O Ceará superou Pernambuco e passou a ocupar a terceira posição entre os estados que mais exportam no Nordeste. De acordo com o relatório Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios do Ceará (CIN/CE), da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), o estado acumulou US$ 1,63 bilhão em exportações entre janeiro e agosto de 2026, alta de 8,2% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço no ranking regional ocorreu após um mês de agosto com crescimento de 124,5% nas vendas externas na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O Ceará exportou US$ 341,6 milhões no mês, o maior valor mensal registrado em 2026 e 40,7% acima do resultado de julho.
Com o resultado acumulado até agosto, o Ceará passou uma posição no ranking dos exportadores nordestinos e ficou atrás apenas da Bahia e do Maranhão. A participação cearense nas exportações da Região também aumentou, passando de 9,13% em 2025 para 9,24% em 2026.
Agosto muda resultado acumulado do Ceará
O desempenho de agosto teve impacto sobre o resultado acumulado do ano. Até julho, as exportações cearenses apresentavam queda acumulada de 4,9%. Com os US$ 341,6 milhões registrados no mês seguinte, o acumulado passou a apresentar crescimento de 8,2%.
O resultado também contribuiu para a melhora da balança comercial. Entre janeiro e agosto, o comércio exterior do Ceará movimentou US$ 3,47 bilhões, considerando exportações e importações, alta de 4,3% sobre o mesmo período de 2025.
As importações somaram US$ 1,84 bilhão, crescimento de 1,2%. Com isso, o déficit comercial ficou em US$ 212,4 milhões, uma redução de 32,4% em relação aos US$ 314,3 milhões registrados no mesmo período de 2025.
O relatório aponta que as exportações acumuladas em 2026 atingiram o maior valor do período entre 2023 e 2026. Já o déficit comercial foi o menor da série apresentada no estudo.
Siderurgia responde pela maior parte das exportações
A siderurgia foi o principal componente do resultado de agosto. As vendas externas de ferro fundido, ferro e aço chegaram a US$ 218 milhões, o equivalente a 63,8% das exportações cearenses no mês.
Na comparação com agosto de 2025, o grupo apresentou crescimento de 174,4%.
Outros grupos de produtos também contribuíram para o avanço. Os nove principais grupos seguintes somaram US$ 98,6 milhões em agosto, alta de 67,5%. Entre os produtos que se destacaram estão máquinas e materiais elétricos, combustíveis, calçados e pescados.
No acumulado de janeiro a agosto, o aumento das exportações foi de US$ 123,2 milhões em relação ao mesmo período de 2025. O crescimento permaneceu relacionado principalmente à siderurgia, embora alumínio, combustíveis, máquinas e materiais elétricos e produtos minerais também tenham contribuído para o resultado.
Ceará sobe no ranking nacional
Além do avanço dentro do Nordeste, o Ceará também melhorou sua posição entre os estados brasileiros exportadores.
O estado chegou à 16ª colocação no ranking nacional, uma posição acima da registrada em 2025. A participação cearense nas exportações brasileiras, porém, recuou de 0,66% para 0,65%.
A redução ocorreu porque as exportações do Brasil cresceram 10,3% no período, enquanto as vendas externas do Ceará avançaram 8,2%.
Estados Unidos perdem participação entre destinos
Os Estados Unidos reduziram sua participação nas exportações cearenses no acumulado do ano. Ao mesmo tempo, houve aumento da concentração das vendas externas entre os dez principais mercados.
Parte dessa mudança ocorreu com o avanço das exportações de produtos siderúrgicos para México, Espanha, Polônia, Bélgica e Alemanha. China e Colômbia também apresentaram crescimento associado a uma quantidade maior de produtos.
Apesar da redistribuição dos destinos no acumulado, agosto apresentou concentração elevada. Estados Unidos, México e Bélgica responderam juntos por 81,3% das exportações cearenses no mês.
Maracanaú, Icapuí e Sobral aparecem entre os principais municípios
Entre os municípios cearenses, Maracanaú registrou US$ 86,7 milhões em exportações no acumulado, alta de 55,8%. O principal fator de crescimento foi o alumínio e suas obras, cujas vendas passaram de US$ 113 mil para US$ 25,6 milhões.
A Colômbia foi o principal destino das exportações de Maracanaú, com US$ 42 milhões e crescimento de 326,5%. Em agosto, o município exportou US$ 12,1 milhões, alta de 213,4% na comparação anual.
Icapuí acumulou US$ 67,8 milhões em exportações, crescimento de 27,3%. As frutas responderam por US$ 63,1 milhões, enquanto os pescados somaram US$ 4 milhões.
Os Países Baixos foram o principal destino das vendas de Icapuí, com US$ 33,3 milhões, seguidos pelo Reino Unido, com US$ 23,7 milhões. Em agosto, o município exportou US$ 7,1 milhões, alta de 47,2%.
Sobral, por sua vez, alcançou US$ 65,7 milhões no acumulado, queda de 7,5%. Os calçados permaneceram como principal setor, com US$ 59 milhões, mas recuaram 14,3%. Os produtos minerais avançaram de US$ 493 mil para US$ 5,2 milhões.
A Colômbia foi o principal destino das exportações de Sobral, com US$ 11,7 milhões, seguida pela China, com US$ 6,3 milhões. Em agosto, as vendas externas do município somaram US$ 7,3 milhões, alta de 66,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
Transporte marítimo concentra exportações
A maior parte das exportações cearenses foi realizada por via marítima. Entre janeiro e agosto, esse modal respondeu por US$ 1,55 bilhão das vendas externas, ante US$ 1,42 bilhão no mesmo período de 2025, alta de 9,1%.
As exportações por via aérea somaram US$ 55,6 milhões, crescimento de 22,8%. Já as operações rodoviárias totalizaram US$ 27,9 milhões, queda de 20,1%.




