pacientes que recebem a molécula no país.




