O candidato ao Senado pelo Novo, General Guilherme Theophilo, falou, nesta terça-feira (8), sobre o que pensa sobre o porte de armas para a população. Durante a primeira sabatina das Eleições 2026 realizada pelo Jornal da Cidade, da TV Cidade, em Fortaleza, o candidato diferenciou a autorização para portar uma arma da possibilidade de manter uma arma em uma propriedade e defendeu o porte para pessoas que, segundo ele, tenham necessidade, treinamento e condições de lidar com o armamento.
A declaração ocorreu após o candidato ser questionado sobre posicionamentos manifestados por ele em 2018. Naquele período, segundo o questionamento feito durante a entrevista, Theophilo havia se declarado contrário à liberalização do porte de armas e também afirmado ser contra a ampliação da possibilidade de compra de armamentos.
Ao responder, o candidato reconheceu que sua compreensão sobre o tema mudou. Ele explicou que a posição anterior estava relacionada principalmente ao porte por pessoas que não tivessem uma função de segurança ou os requisitos necessários para utilizar uma arma.
Theophilo afirmou que sempre foi favorável à posse de armas em determinadas situações, citando como exemplo proprietários rurais que precisem proteger suas propriedades. Para ele, entretanto, o porte deve estar associado à preparação e à responsabilidade do cidadão.
General Theophilo defende porte para pessoas treinadas
Na sabatina, General Theophilo mencionou sua experiência no Exército Brasileiro para explicar a posição atual. Ele citou uma portaria relacionada ao transporte e ao porte de armas por colecionadores, atiradores e caçadores, conhecidos pela sigla CAC.
Segundo o candidato, a possibilidade de transportar a arma separadamente da munição poderia deixar frequentadores de clubes de tiro mais vulneráveis, uma vez que criminosos poderiam identificar pessoas que entram ou saem desses locais.
A partir desse argumento, Theophilo defendeu que o porte seja permitido a quem passe por avaliação psicológica, treinamento e demais procedimentos necessários para demonstrar preparo para lidar com uma arma de fogo.
A posição apresentada pelo candidato não foi de defesa de uma liberação irrestrita. Ao contrário, ele condicionou o porte à existência de requisitos e à capacidade de compreender os riscos associados ao uso de armamentos.
Esse ponto foi central na discussão porque o questionamento seguinte levou a sabatina para uma questão diretamente relacionada à segurança pública: a possibilidade de armas adquiridas legalmente chegarem às mãos de organizações criminosas.
Candidato é questionado sobre armas de CACs que chegam ao crime
O jornalista responsável pela sabatina citou dados oficiais relacionados ao Ceará e questionou Theophilo sobre a segurança de ampliar o acesso às armas diante de casos envolvendo CACs investigados ou presos sob suspeita de fornecer armamentos para o crime organizado.
A pergunta colocou em evidência um dos principais desafios do debate sobre armas no país: como conciliar o direito de determinados cidadãos ao acesso e ao porte de armamentos com mecanismos capazes de impedir desvios para grupos criminosos.
Em resposta, Theophilo reconheceu que pessoas que participam de uma categoria legalizada também podem cometer irregularidades. Para ilustrar o argumento, afirmou que existem pessoas que, mesmo dentro de instituições estruturadas, podem agir de maneira incompatível com as regras.
O candidato utilizou a expressão “laranjas podres” para se referir a indivíduos que, mesmo inseridos em determinados grupos ou instituições, podem praticar condutas ilícitas.
A resposta mantém a defesa de uma política de acesso condicionado às armas. Na visão apresentada durante a sabatina, o comportamento irregular de indivíduos não deveria, por si só, eliminar a possibilidade de porte para aqueles que cumpram requisitos de preparo e necessidade.
Debate sobre armas ganha espaço nas Eleições 2026
A discussão sobre porte e posse de armas aparece em um contexto no qual segurança pública é um dos temas de maior interesse do eleitorado. Para uma candidatura ao Senado, o assunto também tem dimensão legislativa, já que o Congresso Nacional participa da formulação e da alteração das regras que disciplinam armas de fogo no país.
No caso de Theophilo, a entrevista teve ainda um componente importante: a explicação sobre a mudança de entendimento em relação ao que defendia anteriormente.
A diferença entre os posicionamentos de 2018 e o apresentado em 2026 foi explicitamente colocada durante a sabatina. Em vez de negar a alteração, o candidato afirmou que sua opinião foi modificada e procurou estabelecer uma distinção entre o acesso à arma, a posse e o porte.
A posse está relacionada à possibilidade de manter a arma em determinados locais autorizados, enquanto o porte envolve a autorização para transportar a arma consigo fora desses ambientes, conforme as regras estabelecidas pela legislação. Essa diferenciação foi utilizada por Theophilo para explicar por que considera legítima a arma mantida por um proprietário rural e, ao mesmo tempo, defende critérios específicos para quem pretende portar um armamento.
O tema também evidencia uma questão recorrente no debate público: quais critérios devem ser considerados suficientes para permitir que uma pessoa carregue uma arma e como fiscalizar o cumprimento dessas exigências.
Sabatinas fazem parte da cobertura das Eleições 2026
A entrevista com General Guilherme Theophilo abriu a série de sabatinas dos candidatos ao Senado no Jornal da Cidade, da TV Cidade. A iniciativa integra a cobertura multiplataforma das Eleições 2026 realizada pelo Grupo Cidade de Comunicação.
Além da televisão, os candidatos participam do Café com Verdade – Eleições, programa apresentado pelo jornalista Tiago Lima. A proposta amplia o espaço destinado à apresentação das propostas e ao questionamento dos candidatos em diferentes plataformas de comunicação.
As sabatinas televisivas são realizadas dentro do Jornal da Cidade. Com o início do período de propaganda eleitoral, o telejornal passa excepcionalmente a começar às 19h05 para acomodar a programação especial.
A participação de Theophilo colocou o debate sobre armas no centro da primeira entrevista da série. A mudança de posição declarada pelo candidato e sua defesa de critérios para o porte devem permanecer entre os principais pontos de sua apresentação ao eleitorado durante a campanha.
Para além da questão individual do candidato, o debate apresentado na sabatina envolve uma escolha política mais ampla: de que maneira o Estado deve regulamentar o acesso às armas, quais grupos podem portar armamentos e quais mecanismos de controle devem ser utilizados para evitar que equipamentos adquiridos legalmente sejam desviados para atividades criminosas.
Esse confronto entre liberdade individual, responsabilidade, fiscalização e segurança pública deverá continuar presente no debate eleitoral à medida que os candidatos ao Senado apresentarem suas propostas para a área de segurança e para a legislação nacional sobre armas.




