A mãe de Herbert Douglas Oliveira da Silva, de 23 anos, fez um apelo por justiça após o filho morrer vítima de um linchamento durante uma festa em Iguatu, no Centro-Sul do Ceará. Natural de Rondônia, o jovem havia se mudado para o município cearense havia cerca de três meses e fazia planos de permanecer no Estado.
Em um vídeo publicado nas redes sociais, a mãe fala sobre a dor de receber o filho de volta para casa dentro de um caixão e relembra a trajetória de Herbert. Abalada, ela também pede que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
“Eu preciso que tenha justiça”, afirma a mãe. Em outro momento do desabafo, ela reforça a preocupação de que uma violência semelhante volte a acontecer: “O que fizeram com ele não pode fazer com outras pessoas”.
A morte ocorreu na madrugada de domingo (6), durante a ExpoIguatu, realizada no Parque de Exposições de Iguatu. Herbert estava acompanhado de amigos quando se envolveu em uma briga com outros homens. A confusão se espalhou e vídeos registrados por testemunhas mostram o jovem sendo agredido por diferentes pessoas.
Herbert ficou gravemente ferido e foi levado para o Hospital Regional de Iguatu, mas não resistiu. O laudo pericial apontou hemorragia encefálica traumática e asfixia associada a estrangulamento, além de outras lesões provocadas pelas agressões.
Mãe de Herbert relata dor e pede justiça
Ao falar sobre o filho, a mãe o descreve como um homem trabalhador, querido e conhecido na cidade onde vivia em Rondônia. Ela também lembra que Herbert havia servido no Exército Brasileiro.
“O meu filho era um filho trabalhador, querido. Foi um sargento exemplar, muito conhecido na cidade, todo mundo gosta dele”, afirma a mãe.
A mulher conta ainda que havia enviado o filho ao Ceará para visitar familiares. O que seria uma viagem para rever parentes terminou com a morte do jovem.
“Eu mandei meu filho visitar a família dele no Ceará, Jesus, e agora eu vou pegar meu filho no caixão”, desabafa.
Em outro trecho, ela afirma que Herbert era obediente e que a família não esperava enfrentar uma perda tão violenta.
“Ele vai voltar dentro do caixão pra minha casa, Senhor”, diz a mãe.
O desabafo é marcado por pedidos para que a investigação avance e para que outras famílias não passem pela mesma situação. “Eu não desejo pra ninguém o que eu tô sentindo”, afirma.
O que aconteceu durante a festa em Iguatu
Segundo as informações apuradas sobre o caso, Herbert estava com amigos na ExpoIguatu quando começou uma briga com outros homens. Uma equipe de segurança e apoio foi acionada para intervir na confusão.
Imagens feitas por pessoas que estavam no local registraram diferentes momentos das agressões. Os vídeos passaram a ser analisados pelas autoridades para ajudar a esclarecer o que ocorreu e identificar a participação de cada pessoa envolvida.
O caso é tratado como linchamento diante da sequência de agressões sofridas pelo jovem durante a confusão. A investigação, no entanto, ainda busca esclarecer individualmente a conduta dos envolvidos.
Após ser ferido, Herbert foi socorrido e encaminhado ao Hospital Regional de Iguatu. Ele não resistiu à gravidade dos ferimentos.
Três homens foram presos após a morte
Logo após o caso, três homens, de 21, 25 e 28 anos, foram presos em flagrante sob suspeita de envolvimento na morte de Herbert. Eles foram conduzidos pela Polícia Militar do Ceará à Delegacia de Polícia Civil de Iguatu e ficaram inicialmente à disposição da Justiça.
A situação dos três investigados teve desdobramentos diferentes na Justiça. Um deles teve a prisão preventiva decretada, enquanto os outros dois receberam liberdade provisória com medidas cautelares. Conforme a decisão, as imagens analisadas até o momento não indicariam participação ativa dos dois liberados na fase final das agressões.
Entre as medidas determinadas para os dois investigados estão restrições relacionadas à frequência em bares, festas e estabelecimentos semelhantes, além de limitações para deixar o município e de contato com testemunhas.
A Polícia Civil continua investigando as circunstâncias da morte e a participação de cada envolvido. As imagens registradas durante o evento devem contribuir para a reconstrução da sequência de acontecimentos.
Quem era Herbert Douglas
Herbert Douglas Oliveira da Silva tinha 23 anos e era natural de Rondônia. Ele havia deixado o Estado e estava morando em Iguatu havia aproximadamente três meses, na casa de uma tia.
De acordo com familiares, o jovem havia servido como sargento do Exército Brasileiro, mas deixou a corporação alguns meses antes da morte. A intenção era construir uma nova vida no Ceará.
Herbert pretendia retornar a Rondônia para organizar e vender bens que mantinha no Estado e, depois, voltar definitivamente para o Ceará. Entre os planos estava a preparação para fazer o concurso da Polícia Militar do Ceará.
A tia com quem ele morava também relatou que o jovem era uma pessoa tranquila e que não fazia mal a ninguém. A família agora aguarda o traslado do corpo para Rondônia.
Organização da festa deve colaborar com investigação
O Rotary Club de Iguatu, responsável pela organização do evento, informou que acompanha a investigação e se colocou à disposição das autoridades para contribuir com o esclarecimento do caso. A entidade também informou que deve arcar com o traslado do corpo de Herbert para Rondônia.
A Prefeitura de Iguatu também se manifestou após a morte. O município informou que o evento era privado, organizado pelo Rotary Club de Iguatu com participação de empresas de produção e que havia segurança privada no local. A administração municipal afirmou ainda que acompanha as investigações.
A apuração deverá esclarecer não apenas como começou a briga, mas também quem participou das agressões que deixaram Herbert gravemente ferido. As imagens feitas durante a festa são consideradas importantes para identificar a atuação de cada pessoa.
Enquanto o caso é investigado, a família aguarda a chegada do corpo a Rondônia. Para a mãe, a espera é marcada pela dor da perda e pela cobrança para que o episódio não fique sem responsabilização.
“Que não aconteça mais o que aconteceu com o meu filho, com outras mães não sentirem o que eu tô sentindo”, afirma.
A investigação continua sob responsabilidade da Polícia Civil, que deve analisar os registros feitos durante o evento e os demais elementos reunidos no caso.




