Um prédio intacto em meio à enchente no Nepal chamou a atenção nas redes sociais após um vídeo mostrar uma construção azul de dois andares cercada por uma forte correnteza de água e lama. Enquanto a enxurrada avançava pela região, algumas pessoas permaneceram na parte superior do imóvel.
As imagens registram uma enchente repentina acompanhada por deslizamentos de terra. Uma família aparece sobre a construção durante a passagem da correnteza e, de acordo com relatos sobre o episódio, conseguiu permanecer em segurança no local.
A gravação passou a circular acompanhada de uma narrativa que acrescentava elementos religiosos ao episódio. Uma das publicações afirma que a residência pertenceria a um pastor e relaciona a preservação do imóvel a uma passagem da Bíblia.
Não há, porém, registro ou relatório oficial que confirme que a casa seja de um pastor. Também não há confirmação de que as demais residências da região tenham sido destruídas, como afirmam algumas publicações que compartilharam o vídeo.
Prédio permanece intacto em meio à enchente no Nepal
O episódio mostrado nas imagens ocorreu durante uma enchente relâmpago e um deslizamento de terra no Nepal. Veículos de imprensa internacionais, entre eles o portal indiano NDTV, o jornal India Today e o site Inilah Koran, divulgaram informações sobre a ocorrência e o momento em que a enxurrada de lama passou ao redor do imóvel.
As imagens mostram a força da água e dos detritos que avançaram pelo local. A construção azul permanece de pé enquanto a correnteza passa pelas proximidades, com pessoas abrigadas na parte superior.
O Nepal é um país de maioria hinduísta e budista, enquanto o cristianismo representa uma parcela minoritária da população. Por isso, a associação feita nas redes sociais entre a casa e um pastor não encontra confirmação nas informações disponíveis sobre o caso.
O que aconteceu durante a enchente no Nepal
A tragédia atingiu uma área de fronteira entre o Nepal e a China após o colapso de uma geleira. O fenômeno desencadeou uma grande enxurrada formada por rochas, gelo, lama e outros detritos, que avançaram rapidamente pelos sistemas fluviais das regiões montanhosas.
A força da água provocou a destruição de edifícios, pontes e usinas de energia. O desastre ocorreu na quarta-feira (26) e deixou centenas de mortos nos dois lados da fronteira.
No início da tarde deste sábado (29), as autoridades nepalesas informaram que pelo menos 675 pessoas haviam morrido. A China confirmou outras sete mortes, elevando o total para mais de 680 vítimas.
Cerca de 3 mil pessoas permanecem desaparecidas na região. Entre elas estão pelo menos 540 estrangeiros, muitos dos quais são peregrinos hindus vindos da Índia.
Nepal precisa de assistência técnica
Diante dos danos provocados pela inundação, o governo do Nepal informou que necessita de apoio técnico estrangeiro para algumas etapas das operações e da reconstrução. O país havia recusado anteriormente ajuda para as ações de busca e resgate, afirmando que conduzia os trabalhos por conta própria.
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, explicou que o pedido de apoio não se concentra diretamente nas operações de busca e resgate, mas em atividades para as quais o país não dispõe de estrutura ou conhecimento técnico suficiente.
Entre as necessidades estão o resgate de pessoas presas em túneis, a recuperação de vias de transporte e comunicação, a identificação de corpos, a realização de testes de DNA e o armazenamento de corpos por períodos mais longos.
"Já solicitamos esses serviços especializados e assistência técnica para áreas onde não dispomos de experiência e conhecimento técnico suficientes", afirmou Khanal à Reuters.
A dimensão dos estragos também deverá exigir recursos para a reconstrução. O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, estimou à Reuters que o país poderá precisar de US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões, valor equivalente a cerca de R$ 20 bilhões a R$ 25 bilhões, para recuperar as áreas destruídas.
Wagle ressaltou que a estimativa ainda pode mudar porque os danos continuam sendo avaliados.
Índia e China enviam apoio
A Índia também iniciou o envio de ajuda humanitária ao Nepal. Nova Délhi encaminhou três voos com aproximadamente 60 toneladas de suprimentos, incluindo cobertores, medicamentos, alimentos e pastilhas utilizadas para purificação de água.
O país também planeja enviar uma equipe especializada em resgates em túneis e uma equipe médica. Além disso, ofereceu recursos de sua força de resposta a desastres, pontes pré-fabricadas e equipes técnicas para auxiliar na recuperação das vias de acesso, segundo o Ministério das Relações Exteriores.
A China, por sua vez, pediu o envio de ajuda emergencial às áreas nepalesas atingidas e defendeu a cooperação internacional nas operações de resgate.
Autoridades chinesas também trabalham para localizar mais de 500 pessoas que continuam desaparecidas após a inundação. Na sexta-feira (28), equipes de resgate chegaram ao complexo de fronteira de Gyirong, apontado como a área mais atingida.
Com as estradas destruídas pela força das enxurradas, os socorristas precisaram utilizar cordas para atravessar regiões de floresta e penhascos.




