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HISTÓRIAS QUE INSPIRAM

Mãe e filho enfrentam doença renal, passam pela hemodiálise e ganham novo recomeço após transplantes

Juliana passou oito anos na hemodiálise e descobriu a doença renal no filho quando ele tinha três anos; hoje, os dois vivem graças à doação de órgãos.

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Mãe e filho enfrentam doença renal, passam pela hemodiálise e ganham novo recomeço após transplantes
Após anos de hemodiálise, mãe e filho têm novas histórias para contar graças a transplantes. Foto: TV CIdade Fortaleza

A história de Juliana Andrade e do filho Arthur é marcada por anos de convivência com a doença renal, períodos de hemodiálise e a espera por um transplante. Hoje, porém, mãe e filho vivem uma nova fase graças à doação de órgãos feita por duas famílias. Aos poucos, a rotina que antes era marcada por máquinas, tratamentos e incertezas dá lugar a momentos simples do cotidiano e à expectativa de um futuro mais saudável para os dois.

Juliana convive com a doença renal desde os três anos de idade. Aos 30, precisou iniciar a hemodiálise e permaneceu por oito anos dependente do tratamento. Quando começava a se preparar para entrar na fila de transplante, recebeu uma notícia que mudaria novamente sua rotina: estava grávida.

A gestação trouxe novos desafios. O filho nasceu prematuro e precisou permanecer por um mês e 20 dias na UTI neonatal. Enquanto acompanhava a recuperação do bebê, Juliana continuava precisando realizar a hemodiálise.

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“Meu bebê nasceu prematuro, ficou um mês e vinte dias na UTI neonatal. Então eu tinha que conciliar a hemodiálise e as visitas dele todos os dias”, conta Juliana.

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Além da dificuldade de acompanhar o filho hospitalizado enquanto fazia o próprio tratamento, a situação também interferiu no processo para o transplante. Ela precisaria aguardar seis meses após o parto para poder retornar à fila.

Juliana convive com doença renal desde a infância

A relação de Juliana com a doença renal começou ainda na infância e acompanhou diferentes fases de sua vida. Na idade adulta, a necessidade da hemodiálise passou a fazer parte da rotina, com sessões que se estenderam por anos.

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A chegada de Arthur trouxe uma nova preocupação para a família. Quando o menino tinha três anos, ele recebeu o diagnóstico de doença renal, assim como a mãe.

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A partir daquele momento, Juliana passou a acompanhar não apenas o próprio tratamento, mas também a rotina médica do filho. Arthur precisou enfrentar um período de um ano e nove meses de hemodiálise antes de conseguir um transplante.

O órgão veio de uma criança de nove anos, em uma doação que abriu para Arthur a possibilidade de deixar o tratamento para trás.

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Arthur passou por dificuldades após o transplante

O transplante, no entanto, não significou uma recuperação imediata. Depois do procedimento, o rim de Arthur demorou a funcionar como esperado, e o menino precisou continuar fazendo hemodiálise por mais um mês.

A família chegou a enfrentar o temor de que o órgão não começasse a funcionar. Juliana lembra que as pessoas próximas chegaram a acreditar que o transplante poderia não dar o resultado esperado.

“Todo mundo achava que o rim não ia funcionar. E um certo dia, para a alegria de todos, ele começou a fazer xixi muito bem”, relata.

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A resposta do organismo trouxe alívio para a família. Hoje, Arthur está bem e já completou um ano e três meses de transplante.

A mudança é percebida pela mãe especialmente na rotina do menino. Depois de viver os primeiros anos de vida entre consultas e hemodiálise, Arthur pode experimentar uma infância com menos limitações impostas pelo tratamento.

“Hoje está maravilhosamente bem”, afirma Juliana.

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Transplante mudou a rotina da família

Depois de tantos anos convivendo com a doença renal, a possibilidade de simplesmente estar junto ganhou um significado diferente para a família. Juliana, Arthur e Davi passaram a aproveitar momentos que antes eram atravessados pela rotina de tratamento.

Para Juliana, acompanhar o crescimento do filho depois do transplante representa uma conquista difícil de dimensionar para quem não acompanhou o caminho percorrido pela família.

“Quem viu o Arthur? Uma criança de 4 anos, de 3 anos, pesando 26 quilos, não tinha noção como é bonito ver ele hoje”, diz.

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Ela considera especialmente gratificante observar a transformação do filho depois do transplante. A nova realidade também reforça, dentro da família, a dimensão que uma doação de órgãos pode alcançar na vida de quem está esperando por uma oportunidade.

“É gratificante demais”, resume Juliana.

Doação de órgãos transformou duas histórias

A importância da doação também é conhecida de perto por Davi Feijão, pai de Arthur. Antes mesmo de vivenciar a experiência do filho, ele já tinha acompanhado uma situação semelhante dentro da própria família.

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Davi conta que teve um primo transplantado que, posteriormente, faleceu. Depois da morte, os familiares decidiram autorizar a doação dos órgãos.

“Tive um primo que foi transplantado. Ele faleceu e a família doou todos os órgãos dele”, lembra.

Para ele, a decisão tomada pelos familiares mostrou a importância de pensar na possibilidade de ajudar outras pessoas mesmo em um momento de perda. Davi entende que a atitude dos parentes permitiu que a história daquele familiar também pudesse representar esperança para quem aguardava por um transplante.

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“Meus tios tiveram essa consciência de entender que a doação é o melhor, é o que salva a vida hoje em dia”, afirma.

A experiência ganhou um significado ainda maior depois que o próprio filho precisou de um órgão para continuar a viver com mais qualidade.

Campanha Maria Sofia reforça importância da doação

A história de Juliana e Arthur também se relaciona com a proposta da Campanha Maria Sofia, iniciativa do Grupo Cidade de Comunicação voltada à conscientização sobre a doação de órgãos.

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A campanha busca incentivar o diálogo dentro das famílias sobre a importância de autorizar a doação. A discussão é fundamental porque a decisão dos familiares pode representar uma nova oportunidade para pessoas que aguardam por um transplante.

No caso de Juliana e Arthur, duas famílias autorizaram a doação dos órgãos e, com isso, contribuíram para mudar o destino de mãe e filho.

A experiência mostra que a doação não se encerra no momento em que um órgão é disponibilizado. Ela pode significar anos de vida, novas experiências e a possibilidade de uma família retomar uma rotina que parecia distante.

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Para Davi, acompanhar a transformação do filho reforça ainda mais essa percepção. O menino que passou parte da infância dependente da hemodiálise agora pode crescer com uma perspectiva diferente.

Juliana também recebeu um novo rim

A história de recomeço da família ganhou mais um capítulo recentemente. Há 45 dias, Juliana também recebeu um novo rim, depois de oito anos de hemodiálise.

O transplante representa para ela a possibilidade de viver uma rotina diferente daquela que conheceu durante boa parte da vida adulta. E a recuperação do filho serve como inspiração para imaginar os próximos anos.

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Juliana espera que o rim recebido por Arthur continue funcionando por muito tempo e que ele não precise voltar à máquina de hemodiálise.

“Eu espero que ele cresça, esse rim dele dure por muitos, muitos anos, para ele não precisar voltar para uma máquina de hemodiálise”, afirma.

Mais do que pensar apenas no tratamento, ela projeta para o filho uma infância e uma adolescência com experiências que ela própria não teve da mesma maneira. “Que ele viva saudável, tenha uma adolescência linda, que ele seja um menino muito bom”, deseja.

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A trajetória dos dois, marcada primeiro pela doença e depois pelos transplantes, transformou a relação da família com a palavra recomeço. Para Juliana, ver Arthur saudável enquanto também inicia uma nova etapa da própria vida representa a dimensão concreta de uma decisão tomada por famílias que escolheram doar.

A história de mãe e filho também reforça a mensagem central da Campanha Maria Sofia: conversar sobre a doação de órgãos dentro de casa pode ser decisivo. Em momentos de dor, uma família pode tomar uma decisão capaz de oferecer a outra pessoa a oportunidade de continuar vivendo.

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