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ESCÂNDALO FINANCEIRO

Vorcaro afirma que doações para Tarcísio e Bolsonaro em 2022 foram propina

Em proposta de delação, ex-banqueiro do Banco Master disse que R$ 5 milhões destinados às campanhas teriam sido negociados como pagamento indevido; PF e PGR rejeitaram a delação

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Vorcaro afirma que doações para Tarcísio e Bolsonaro em 2022 foram propina
Banco do Nordeste anuncia R$ 60,9 bilhões para financiar economia do Nordeste em 2027. Foto: Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master, afirmou em uma proposta de delação premiada que as doações feitas em 2022 para as campanhas de Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro teriam sido, na verdade, uma negociação de propina. O relato envolve um total de R$ 5 milhões, sendo R$ 2 milhões destinados à campanha de Tarcísio e R$ 3 milhões à de Bolsonaro.

As informações foram reveladas pelo UOL nesta quinta-feira (3) e constam de uma tentativa de delação apresentada por Vorcaro. A proposta, no entanto, foi rejeitada pela Polícia Federal (PF) e pela Procuradoria-Geral da República (PGR).

Naquele ano, o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado na Operação Compliance Zero, foi o maior doador dos dois políticos.

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Segundo o relato apresentado pelo ex-banqueiro, a suposta negociação estaria relacionada ao interesse de integrantes do Banco Master em garantir a continuidade da expansão do Credcesta, apontado como um dos principais ativos da instituição.

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O que Vorcaro afirmou sobre as doações para Tarcísio e Bolsonaro

Na versão apresentada por Vorcaro, a articulação teria ocorrido em meio ao interesse de integrantes ligados ao Banco Master em manter a expansão do Credcesta, apontado como um dos principais ativos da instituição.

O ex-banqueiro afirmou que, diante da possibilidade de vitória de Tarcísio de Freitas na eleição para o governo paulista, o sócio do banco Augusto Lima teria buscado garantir a continuidade dos negócios relacionados ao produto junto ao governo de São Paulo.

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Segundo o relato, a ideia inicial seria realizar o pagamento integralmente em dinheiro. Ainda de acordo com a proposta de delação, interlocutores de Gilberto Kassab, então dirigente político ligado à campanha e ao grupo responsável pela articulação, teriam informado que havia a necessidade de cumprir compromissos com partidos aliados e levantar recursos por meio de doações oficiais.

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A mudança na forma de pagamento teria resultado nas doações registradas oficialmente nas campanhas.

Vorcaro afirmou que os recursos destinados às campanhas, embora formalizados como doações eleitorais, teriam origem em uma negociação que ele classificou como indevida.

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Como teria funcionado a negociação envolvendo as doações

O relato apresentado pelo ex-banqueiro coloca o Credcesta no centro da suposta negociação.

O produto é um cartão voltado a operações consignadas e estava relacionado à expansão dos negócios do Banco Master. Na proposta de delação, Vorcaro associou a tentativa de garantir a continuidade do negócio em São Paulo à articulação política que teria antecedido as doações de 2022.

Segundo a versão apresentada por ele, Augusto Lima teria sido responsável pelas tratativas relacionadas à expansão do Credcesta.

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A acusação, entretanto, é contestada pelos envolvidos. Kassab negou ter tratado de doações com Lima ou Vorcaro e afirmou que nunca recebeu valores em espécie ou manteve relação pessoal com o ex-banqueiro.

A defesa de Lima também rejeitou o conteúdo atribuído a Vorcaro.

Delação de Daniel Vorcaro foi rejeitada pela PF e pela PGR

A proposta de delação de Vorcaro foi recusada pela terceira vez, conforme as informações divulgadas sobre o caso. Entre as justificativas apresentadas estaria a avaliação de que não havia fatos novos suficientes para justificar a aceitação do acordo.

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No fim de agosto, Vorcaro pediu para prestar depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, relator da Operação Compliance Zero no Supremo Tribunal Federal (STF).

O depoimento ocorreu em 27 de agosto, na penitenciária da Papudinha. A oitiva foi conduzida por João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, e acompanhada por dois advogados de Vorcaro, Daniel Bialski e Engels Muniz, além de um integrante do Ministério Público.

A existência do depoimento não significa que as acusações apresentadas pelo ex-banqueiro tenham sido validadas pelas autoridades. A própria rejeição da proposta de delação reforça que os relatos ainda precisam ser analisados dentro do contexto das investigações.

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O que dizem Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab

Gilberto Kassab negou categoricamente as acusações. Em manifestação divulgada sobre o caso, afirmou que o relato de Vorcaro não corresponde à realidade e negou ter tratado de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro.

Kassab também declarou que conhece Lima e Thiago Botelho, mas afirmou que nunca discutiu com eles assuntos relacionados ao Credcesta. Ele negou ainda ter recebido doações ou valores em espécie de Vorcaro, Lima ou Botelho.

Já a assessoria de Tarcísio de Freitas destacou que a campanha de 2022 teve mais de 600 doadores e afirmou que a prestação de contas foi apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.

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A equipe do governador também declarou que Tarcísio não tinha vínculo com o doador mencionado e que não tinha conhecimento de eventuais condutas atribuídas a pessoas externas à campanha.

A manifestação ainda abordou especificamente a empresa PKL One Participações S.A., responsável pelo Credcesta. Segundo a assessoria de Tarcísio, o credenciamento da empresa como consignatária ocorreu em maio de 2022, durante a gestão anterior.

A defesa argumentou que esse credenciamento não equivale a um contrato com o governo estadual nem envolve repasse de recursos públicos. De acordo com a explicação apresentada, trata-se de uma habilitação para que servidores possam escolher instituições autorizadas para realizar operações consignadas.

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Defesa de Augusto Lima classifica informações como absurdas

A defesa de Augusto Lima, citado na proposta de delação como responsável por articulações relacionadas ao Credcesta, afirmou que não comentaria as informações apresentadas por Vorcaro.

Os advogados classificaram os relatos como “absurdos”.

Com as negativas dos envolvidos e a rejeição da proposta de delação, as afirmações atribuídas a Vorcaro permanecem no âmbito dos relatos apresentados por ele às autoridades. Eventuais desdobramentos dependerão da análise das informações e de outros elementos que possam integrar as investigações sobre o Banco Master e a Operação Compliance Zero.

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