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POLÍTICA INTERNACIONAL

Lula critica interferência externa e diz na ONU que “Brasil não cabe no quintal de ninguém”

Presidente abriu a 81ª Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22), em Nova York, e abordou soberania, eleições e conflitos internacionais

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Lula critica interferência externa e diz na ONU que “Brasil não cabe no quintal de ninguém”
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso na abertura da 81ª Assembleia Geral da ONU, em Nova York. (Foto: Reprodução)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante o discurso de abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém”. Na fala, o presidente tratou de soberania nacional, relações internacionais e ingerência externa em processos eleitorais.

Lula afirmou que o Brasil não aceitará interferências estrangeiras nas eleições e defendeu que diferenças ideológicas não impeçam a integração entre países da América Latina. A fala ocorreu em um momento de tensão nas relações entre Brasil e Estados Unidos, embora o presidente não tenha citado Donald Trump nominalmente ao fazer as críticas sobre interferência eleitoral.

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O que Lula disse sobre ingerência externa nas eleições

Ao abordar a situação política da América Latina, Lula afirmou que a democracia voltou a estar sob pressão na região e criticou o que classificou como ingerência externa em processos eleitorais. “O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para uma maior integração entre vizinhos”, declarou.

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Na sequência, o presidente afirmou que a divisão do mundo em zonas de influência e as interferências externas em eleições representam um problema para os países da região. “Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais”, disse Lula durante o discurso.

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A fala ocorreu a poucas semanas das eleições brasileiras de 2026 e também em meio a discussões sobre a relação entre os governos de Lula e Trump. O presidente brasileiro não citou diretamente os Estados Unidos nesse trecho do discurso, mas fez referência à proximidade da América Latina com a “maior potência militar do mundo”.

Lula defende soberania e integração na América Latina

Lula também afirmou que a proximidade geográfica entre os países latino-americanos e os Estados Unidos é uma realidade, mas defendeu que isso não deve resultar em relações de subordinação. O presidente mencionou o que chamou de “tentações hegemônicas” na região e afirmou que o Brasil busca relações internacionais voltadas ao desenvolvimento. Ele também defendeu uma maior integração entre os países vizinhos, independentemente das diferenças ideológicas entre seus governos.

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A questão da soberania apareceu em outros momentos do pronunciamento. Ao tratar da segurança regional, Lula afirmou que o Brasil não pretende transferir a outros países a responsabilidade pela proteção de suas fronteiras.

“Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado”, declarou. Segundo o presidente, uma proposta de cooperação internacional nessa área foi apresentada pessoalmente a Donald Trump.

Presidente critica atuação do Conselho de Segurança da ONU

Outro ponto central do discurso foi a reforma do Conselho de Segurança da ONU. Lula voltou a defender mudanças na estrutura do órgão e criticou o que considera uma dificuldade para a organização responder aos conflitos internacionais.

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O Conselho de Segurança é formado por 15 países, sendo cinco membros permanentes, China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia, e dez membros eleitos pela Assembleia Geral para mandatos de dois anos.

Lula afirmou que a credibilidade da ONU está em um nível baixo e criticou o que classificou como imobilismo do Conselho de Segurança. O presidente também abordou conflitos internacionais e defendeu o uso da diplomacia como instrumento para a resolução de crises. Sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia, afirmou que não haverá vencedores no campo de batalha e defendeu negociações.

Lula fala sobre Venezuela, Nicarágua, Haiti e Cuba

A situação política de outros países latino-americanos também foi mencionada no discurso. Sobre a Venezuela, Lula afirmou que a população do país deve ter o direito de definir seu próprio destino. Em relação à Nicarágua, disse que os problemas internos não serão solucionados com a exclusão da oposição das eleições.

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O presidente também mencionou a crise no Haiti e afirmou que a situação no país continua a desafiar a comunidade internacional. Ao falar de Cuba, Lula criticou o embargo econômico e as medidas de restrição energética aplicadas ao país. Ele classificou essas medidas como uma forma de punição coletiva à população cubana.

Discurso ocorreu antes da fala de Donald Trump

O discurso de Lula abriu, como tradicionalmente ocorre, a sequência de pronunciamentos dos chefes de Estado na Assembleia Geral da ONU. Na programação desta terça-feira (22), Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, faria o discurso seguinte.

A presença dos dois presidentes na mesma sessão ocorre em meio a divergências entre Brasil e Estados Unidos sobre temas comerciais, diplomáticos e de política externa.

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Além das questões relacionadas à soberania e às eleições, Lula utilizou o discurso para abordar segurança, conflitos internacionais, reforma das instituições multilaterais e a atuação da ONU diante das crises atuais.

O tema da 81ª Assembleia Geral éRestaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”. A reunião reúne representantes dos 193 Estados-membros da organização.

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