Representantes do Governo Federal e da sociedade civil se reuniram em Fortaleza para discutir os possíveis efeitos do El Niño previstos para 2026 e 2027 e definir medidas de prevenção e resposta. No Ceará e em outros estados do Nordeste, a atenção está voltada principalmente para a possibilidade de aumento das temperaturas e redução das chuvas.
O encontro reuniu representantes de ministérios e órgãos públicos para avaliar as condições climáticas e planejar ações que possam ser adotadas de acordo com as características de cada região do país. A preparação considera diferentes cenários associados ao fenômeno, incluindo possíveis impactos sobre incêndios, saúde e abastecimento de alimentos.
El Niño preocupa por aumento das temperaturas e redução das chuvas
Os efeitos do El Niño não são iguais em todas as áreas do Brasil. Em meio a isso, os representantes dos órgãos destacam que há preocupações específicas para o Nordeste brasileiro:
“O El Ninho não se manifesta da mesma forma em todas as regiões do Brasil. A gente sabe que na região Sul, por exemplo, é esperado um aumento de chuvas, com possibilidade de enchentes. E na região Nordeste, por exemplo, a gente espera um aumento da temperatura e talvez uma redução das chuvas”, explicou Josué Rocha, secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Para o Nordeste, a possibilidade de um período mais seco também chama a atenção para o risco de incêndios em algumas áreas. A preparação discutida em Fortaleza envolve medidas específicas para reduzir os impactos de eventuais emergências climáticas.
Entre as ações apresentadas estão o reforço das brigadas de combate a incêndios, medidas na área da saúde e o planejamento de estoques de alimentos para situações de emergência.
Governo prepara ações contra incêndios e emergências
Uma das áreas de atenção é a região do Matopiba, que reúne áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. O cenário de possível aumento dos incêndios exige preparação das equipes responsáveis pela resposta a emergências.
A estratégia também envolve a atuação do Ministério da Saúde e das equipes de resposta rápida da Força Nacional do SUS. O planejamento inclui ainda a organização de estoques de alimentos e a programação do Programa de Aquisição de Alimentos.
“Na região Nordeste, por exemplo, na região do Matopiba, a gente tem uma chance de ter aumento de incêndios. [É importante que a gente esteja] se preparando do ponto de vista das ações do Ministério da Saúde, das equipes de resposta rápida da Força Nacional do SUS, que vai estar atuando em toda a região, ou seja, se preparando também em relação ao estoque de alimentos, à programação do Programa de Aquisição de Alimentos, que pode ser necessário no caso de desastre ou de emergência climática em alguma região”, afirmou Josué Rocha.
O planejamento, portanto, não se limita ao combate direto aos incêndios. A preparação também considera a necessidade de garantir capacidade de resposta dos serviços públicos diante de situações que possam afetar a população.
Saúde terá monitoramento dos efeitos do clima
A preparação para os possíveis impactos do El Niño também inclui o acompanhamento das condições meteorológicas e de seus efeitos sobre a saúde. Um centro de monitoramento acompanha as condições climáticas em tempo real e pode fornecer informações para orientar a atuação dos serviços de saúde no Ceará e nos demais estados da região.
O monitoramento permite acompanhar os efeitos das condições climáticas sobre a saúde e subsidiar a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) e das equipes de resposta.
“Esses profissionais ficam acompanhando em tempo real os efeitos climáticos sobre a saúde e podem subsidiar a atuação do SUS, da força do SUS aqui no estado e nos estados da região a partir desse monitoramento”, disse o secretário-executivo da Secretaria-Geral da Presidência da República.
A proposta é que as informações obtidas pelo acompanhamento das condições meteorológicas contribuam para a preparação dos serviços diante de eventuais impactos relacionados ao clima.
O que é o El Niño e quais são seus efeitos?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento acima do normal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aumento da temperatura interfere na circulação dos ventos e na distribuição de calor e umidade na atmosfera, provocando mudanças nos padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta.
Os efeitos do fenômeno variam de acordo com sua intensidade e duração. No Brasil, o El Niño costuma estar associado ao aumento das chuvas na Região Sul e à redução das precipitações em áreas do Norte e do Nordeste. Também pode favorecer períodos de temperaturas mais elevadas em diferentes partes do país.
O fenômeno ocorre de forma irregular, em intervalos de alguns anos, e pode permanecer ativo por vários meses. Embora esteja relacionado ao aquecimento das águas do Pacífico Equatorial, seus efeitos podem alcançar regiões distantes por causa das alterações na circulação atmosférica.
No Nordeste, a combinação entre temperaturas mais altas, possibilidade de redução das chuvas e períodos mais secos coloca em evidência a necessidade de planejamento dos serviços públicos. Em Fortaleza, o encontro reuniu representantes do Governo Federal e da sociedade civil justamente para discutir medidas de prevenção e resposta aos possíveis impactos do El Niño em diferentes áreas.
Pecuaristas reforçam estoque de alimento para enfrentar estiagem
A previsão de temperaturas mais elevadas e redução das chuvas provocadas pelo fenômeno El Niño tem levado pecuaristas do Ceará a reforçarem o armazenamento de alimento para o gado. Além da formação de reservas de forragem, produtores e órgãos ligados ao setor agropecuário acompanham a situação dos mananciais e das bacias hidrográficas diante da possibilidade de um cenário climático mais seco no fim deste ano e no início do próximo.
As previsões da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam que o El Niño poderá provocar temperaturas mais altas e diminuição das precipitações no estado. O cenário preocupa principalmente quem depende das chuvas para a produção agrícola, embora agricultores que utilizam irrigação e outras tecnologias tenham maior capacidade de reduzir os impactos da estiagem.




