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SOLIDARIEDADE

Autorização para doação de órgãos no IJF, em Fortaleza, chega a 82% e supera média nacional

De janeiro a julho, 118 doadores foram registrados no hospital; acolhimento às famílias é apontado como parte importante do processo

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Autorização para doação de órgãos no IJF, em Fortaleza, chega a 82% e supera média nacional
Para quem está na fila da doação, a autorização da família representa a possibilidade de uma nova etapa de vida. Foto: Reprodução / TV Cidade Fortaleza

A doação de órgãos no Instituto Dr. José Frota (IJF) alcançou 82% entre as famílias entrevistadas pelo hospital de janeiro a julho de 2026. O índice está acima da média nacional, estimada em cerca de 55%. Cada doação pode beneficiar mais de uma pessoa que aguarda por um transplante.

Para quem está na fila, a autorização representa a possibilidade de uma nova etapa de vida. Regina Ripardo conhece esse processo desde a infância: aos 6 anos, teve rubéola, doença que afetou os rins. Aos 12, começou a fazer hemodiálise e, anos depois, entrou na lista para receber um transplante.

Leia também: José Sarney recebe alta após nove dias de internação no Maranhão

Doação de órgãos no IJF chega a 82% entre famílias entrevistadas

Depois de algumas tentativas, Regina conseguiu receber um novo rim aos 26 anos. Ela voltou à hemodiálise e aguarda um segundo transplante. Regina falou com a equipe de reportagem da TV Cidade Fortaleza sobre o assunto:

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“Na época, o transplante não estava tão avançado como é hoje. Perdi muitos amigos e, por isso, eu tive medo de transplantar. Mas, com 26 anos, eu decidi entrar na lista de transplante. Depois de três meses, eu fui chamada mais ou menos umas quatro vezes e deu certo.”
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A experiência fez com que ela acompanhasse de perto a importância da doação para quem permanece esperando por um órgão.

Acolhimento ajuda famílias a decidir pela doação

A decisão ocorre em um momento de perda e precisa ser tomada dentro de um processo que envolve diferentes etapas. No IJF, o contato com os familiares começa ainda durante a investigação da morte encefálica.

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A coordenadora da equipe Hospital de Doação para Transplantes do IJF, Aline Alves, explica como esse acompanhamento é conduzido.

“É de extrema importância o contato com a família desde a suspeita da morte encefálica. Então, a partir do momento em que existe essa suspeita, nós já acolhemos a família, passamos todas as informações necessárias em relação às etapas, quais os exames serão realizados. E a partir desse contato, desse vínculo, isso faz com que a família tenha mais segurança no processo.”

A estratégia busca oferecer informações para que os parentes compreendam as etapas envolvidas antes de tomar a decisão.

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No Brasil, mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida a intenção de ser doadora, a autorização precisa ser dada pela família. Por isso, conversar sobre o assunto antes de uma situação de luto pode ajudar os parentes a conhecer a vontade do familiar.

Medo e falta de informação ainda levam famílias a recusar

Entre os motivos que podem levar à negativa está o receio de que o corpo do familiar sofra alterações. Também há casos em que os parentes desconhecem qual era a vontade da pessoa sobre a doação.

Aline Alves destaca a importância de esclarecer essas dúvidas durante o contato com a família.

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“Um dos motivos que levam as famílias a dizer não é achar que o corpo vai ficar danificado. Então passar para eles a informação de que não há uma deformidade no corpo, que eles vão poder velar o seu parente, fazer todos os rituais. E outro motivo que levam eles a dizer não é o desconhecimento, não saber o desejo do seu familiar.”

A orientação sobre o tema, portanto, não se limita ao momento em que a família precisa tomar uma decisão. A conversa ainda em vida pode permitir que a vontade do potencial doador seja conhecida pelos parentes.

118 doadores foram registrados no IJF de janeiro a julho

Os números registrados pelo IJF incluem diferentes tipos de doadores. Dos 32 registrados em julho, 13 foram doadores de múltiplos órgãos e 19 de córneas. No acumulado de janeiro a julho, foram 118 doadores.

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A autorização familiar é uma etapa necessária para que o processo avance e possibilite o atendimento de pessoas que aguardam por transplantes.

É nesse contexto que a história de Regina ganha outro significado. Enquanto realiza novamente sessões de hemodiálise e espera pelo segundo transplante, ela conhece tanto a posição de quem recebe quanto a importância da decisão tomada pela família de um possível doador.

“Eu sei que no momento da perda do ente querido, é muito difícil você pensar em alguma coisa que não seja aquela dor que está forte no seu coração. Mas, quando você diz um sim, você está permitindo que daquela dor venha a ser amenizada através do seu sim. Daquela dor você vai tirar da vida de outras pessoas.”
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Doação de órgãos depende da autorização da família

A campanha Maria Sofia, realizada pelo Grupo Cidade de Comunicação, busca conscientizar a população sobre esse gesto.

A iniciativa leva o nome da influenciadora e estudante cearense Maria Sofia, que recebeu um transplante de fígado e, após a morte, teve o desejo de doar os órgãos respeitado pela família. A decisão ajudou a salvar a vida de quatro pessoas.

Segundo Lucyara Catunda, integrante do Programa de Transplante Pulmonar do Hospital de Messejana, conversar previamente com os familiares sobre o desejo de ser doador pode facilitar todo o processo:

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"Os principais responsáveis pela liberação do órgão na doação, quando o paciente está em morte encefálica, é a família. O familiar mais próximo. Então, ele sabendo que você já é doador, facilita esse processo da doação, que então acontece de modo mais rápido e menos doloroso. Porque a gente sabe que é muito doloroso. Mas já sabendo, é importante essa conscientização e sensibilização da população."

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