Aydano Ribeiro, sócio do Grupo Laredo, relembrou no programa Conexões com Ricardo Bezerra a trajetória empresarial que começou com a venda de frango assado e se transformou em uma operação de grande escala no setor de alimentos. Em entrevista ao programa, ele contou como a sociedade com o irmão, Cristiano Ribeiro, e a entrada de outros parceiros ajudaram a estruturar o negócio, que passou a atuar em diferentes áreas.
A história começou nos anos 1990, quando os irmãos mantinham um pequeno ponto de venda de galeto no bairro Montese, em Fortaleza. O negócio comercializava cerca de 20 frangos por dia durante a semana e chegava a 70 ou 80 aos fins de semana. Aydano explicou que, apesar do movimento, os custos dificultavam a manutenção da operação e levaram os irmãos a buscar uma nova forma de trabalhar.
A mudança veio em 1997, quando eles tiveram a ideia de reunir outros vendedores de galeto para realizar compras em conjunto e negociar diretamente com os frigoríficos. A iniciativa reduzia a dependência de intermediários e abriu caminho para a transformação do negócio em uma operação de distribuição.
A partir de 1998, o empreendimento passou a atuar no segmento de distribuição de alimentos e, ao longo dos anos, ampliou suas atividades. O Grupo Laredo atualmente reúne operações de distribuição, atacarejo, logística e armazenagem, indústria, BTS e restaurantes, segundo os segmentos apresentados por Aydano durante a entrevista.
Venda de frango abriu caminho para novo negócio
Já na década de 1990, os irmãos decidiram abrir um pequeno ponto de venda de frango assado. O estabelecimento tinha cerca de 150 a 200 metros quadrados e funcionava com uma estrutura enxuta. Aydano conta que os primeiros resultados deixaram claro que apenas a venda direta ao consumidor não seria suficiente para sustentar o negócio.
No início, eram cerca de 20 frangos vendidos em dias comuns e entre 70 e 80 aos fins de semana. O faturamento não era suficiente para cobrir todos os custos da operação.
Foi nesse cenário que surgiu a ideia que mudaria o rumo do negócio: unir outros comerciantes que também trabalhavam com a venda de frango para aumentar o poder de compra e negociar diretamente com frigoríficos.
A proposta era reduzir a participação dos intermediários e conseguir melhores condições para a aquisição dos produtos. O principal obstáculo, porém, era a falta de crédito. Para viabilizar as compras, os irmãos precisavam reunir cheques pré-datados dos comerciantes participantes e encontrar quem aceitasse transformar esses valores em recursos para pagamentos à vista.
Nesse momento, Aydano destaca a importância de Tancredo Tavares, empresário que acreditou no projeto dos dois irmãos quando ainda havia pouca confiança no negócio.
“Ele olhou para nós e acreditou. Simples assim”, afirma Aydano.
Segundo o empresário, a entrada desse apoio permitiu que a operação começasse a conquistar crédito junto às indústrias e, posteriormente, credibilidade com os próprios parceiros comerciais.
Sociedade ajudou a estruturar expansão
A partir de 1998, a empresa passou a incorporar novos sócios. Fernando Paraíso entrou naquele ano, seguido por Vitório, em 2004; Rivellino, em 2007; e Del, em 2012. Aydano explica que a formação da sociedade foi baseada na capacidade de trabalho e na contribuição de cada integrante para o desenvolvimento da operação.
A distribuição começou a ganhar estrutura própria e, ao longo dos anos, passou a ampliar o portfólio de produtos. A atuação deixou de se concentrar apenas no frango e passou a incluir outras proteínas animais e produtos voltados ao atendimento de clientes.
Em 2002, surgiu a primeira operação de atacarejo, inicialmente com a marca Global Frios. Em 2012, após mudanças societárias e incorporação de negócios, a operação passou a utilizar a marca Laredo.
A empresa também entrou no setor de restaurantes. Aydano cita operações como Laredo Steakhouse, Murano Grill, Ui Bistrô, Tango e Cantinho de Nápoles, além de empreendimentos mais recentes ligados aos sócios.
Grupo atua em diferentes áreas
Durante a entrevista, Aydano detalhou os segmentos em que o grupo atua atualmente. Na distribuição, a empresa conta com três bases, localizadas em Aquiraz, Sobral e Juazeiro do Norte, além de frota própria de aproximadamente 90 a 100 veículos.
A operação também presta serviços de logística e armazenamento para terceiros. No atacarejo, são seis lojas com a marca Laredo, sendo quatro em Fortaleza e outras duas no interior do Ceará.
Outro braço da operação é a indústria, que, segundo Aydano, tem capacidade de produção de aproximadamente 600 toneladas por mês. Entre os produtos fabricados estão carne moída e linguiças, destinados ao atacado, ao food service e ao varejo.
A estrutura inclui ainda operações de BTS e restaurantes. Somando as diferentes atividades, Aydano estima que a empresa tenha cerca de 800 colaboradores diretamente ligados à Laredo. Considerando os demais negócios dos sócios, o número chega a aproximadamente mil trabalhadores diretos.
Para o empresário, a expansão aumentou também a responsabilidade dos negócios diante das famílias que dependem deles.
“É algo que a gente luta muito, é por esse engajamento das pessoas com o nosso propósito”, afirma.
Lealdade e empatia como princípios
Ao falar sobre o que considera fundamental para a trajetória empresarial, Aydano aponta valores que, segundo ele, não são negociáveis: lealdade, confiança e empatia.
“Você começa a se colocar no lugar do outro, você percebe que todo mundo tem dor”, explica.
A relação entre os seis sócios também é apontada por ele como um dos fatores que ajudaram na continuidade da empresa. Aydano afirma que o respeito e o desejo de ver o outro bem estão na base da sociedade construída ao longo de quase três décadas.
O empresário também falou sobre os próximos passos do grupo. Segundo ele, a empresa trabalha na implantação de uma estrutura de governança e em um planejamento de longo prazo para preparar o negócio para outras gerações.
Uma das mudanças previstas é fazer com que os sócios deixem gradualmente algumas funções operacionais para que executivos assumam responsabilidades na gestão. Aydano afirma que o objetivo é preparar a estrutura para uma nova etapa de crescimento.
Ao final da entrevista, o empresário resumiu o que considera essencial para quem está começando a empreender. Para ele, trabalho, esforço, empatia e preservação dos próprios valores são elementos fundamentais.
“Acreditem no trabalho, acreditem no esforço, na transpiração”, afirma. “Trabalhem, acreditem, mas, acima de tudo, mantenham a sua essência.”




