O Ceará ficou em segundo lugar na segunda edição do Ranking de Eficiência dos Estados – Folha (REE-F), com índice de 0,665, atrás apenas do Paraná, que alcançou 0,734. São Paulo aparece na terceira colocação, com 0,637. O levantamento foi elaborado pela Folha de S.Paulo em parceria com o Datafolha e considera a capacidade dos governos estaduais de transformar recursos públicos em resultados em áreas como educação, saúde, infraestrutura, segurança e finanças.
O desempenho do Ceará é destaque em parte pela relação entre o resultado obtido e os recursos disponíveis. O estado apresentou a menor Receita Corrente Líquida (RCL) per capita entre as 26 unidades da Federação analisadas, com R$ 4.275 por habitante. O valor corresponde a 38% menos que a média nacional, de R$ 6.913.
O Distrito Federal não participa do ranking por suas características orçamentárias específicas. O índice varia de zero a um, e os estados são classificados em quatro faixas de desempenho. Na edição de 2026, a categoria “Eficientes” reúne unidades com índice igual ou superior a 0,550.
Educação e saúde são os principais destaques do Ceará
Entre os componentes avaliados, o Ceará apresentou resultados acima das médias nacionais em educação, finanças e saúde. Na educação, o estado ficou em terceiro lugar, com nota 0,740. Em finanças, alcançou a sexta posição, com 0,744. Na saúde, ocupou também a sexta colocação, com 0,642.
A educação e a saúde têm peso dobrado na composição do índice, em razão das regras constitucionais que estabelecem gastos mínimos para essas áreas. A metodologia considera indicadores como frequência escolar, abandono, desempenho no Saeb, cobertura da atenção primária, mortalidade infantil e disponibilidade de leitos do Sistema Único de Saúde.
No Ceará, 93,41% das crianças de 6 a 14 anos frequentam o ensino fundamental, enquanto o atendimento no ensino médio chega a 78,07%. A taxa de abandono escolar na rede estadual é de 1,9%.
O estado também apresenta nota média de 274,7 pontos no Saeb, acima da média de 265,6 registrada entre os estados.
Outro dado destacado pelo levantamento é a expansão do ensino em tempo integral. Das 778 escolas estaduais, 625 funcionam nesse modelo, atendendo cerca de 198 mil estudantes. Aproximadamente 53% dos alunos da rede estadual estão matriculados em escolas de tempo integral, enquanto a média nacional é de 26,2%.
Nos 184 municípios cearenses, 119 haviam universalizado o tempo integral em 2025. A previsão apresentada é alcançar 152 municípios em 2026, enquanto cerca de 100 novas escolas estão em construção.
Na saúde, a cobertura da atenção primária alcança 96,6% da população, segundo os dados considerados pelo ranking. O índice coloca o Ceará com a segunda maior cobertura entre os estados. A mortalidade infantil é de 11,2 óbitos por mil nascidos vivos.
O Hospital Universitário do Ceará também aparece como parte do contexto da estrutura de saúde estadual. O complexo, localizado em Fortaleza, possui 78,6 mil metros quadrados distribuídos em três torres. São 661 leitos de internação e outros 182 complementares, totalizando 843 leitos, além de 46 poltronas destinadas a quimioterapia e imunobiológicos.
Segurança e infraestrutura aparecem entre os pontos de menor desempenho
Apesar da posição geral do Ceará, os resultados variam entre os componentes analisados. A segurança pública recebeu nota 0,223, colocando o estado na 24ª posição nacional nesse quesito.
A taxa considerada pelo estudo é de 34,7 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes. O indicador reúne homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.
A infraestrutura também ficou abaixo dos demais componentes, com nota 0,408 e 19º lugar entre os estados.
O desempenho financeiro foi diferente. O Ceará obteve nota 0,744 e ficou na sexta colocação. O levantamento considera, entre outros fatores, o comprometimento da receita com despesas de pessoal e previdência e a relação entre dívida consolidada líquida e receita corrente líquida.
No caso cearense, os dados apontam comprometimento de 48,9% da RCL com pessoal, 12,8% com previdência e 2,5% com o Legislativo. A dívida consolidada corresponde a 30,21% da RCL.
Por outro lado, o componente de receita recebeu nota zero, já que o Ceará apresentou a menor RCL per capita entre os estados avaliados, com os R$ 4.275 por habitante.
O desempenho detalhado do Ceará ficou assim:
- Educação: 0,740 — 3º lugar
- Finanças: 0,744 — 6º lugar
- Saúde: 0,642 — 6º lugar
- Infraestrutura: 0,408 — 19º lugar
- Segurança pública: 0,223 — 24º lugar
- Receita: 0 — 26º lugar
Como o modelo de gestão do Ceará é relacionado ao resultado
A experiência de gestão educacional desenvolvida em Sobral há cerca de duas décadas é apontada como parte do contexto do modelo adotado posteriormente pelo Ceará. A estratégia ganhou escala estadual a partir de 2007, durante o governo de Cid Gomes.
O modelo passou a combinar apoio aos municípios, material didático, avaliações e mecanismos de incentivo financeiro. Entre eles está a distribuição de uma parcela maior do ICMS para municípios que apresentassem resultados melhores na educação.
Em 2020, o mecanismo de distribuição de recursos baseado em indicadores educacionais passou a integrar uma legislação nacional.
O governo estadual relaciona esse modelo à adoção de uma estratégia de gestão baseada em planejamento e alocação de recursos. A Secretaria do Planejamento e Gestão (Seplag) atribui parte do desempenho ao orçamento-programa, que vincula o planejamento às decisões sobre aplicação dos recursos públicos.
A metodologia do REE-F, porém, não estabelece que uma política específica seja responsável isoladamente pela posição de cada estado. O ranking relaciona diferentes indicadores públicos aos recursos disponíveis e calcula um índice geral de eficiência.
Paraná lidera e São Paulo aparece em terceiro
O Paraná ocupa a primeira posição do ranking, com índice de 0,734. O estado é seguido pelo Ceará, com 0,665, e por São Paulo, com 0,637.
Na sequência aparecem Santa Catarina, com 0,612; Piauí, com 0,596; Paraíba, com 0,561; e Minas Gerais, com 0,552. Os sete estados formam a faixa classificada como “Eficientes”.
O ranking mostra ainda que a disponibilidade de recursos por habitante não determina, isoladamente, a posição de um estado. Amapá, Acre e Roraima, por exemplo, possuem RCL per capita superior à do Ceará e aparecem nas últimas posições.
O Amapá tem R$ 12.027 de RCL por habitante e ocupa o 26º lugar, com índice de 0,110. O Acre registra R$ 12.766 e está na 25ª posição, com 0,166. Roraima possui R$ 11.654 por habitante e aparece em 24º, com 0,233.
Por região, o Sul apresenta a maior média, com 0,630. O Sudeste aparece em seguida, com 0,520, enquanto o Nordeste registra 0,462. O Centro-Oeste tem média de 0,456 e a região Norte fica em 0,252.
Veja o ranking completo dos estados
- Paraná — 0,734
- Ceará — 0,665
- São Paulo — 0,637
- Santa Catarina — 0,612
- Piauí — 0,596
- Paraíba — 0,561
- Minas Gerais — 0,552
- Rio Grande do Sul — 0,545
- Goiás — 0,541
- Espírito Santo — 0,536
- Pernambuco — 0,504
- Mato Grosso do Sul — 0,458
- Maranhão — 0,458
- Sergipe — 0,399
- Tocantins — 0,375
- Mato Grosso — 0,368
- Alagoas — 0,368
- Rio de Janeiro — 0,354
- Rondônia — 0,354
- Rio Grande do Norte — 0,303
- Bahia — 0,301
- Amazonas — 0,291
- Pará — 0,237
- Roraima — 0,233
- Acre — 0,166
- Amapá — 0,110




